
Atualizada às 02h51 A grave crise financeira que atinge os EUA, uma referência ao etanol brasileiro e um tom ameno mas provocativo marcaram o último debate presidencial dos EUA nesta quarta. O encontro entre o democrata Barack Obama e o republicano John McCain aconteceu na Universidade de Hofstra, em Hempstead, no Estado de Nova York.
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Atrás nas últimas pesquisas, era esperado que McCain partisse para o ataque neste último debate, segundo as apostas de analistas políticos dos EUA. Entretanto, a postura tanto de McCain quanto Obama foi moderada com um discurso mais ameno em comparação com os outros dois encontros.
Criticados por analistas nos últimos dois debates por não discutirem política externa em relação à América Latina, o Brasil foi citado no debate desta quarta quando o republicano John McCain falou do plano de importar o etanol brasileiro para combater a dependência americana do petróleo.
Tom elevado
Os momentos mais quentes da discussão ocorreram apenas quando o jornalista da rede CBS, Bob Schieffer, que moderou o debate, interveio e questionou os dois candidatos sobre os ataques das duas campanhas. Schieffer pediu que Obama avaliasse a campanha do rival e vice-versa.
McCain lamentou os "aspectos negativos" da corrida eleitoral, alguns dos quais classificou como inaceitáveis. Especificamente, o republicano se referiu aos ataques contra sua companheira de chapa e governadora do Alasca, Sarah Palin.
McCain disse que, durante a campanha, sempre tratou de temas relevantes para a população americana, como a economia e a criação de empregos. Além disso, destacou que sempre criticou aqueles que passaram os limites, seja dentro do seu partido ou não.
Contudo, o republicano voltou a insistir na relação de Obama com William Ayers, que já esteve ligado a organizações terroristas e que, segundo Palin sugeriu há cerca de uma semana, foi uma pessoa próxima ao candidato democrata.
Obama rejeitou todas as acusações e contra-atacou, afirmando que "quase todos estão convencidos de que é o senador McCain quem trava uma campanha muito negativa".
"Não só foi a campanha de McCain que foi negativa, mas também as organizações que a apóiam", acrescentou o senador por Illinois, que insistiu: "100% de suas propagandas foram negativas, John". "Isso não é verdade", respondeu o republicano.
"Sim, é verdade", replicou Obama, num dos momentos mais duros do debate, realizado em uma universidade do estado de Nova York. O democrata também disse que não ficou incomodado de ter passado as últimas semanas sendo atacado, mas ressaltou que o que os americanos querem é que os candidatos falem do que será feito por eles.
"Adoraria passar as próximas semanas falando de temas que intetessam à população, como impostos, energia e economia. (Os eleitores) querem que foquemos em assuntos que são importantes" para eles no momento, declarou.
Em outro momento, o candidato republicano se irritou com seu adversário, o democrata Barack Obama, que o comparou ao presidente George W. Bush, durante o último debate entre os dois antes das eleições.
"Senador Obama, eu não sou o presidente Bush. Se gostaria de concorrer com ele, deveria ter feito isso quatro atrás", disse McCain no encontro realizado em uma universidade no estado de Nova York.
A comparação feita por Obama aconteceu quando o democrata respondia a uma questão do moderador, o jornalista Bob Schieffer, sobre se deveria desistir de alguma de suas propostas para reduzir as crescentes perdas do país.
Crise financeira
Após serem convidados a defender seus próprios planos para enfrentar a crise nos mercados financeiros, ambos aproveitaram para delinear, em linhas gerais, suas propostas e criticar as sugestões dos rivais.
Obama e McCain haviam apresentado, na segunda e na terça-feira, respectivamente, seus planos para conter os efeitos da crise na economia e no bolso dos americanos comuns, que divergiam principalmente em relação à questão dos impostos.
Enquanto o democrata defende o aumento das taxas às grandes empresas para aliviar o bolso dos consumidores, o republicano sustentou exatamente o contrário, o que permitiria, em sua opinião, criar mais empregos.
McCain, que se disse desapontado com a política adotada pelo secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, reconheceu que os americanos estão irritados com a situação, e afirmou que a primeira ação voltada a reverter a crise perante os americanos comuns é "fazer as pessoas acreditarem que têm uma casa".
Enquanto McCain alegou que sua proposta de cortar taxas das grandes empresas vai "estimular a criação de empregos e espalhar a riqueza" entre a população, Obama respondeu afirmando que seu plano de aumentar os impostos dessas mesmas companhias tem como objetivo ajudar 95% dos americanos que ganham menos de US$ 250 mil por ano.
O republicano criticou a proposta e questionou: "Por que aumentar as taxas?", ao que o adversário democrata retorquiu lembrando que sua idéia é dar alívio às famílias de renda baixa e média. "Não vou permitir uma alta de impostos às pequenas empresas", disse McCain destacou ainda que são os pequenos negócios os que geram riqueza e emprego no país e, por isso, precisam ser fortalecidos.
O candidato democrata, por sua parte, reiterou que seus planos são os de cortar os impostos de 95% das famílias americanas, as de classe média, com rendas inferiores a US$ 250 mil ao ano. Para o democrata, a crise vivida no país é a "pior desde a Grande Depressão".
Vices na berlinda
Os candidatos à vice-presidente dos Estados Unidos, o democrata Joe Biden e a republicana Sarah Palin, também foram motivo de divergência no último debate entre os aspirantes à Casa Branca.
Enquanto o senador por Illinois elogiou a candidata a vice na chapa de McCain, qualificando-a de uma "política capaz", o adversário republicano criticou Biden, afirmando que o braço direito de Obama tinha cometido "erros na política de segurança nacional".
