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Eleições nos EUA

Sábado, 8 de novembro de 2008, 02h02 Atualizada às 02h03

Após economia, meio ambiente desafiará Obama

A vitória de Barack Obama pode estar ainda em clima de comemoração, mas o mundo já está de olho nos desafios e na maneira como o novo presidente americano os enfrentará. Depois das diretrizes contra a crise da economia, um dos maiores obstáculos para o novo governo será mostrar como os EUA lidarão com o meio ambiente.

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"Cuidar da mudança climática será a maior e mais importante prova que Obama enfrentará", avalia Ann Carlson, especialista em legislação ambiental da Universidade da Califórnia. "A administração de George Bush protelou decisões relativas a emissões de gases, e o novo presidente estará sob enorme pressão para regulamentar isso."

Diferentemente de seu antecessor, que deixa a Casa Branca sem ter ratificado o Protocolo de Kyoto, Obama mostrou ter uma agenda ambiciosa. Além de colocar seus prediletos na Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) e nas secretarias do Interior, de Agricultura e de Energia, seu governo terá um posto para lidar exclusivamente com agenda climática e aquecimento global.

Se depender do que Obama vem prometendo, o mundo voltará a confiar nos EUA para salvar o meio ambiente. Com o chamado czar das mudanças climáticas - sugere a revista ecológica on-line Grist - o país passa a mostrar que está realmente decidido a combater as alterações do clima.

Um dos mais prováveis nomes para assumir a pasta, o ex-vice-presidente Albert Arnold Gore Jr. terá de lidar de forma direta com as alterações climáticas e suas conseqüências. Além de Al Gore, são cogitados Terry Tamminen, conselheiro ambiental para o governo da Califórnia; e Bill Richardson, ex-embaixador da ONU, com experiência em meio ambiente.

"Richardson é interessante, mas Al Gore, sem dúvida, é o mais indicado para o posto", avalia Ann. "É um verde e elevará, com seriedade, a importância de temas relativos ao aquecimento para o nível mais alto que puder."

O futuro czar, provavelmente, funcionará como um conselheiro do presidente para assuntos ambientais. Para isso, no entanto, deverá ter de supervisionar decisões que envolvem desde o uso de combustíveis fósseis a energia nuclear, gestão agrícola, inversão climática e sustentabilidade.

"Vamos assistir à criação de leis mais agressivas contra a emissão de gases estufa, assim como reduzir nossa dependência em relação ao petróleo e ter maior engajamento junto a outros líderes mundiais", prevê Walter Rosenbaum, que ensina sobre políticas ambientais na Universidade da Flórida.

Os EUA ainda são um dos principais poluidores no mundo, e a esperança é que a próxima gestão, apesar das dificuldades pela frente, signifique um corte radical com a política ambiental levada anteriormente por Bush.

Para recuperar a confiança do mundo em relação à agenda ambiental, Ann diz ser essencial que o próximo presidente restabeleça e participe dos diálogos com a ONU, de modo a aumentar a presença americana no processo multilateral.

"O mais urgente é reforçar a iniciativa americana contra o aquecimento global, como um sinal de que estamos voltando à diplomacia global do meio ambiente", sugere Rosenbaum. "Neste sentido, os EUA deveriam preocupar-se particularmente em restabelecer a confiança da União Européia, que tem levado a causa adiante."

Para Bryan Leyland, da Coalizão de Ciência Climática Neozelandesa, o melhor seria o governo americano tornar-se "independente e criar uma comissão própria para analisar evidências do aquecimento global causado por iniciativas do homem".

Na equipe ambiental do governo americano, ainda, a já existente EPA poderá ter como administrador Mary Nichols, líder da lei do clima da Califórnia; Kathleen McGinty, ambientalista da Pensilvânia; ou Dan Esty, principal conselheiro de Obama em matérias da energia. O senador e procurador-geral Robert Kennedy, no entanto, é considerado o nome mais forte para o cargo.

Já a Secretaria do Interior, responsável pela supervisão de 20% do território americano, além de controlar reservas energéticas, como carvão, e parque nacionais, poderá ter como chefe Brian Schweitzer, governador democrata de Montana; Jamie Clark, diretora do Sistema de Proteção da Vida Selvagem no governo de Clinton; ou Jay Inslee, congressista que se opõe à administração Bush na proteção de áreas não urbanas.

Para a Secretaria de Agricultura, que leva adiante a promoção de políticas agrícolas e de alimentação, o presidente da União Nacional dos Agricultores, Tom Buis; a congressista por Dakota do Sul Stephanie Herseth Sandlin; e o ex-governador de Iowa Tom Vilsack são algumas apostas.

Responsável pela fiscalização de armas nucleares e todas as outras questões energéticas, o novo diretor da Secretaria de Energia está entre os nomes de uma imensa lista. Jason Grumet, ex-diretor da Comissão Nacional para a Política Energética, que acompanha Obama desde 2005; Ed Rendell, que restringiu as emissões de mercúrio quando governador da Pensilvânia e apoiador de Hillary Clinton nas primárias; Dan Reicher assistente do secretário da Energia de Clinton. Além de Jeff Bingaman, presidente do Comitê de Energia e Recursos Naturais do Senado; Wesley Clark, general aposentado e ex-comandante da Otan; Jeff Immelt, diretor-executivo da General Electric; Ed Markey, presidente do Comitê de Independência Energética e Aquecimento Global; e até mesmo o governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger.

Jornal do Brasil

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