
Atualizada às 03h12 O segundo debate entre os candidatos à presidência dos EUA, realizado na noite desta terça-feira, na cidade de Nashville, foi marcado pelo primeiro contato direto dos senadores Barack Obama e John McCain com os eleitores indecisos. Mas o novo modelo de discussão não impediu que os dois trocassem farpas e elevassem ainda mais o tom da disputa há menos de um mês das eleições.
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A atual crise financeira nos Estados Unidos voltou a dominar o debate entre os candidatos à presidência, com o democrata Barack Obama e o republicano John McCain apresentando suas propostas para superar o problema. Obama e McCain concordaram que a solução da crise deve passar, prioritariamente, pela classe média, e não apenas pelo socorro a grandes instituições financeiras.
Ambos também criticaram a ganância em Wall Street e Obama lembrou os US$ 400 mil que a seguradora AIG gastou em férias de uma semana para seus executivos dias após receber o socorro de 85 bilhões de dólares do governo. O candidato democrata afirmou que a origem da crise está na desregulamentação do mercado, algo defendido até pouco tempo pelo senador McCain, que reagiu lembrando que as empresas de refinanciamento hipotecário, Fanny Mae e Freddie Mac, estopim da crise, foram grandes contribuintes da campanha de Obama.
"Alguns de nós se ergueram contra" a farra em Wall Street "há alguns anos, pedindo mais regulamentação para os mercados, mas o senador Obama não estava nesta carta" enviada às autoridades. Obama rebateu lembrando que McCain sempre foi contra a regulamentação dos mercados e lembrou que "há dois anos eu disse que tínhamos uma crise do subprime, escrevi para Ben Bernanke (presidente do Federal Reserve) e disse que precisávamos regulamentar" Wall Street.
O senador democrata destacou que a atual crise é apenas o início do processo. "Precisamos trabalhar com os corretores de imóveis para que as pessoas possam ficar em suas casas, e não só pensar em como salvar os bancos de Wall Street. Tenho confiança na economia americana, mas precisaremos de uma boa liderança em Washington, que não apenas promova mais controle. Vamos ter que ajudar as famílias comuns a pagar suas contas e mudar a cultura em Washington".
"A pior crise desde 1929"
Questionado sobre a grave crise econômica que atinge os EUA, o democrata afirmou que o país vive a pior recessão econômica desde o crack da Bolsa de Nova York, em 1929. "Estamos na pior crise econômica desde a grande depressão". Obama fez críticas à condução da política econômica de Bush e voltou a vincular o rival republicano ao atual governo. "O pacote tem que ajudar a classe média", disse.
A resposta de McCain veio no mesmo tom, e o republicano acusou os democratas de terem contribuído com a "irresponsabilidade de Wall Street" que levou à crise. O senador pelo Estado do Arizona fez críticas "à ganância de Wall Street". "Os americanos estão pagando um preço elevado", disse.
Substituto de Paulson
Obama e McCain concordaram que um dos homens mais ricos do mundo, Warren Buffet, poderia ser um bom secretário do Tesouro, no lugar de Henry Paulson, que já manifestou seu desejo de abandonar o cargo quando George W. Bush deixar a Casa Branca.
"Acredito que deve ser alguém (como Buffet) com quem os americanos se identifiquem. Que possam dizer de imediato que confiam neste indivíduo", destacou McCain, que citou ainda a ex-presidente do eBay, Meg Whitman. "Gosto de Meg Whitman, ela sabe como criar empregos", destacou o senador republicano.
Obama estimou que "Warren é, de fato, uma excelente opção" e destacou que "está orgulhoso por receber seu apoio". Warren Buffet, de 78 anos - o "oráculo de Omaha" - dono de uma fortuna de 62 bilhões de dólares, declarou apoio ao senador democrata.
Disputa pela confiança
Perguntados sobre como os eleitores podem confiar em democratas ou republicanos para sair da crise, Obama apelou à situação deixada pelo governo Clinton. "Quando Bush assumiu, tínhamos superávit, e agora temos meio trilhãao de déficit anual. Tivemos os maiores aumentos em gastos deficitários em toda a história", disse Obama.
Já McCain preferiu usar seu histórico no Senado para responder à questão. "Eu lutei contra esses gastos excessivos. Lutei para reduzir e eliminar do orçamento. Ele votou por US$ 860 milhões de novos gastos, votou por todo o aumento orçamentario. Enquanto isso, lutamos para combater esses aumentos clientelistas", rebateu McCain.
Sobre o que seria prioridade no governo de cada um dos candidatos, Obama destacou questões energia, saúde e educação, nesta ordem. McCain afirmou que pretende trabalhar igualmente com saúde, energia e reforma de seguridade social no seu governo. "Pode-se trabalhar nas três ao mesmo tempo. Todas as três são questões de segurança nacional", disse.
Política externa
Sobre política externa, o candidato democrata à Casa Branca afirmou que não "entende" como os Estados Unidos invadiram o Iraque, "um país que não tinha nada a ver com os atentados de 11 de Setembro". No debate os dois candidatos discordaram sobre como abordar a situação no Iraque, Afeganistão e Paquistão.
Obama, que defende uma retirada o mais rápido possível do Iraque, em aproximadamente um ano e meio, afirmou que o conflito no país permitiu que no Afeganistão o movimento talibã e a rede terrorista Al-Qaeda "atacassem" os americanos.
