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Quarta, 5 de novembro de 2008, 14h23 Atualizada às 15h42

Obama é fruto das cotas, diz reitor de faculdade 'negra'

Thiago Prado
Direto de Porto Alegre

A eleição de Barack Obama como o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos trouxe de volta a discussão sobre a questão racial. Para José Vicente, reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares, a primeira do Brasil voltada para alunos negros e que se apresenta como a faculdade "negra", a ascenção de Obama é fruto do sistema de cotas, e a sua primeira visita oficial ao Brasil vai expor a verdadeira ideologia racial brasileira.

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Para ele, a eleição de Barack Obama traz duas modificações na estrutura da sociedade americana. "Ela confirma que os Estados Unidos dão um passo adiante em suas políticas de segregação. Na terça-feira, o País disse não a essa separação, se assumiu como um fruto da miscigenação."

"No aspecto individual, a eleição de Obama reitera para os negros que eles podem e devem acreditar em seu potencial, em seus sonhos, em suas crenças. Que se você se preparar, pode desacreditar dos obstáculos, que não há mais a noção do impossível", acrescentou.

Ele ressaltou a política de cotas dos Estados Unidos, que possibilita maior acesso dos negros ao ensino superior, como fator determinante para a "nova cara" da sociedade americana. "A política de cotas raciais, ou ações afirmativas, permitiram que existisse um Obama, um Colin Powell, uma Condoleezza Rice... Os Estados Unidos já têm um geração formada pelas cotas raciais, e a tendência é aumentar. Já são 120 universidades voltadas para os negros."

"É obrigação de qualquer governo prover saúde e educação para todos, e quando isso não é possível, cabe ao Estado instrumentalizar esse acesso", acrescentou.

José Vicente se mostrou confiante quanto aos reflexos no Brasil. "Haverão muitos reflexos em nossa sociedade. Barack Obama vai visitar o Brasil, e todo um cerimonial terá de ser organizado. A Chancelaria brasileira, onde não há negros, vai receber com honras um negro com sua família, também negra. Isso é inédito no Brasil. Acredito que isso causará um efeito replicativo no Brasil."

No entanto, José Vicente acha que ainda há muito a se evoluir no Brasil no campo da afirmação racial. "Ainda é muito embrionário, estamos pouco avançados nesse aspecto. Os Estados Unidos são um País onde há 40 anos existiam leis que regravam a segregação, enquanto nós abolimos a escravatura há 120 anos. Mas no Brasil não temos negros em cargos de diretoria nas empresas e nem negros assumindo cargos políticos importantes."

Redação Terra

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