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Segunda, 6 de outubro de 2008, 12h52

Republicanos apresentarão queixa contra doações

Michael Luo

O comitê nacional do Partido Republicano pretende apresentar na segunda-feira uma queixa contra a campanha presidencial do senador Barack Obama, apontando para dúvidas quanto à legitimidade das pequenas doações recebidas e de doações vindas do exterior.

» Republicanos: Obama não filtra doações ilegais

Funcionários republicanos exigem que a Comissão Eleitoral Federal conduza uma auditoria completa das doações à campanha de Obama, ainda que pareça que nenhuma investigação deva ser conduzida, mesmo que a comissão venha a considerar que a queixa tenha mérito, antes da eleição de novembro.

A campanha de Obama vem sendo alimentada em larga medida por contribuições pessoais de baixo valor; doações de US$ 200 ou menos respondem por mais de US$ 220 milhões do total recorde de US$ 450 milhões que ele amealhou até agora.

Mas doações de valor baixo não precisam ser descritas individualmente nos relatórios à comissão eleitoral a não ser que o total doado seja superior a US$ 200 por pessoa. A falta de informações quanto a esses doadores já havia sido apontado por algumas observações de fiscalização como potencialmente problemática. Os grupos também elogiaram a direção de campanha do senador John McCain por oferecer em seu site uma ferramenta que permite busca completa quanto às identidades de todos os doadores, entre os quais aqueles que doaram menos de US$ 200.

A questão foi transformada em causa política pelos republicanos depois que um artigo no site Newsmax.com, uma organização noticiosa conservadora, alguns dias atrás, destacou algumas contribuições questionáveis recebidas por Obama que excediam em muito os US$ 4,6 mil que uma pessoa pode contribuir para a campanha de um candidato nas primárias e na eleição geral.

Entre as doações contestadas existiam milhares de dólares em doações acima do limite, cada qual no valor individual de US$ 25, feitas por alguém supostamente chamado "Good Will" boa vontade, de Austin Texas. O doador também identificou seu empregador como "Loving" e sua profissão como "You". A reportagem também mencionava outras doações aparentemente feitas sob pseudônimos.

Os dois doadores foram identificados pela comissão eleitoral em cartas de advertência enviadas à direção de campanha de Obama em agosto. A direção de campanha tinha prazo de 30 dias para responder. Mas o mais recente relatório financeiro da campanha, apresentado em setembro, demonstrava que ela não havia restituído os mais de US$ 10 mil em doações dos dois pseudônimos, ainda que representantes da campanha de Obama digam que a restituição foi feita depois da apresentação do relatório. Uma organização de campanha tem prazo de 60 dias para tomar providências quando recebe contribuições superiores ao limite.

Funcionários do Partido Republicano disseram que se a campanha de Obama havia deixado escapar contribuições individuais tão evidentemente questionáveis como essas, poderia haver muitas outras doações fraudulentas de valores inferiores a US$ 200 que não tenham sido reportadas.

"Acreditamos que existam provas claras de desrespeito substancial às normas", disse Sean Cairncross, advogado do comitê republicano, em entrevista telefônica no domingo.

O comitê também está apresentando questões sobre contribuições à campanha de Obama vindas de cidadãos estrangeiros, ainda que representantes republicanos tenham encontrado dificuldades para apresentar provas concretas quanto a isso.

A direção de campanha da senadora Hillary Clinton, porém, já havia apresentado queixa semelhante durante as primárias. A campanha de Obama apenas recentemente começou a requerer que doações vindas do exterior contivessem um número válido de passaporte norte-americano. Antes, bastava que o doador se declarasse cidadão.

"Nós revisamos constantemente as doações em busca de problemas", disse Bill Burton, porta-voz da campanha de Obama, "e embora organização alguma esteja completamente protegida contra fraudes na Internet, continuaremos a revisar nossos procedimentos de arrecadação de fundos para garantir que tomamos todas as medidas necessárias a erradicar as contribuições indevidas".

Tradução: Paulo Migliacci ME

The New York Times

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