Essa decisão, afirmou, foi "a decisão de McCain, foi a decisão do presidente republicano, George W. Bush". O candidato democrata disse que situação no Iraque "representou não só uma pressão sobre nossos soldados, mas também sobre nosso orçamento".
"Nunca se viu um país que perdesse poder econômico e mantivesse seu poder militar", afirmou Obama, que também especificou que o desdobramento no Iraque das forças armadas impediu enviá-las a lugares como Darfur, no Sudão, para enfrentar os massacres que acontecem nessa região.
McCain afirmou que "as nações que têm um poderio militar sólido também costumam ter um forte poder econômico". Em sua opinião, um líder deve saber "quando ir à guerra e quando não", e essa decisão só pode ser tomada "com conhecimento e experiência". O candidato republicano assegurou que, ao contrário de seu rival, trará de volta as tropas americanas no Iraque "com honra", após alcançarem o triunfo.
"Falta de experiência"
McCain, 72 anos e com décadas de experiência no Congresso dos EUA, acusou em várias ocasiões Obama, 47 anos, de não ter a experiência necessária para ocupar a Casa Branca. Os dois discordaram também sobre como atuar no Afeganistão e Paquistão e, como tinha ocorrido no primeiro debate, McCain acusou seu rival de ameaçar com os paquistaneses com incursões militares.
Obama acusou o Governo de George W. Bush de ter "apoiado e financiado durante anos um ditador (Pervez Musharraf) à frente do Paquistão, sem que a luta contra os terroristas tenha dado resultado". "Se o Governo do Paquistão não é capaz ou não quer combater os terroristas, então os EUA têm de agir", advertiu o democrata.
"Não podemos dar milhões de dólares a um ditador, que faz acordos com os talibãs. Minha maior prioridade para a segurança nacional será matar Osama Bin Laden e acabar com a Al-Qaeda", disse Obama. Já McCain acusou seu oponente de falar de uma maneira "irresponsável" sobre a possibilidade de atacar o Paquistão, quando se trata de um país do qual os Estados Unidos precisam do apoio.
Os dois também discordaram sobre como os Estados Unidos devem agir em relação à Rússia. McCain afirmou que, após a invasão da Geórgia em agosto, é preciso pressionar Moscou para "mostrar que essa atitude não é admissível". "Não quero voltar com a Guerra Fria, mas é necessário pressionar a Rússia", insistiu. Obama indicou que "a energia vai fundamental no momento de enfrentar a Rússia". "Se reduzimos os 'petrodólares' que lhes entregamos, teremos mais força para pressionar", disse o candidato democrata.
Caça a Bin Laden
O candidato democrata voltou a afirmar que atacaria o Paquistão para liqüidar Osama bin Laden. "Se tivermos Osama bin Laden em nossa mira e o governo do Paquistão for incapaz ou não estiver atento, penso que deveremos agir para eliminá-lo". "Nós vamos matar Bin Laden. Nós vamos esmagar a Al-Qaeda, a segurança nacional será nossa maior prioridade", prometeu o senador democrata.
Diante das ameaças de Obama, o senador republicano e seu adversário nas eleições, John McCain, disse que "não se anuncia" algo como isto. Lembrando o presidente americano Theodore Roosevelt, que citou como seu maior ídolo, McCain disse que um comandante-em-chefe deve "andar calmamente, falar com tranqüilidade, e carregar um grande cacete".
"O senador Obama fala muito", destacou McCain, estimando que esta estratégia do candidato democrata não vai angariar aliados no Paquistão. McCain destacou que é preciso "coordenar esforços" em torno da campanha militar no Afeganistão contra a Al-Qaeda e os talibãs, e que ninguém consegue isto ameaçando seus aliados. "Eu não vou ficar avisando sobre meus ataques, mas é o que ele (Obama) faz".
Crise com o Irã
Obama afirmou ainda que não descarta qualquer opção para evitar que o Irã obtenha armas nucleares. "Jamais deixarei a opção militar fora da mesa, e é importante não permitir o veto das Nações Unidas ou de qualquer outro" caso isto interfira nos interesses nacionais dos Estados Unidos.
Momentos antes, McCain havia acusado Obama de "querer sentar" na mesa de negociações com os iranianos "sem condições prévias". "Acredito em manter discussões diretas, e não apenas com nossos amigos, mas também com nossos inimigos, para enviar uma mensagem dura, direta", ao regime de Teerã, disse Obama.
Mudança climática
McCain e Obama afirmaram que estão dispostos a defender o meio ambiente, mas apresentaram alternativas diferentes. O republicano insistiu na necessidade de uma independência energética que permita que os Estados Unidos deixem de importar a maior parte de seu combustível. O senador pelo Arizona propôs aumentar a exploração e prospecção no território americano e estimular a pesquisa em energias alternativas.
Obama afirmou que "é necessário explorar e aumentar a produção de petróleo, mas também pensar em como usamos a energia e o que cada um de nós pode fazer para economizar em casa". O candidato democrata prometeu, entre outros compromissos, incentivos para a compra de veículos de consumo eficiente fabricados nos Estados Unidos e não no exterior.
O último duelo entre Obama e McCain acontecerá na semana que vem. No próximo dia 15 de outubro, a Universidade Hofstra, na cidade de Hempstead, Nova York, recebe o encontro dos senadores a partir das 22h (horário de Brasília). O Terra transmite o debate ao vivo.
Com agências internacionais
Redação Terra
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Reuters
Obama e McCain se cumprimentam antes do início do debate em Nashville
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