O candidato democrata defendeu Biden, dizendo que era uma pessoa "que nunca esqueceu de onde veio". Segundo Obama, ambos compartilham a mesma idéia sobre os valores e a direção na qual os Estados Unidos devem seguir em questões como o aumento de impostos às grandes corporações, a independência energética do país e educação.
"Após oito anos de políticas fracassadas, os dois coincidimos em que temos que voltar a investir na classe trabalhadora", disse o candidato democrata.
Na vez do republicano, McCain afirmou que Palin deveria ser "um modelo para as mulheres", e citou realizações da governadora do Alasca em questões como independência energética e combate à corrupção.
"Ela entende como ninguém de necessidades especiais (em referência ao filho caçula de Pali, Trig, de cinco meses, que sofre de síndrome de Down)", disse McCain. "Tenho muito orgulho dela e de sua família".
A dependência ao petróleo estrangeiro e as ações a serem adotadas para combater a mudança climática foram outros dos assuntos que evidenciaram a divergência entre os candidatos republicano e democrata.
No debate, McCain propôs um plano com foco em eliminar a dependência americana de petróleo estrangeiro em "sete, oito ou dez anos", principalmente das nações que "afetam a segurança nacional" dos Estados Unidos.
Após dizer que Obama só tem interesse em renegociar os acordos com países exportadores de petróleo aos EUA, McCain traçou um plano que passa por estimular a produção de energia nuclear e o uso de gás natural e de tecnologias limpas.
Já o senador por Illinois defendeu, em dez anos, reduzir a dependência estrangeira de energia e "eliminar a importação de petróleo do Oriente Médio e da Venezuela".
O candidato democrata ressaltou o potencial de produção da commodity dos EUA e defendeu a exploração da plataforma continental americana como uma maneira de resolver os problemas energéticos do país.
O senador por Illinois afirmou também que os Estados Unidos deveriam apostar no biodiesel e em combustíveis alternativos para reduzir a dependência estrangeira de petróleo, e destacou que as energias limpas nortearão este século.
"Os EUA deveriam voltar a produzir o carro do futuro", como faziam antes de perderem espaço para países como Japão em termos de desenvolvimento de novas tecnologias, afirmou Obama.
"O transporte consome 30% do total de energia (consumida) pelos EUA", continuou o democrata. "Com a redução da dependência estrangeira, criaremos cinco milhões de empregos", acrescentou.
Saúde e aborto
Os candidatos à Presidência dos Estados Unidos, o republicano John McCain e o democrata Barack Obama, divergiram sobre a legalização do aborto, no último debate antes da eleições de 4 de novembro.
McCain reiterou sua oposição ao procedimento cirúrgico, mas disse que sua opinião nesse tema que divide os americanos não o influenciaria na hora de escolher os juízes da Suprema Corte dos EUA.
"A nomeação dos candidatos ao Supremo deve se basear em seus antecedentes, em suas decisões, não em sua ideologia política", disse McCain. "Devemos nomeá-los de acordo com suas boas qualificações, mas não acho que ser favorável ao aborto seja uma boa qualificação", disse McCain.
Obama coincidiu com o adversário quanto a que o primordial na designação desses magistrados "é a forma na qual se avalie sua capacidade de administrar a Justiça. Eu olharei seus antecedentes quando se tratar de fazer uma designação desse tipo".
"Mas eu sou alguém que acredita que a decisão (de legalizar o aborto) foi correta. São as mulheres, em consulta com seus parentes, as que estão em melhor posição de tomar uma decisão", sobre o aborto, disse Obama.
O aborto foi legalizado em 1973 e, desde então, foi o ponto principal de divergência entre os setores conservadores, principalmente republicanos, e os liberais, a maioria deles democratas. Ambos também trocaram acusações sobre as respectivas propostas sobre a cobertura médica da população americana.
Obama defendeu oferecer aos cidadãos dos EUA o mesmo tipo de cobertura que os parlamentares americanos recebem, através de negociações com as farmacêuticas e companhias de seguro e do investimento em tecnologias.
Enquanto isso, McCain propôs dar um crédito de US$ 5 mil para que os americanos de classe média e baixa possam gastar com planos de saúde. "Concederei um crédito fiscal de US$ 5 mil para que as pessoas possam comprar seus planos de saúde", disse o senador.
Ele também criticou a proposta de Obama, de um sistema único, e que prevê multas para as empresas que violarem a cobertura de saúde de seus funcionários. "Obama diz que quer ter um sistema único, ele quer sobrecarregar o sistema", afirmou.
O republicano defendeu seu plano para o setor. "As pessoas vão receber mais benefícios de saúde. Eu vou dar US$ 5 mil, as pessoas podem escolher, não vão ter o senador Obama e o Governo decidindo por eles", defendeu McCain.
O senador por Illinois afirmou que sua intenção é isentar as pequenas e médias empresas do pagamento de seguros médicos a seus funcionários, mas não as grandes corporações.
Além disso, criticou a proposta de McCain, afirmando que penaliza, sobretudo, os mais velhos, que não conseguiriam bons planos de saúde, enquanto os jovens teriam mais facilidade nesse sentido.
"McCain vai taxar os benefícios de saúde das empresas. Uma apólice custa US$ 12 mil e você tem US$ 5 mil, isso não é um lucro", afirmou. "Tudo o que eu quero é cortar os custos", ressaltou o democrata.
Com agências internacionais
Redação Terra
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Reuters
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