
Atualizada às 04h34 Ao contrário das previsões feitas pela crítica norte-americana, a republicana Sarah Palin mostrou segurança ao defender as propostas do partido durante o debate entre candidatos à vice-presidência dos EUA, na noite de quinta-feira. Do outro lado, o democrata Joe Biden abusou dos ataques, que tinham como objetivo ligar Palin ao atual governo de George W. Bush e fazer a republicana escorregar em temas como economia, meio ambiente, casamento homossexual e política externa.
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Quando ambos pisaram no palco, montado na Universidade de Washington, em St. Louis, Missouri, Palin cumprimentou o adversário dizendo: "Prazer em conhecê-lo. Posso chamá-lo de Joe?". A republicana se mostrou segura e simpática, sorriu muito e citou situações do dia a dia, com apelo popular, enquanto Biden foi mais reservado.
Os dois defenderam estratégias diferentes para superar a crise na economia. Enquanto democrata declarou que aposta no fortalecimento da classe média americana, através da redução de impostos de quem recebe até US$ 250 mil por ano, Palin disse que a proposta irá elevar as taxas das pequenas empresas, o que fará com que os empregos diminuam no país.
"McCain pressionou por uma reforma fiscal no Senado, pois o governo não deu a supervisão que deveria neste setor", afirmou a republicana, que tentou mostrar Biden como um reformador.
Biden, na defesa da proposta democrata, declarou que a classe média é o motor do país e o crescimento desta parcela da sociedade faria o país inteiro prosperar. "Há duas semanas, McCain disse que a economia estava forte. Depois, mudou de idéia. Ele está fora de contato com a realidade".
Os culpados pela atual crise na economia, segundo Palin, foram os financiadores que ofereceram empréstimos com valores irreais e os gananciosos em Wall Street. "Precisamos exigir do governo, a partir de agora, um controle rígido. Nós precisamos aprender com esta crise", disse.
"Obama avisou sobre a crise há dois anos", afirmou Biden. "Não podemos abrir mão deste corte nos impostos que irá atingir 95% da população. Além disso, iremos diminuir os gastos supérfluos que o atual governo gera."
Meio Ambiente
Questionados pela mediadora, a jornalista Gwen Ifill, os dois candidatos concordaram que a atividade humana é a principal causa da mudança climática no planeta. Ambos afirmaram que o governo precisa atuar ativamente para combater os impactos no meio ambiente.
"No Alasca, sofremos mais do que qualquer outro Estado com o aquecimento global. Por isso, criei o sub-gabinete de mudança climática. Temos que limpar o planeta e encorajar outros países que façam o mesmo", disse Palin.
O democrata centrou seus argumentos nas fontes de energia utilizadas pelos EUA. "Temos apenas 3% das reservas de petróleo do mundo e utilizamos mais de 20%. Não podemos admitir dependência nessa área, inclusive de países que nem gostam da gente. Temos capacidade para exportar energia", respondeu. "A China tem as termelétricas como matriz energética, o carvão que eles queimam polui inclusive a nossa costa oeste. Podemos vender a tecnologia do carvão limpo para eles. Os republicanos só querem saber de perfurar poços de petróleo."
"Não existe carvão limpo", rebateu Palin. "No Alasca, temos bilhões de barris de petróleo prontos para a exploração. Temos de ser mais efetivos nisso."
Casamento Homossexual
Biden recuou quando perguntado sobre a postura dos democratas a respeito da união legal de homossexuais. "Temos de apoiar os casais, tanto os homossexuais como os heterossexuais", declarou.
Palin seguiu o mesmo caminho e disse que tinha "uma família e amigos diversos". Porém, disse que não irá apoiar o casamento entre "qualquer coisa que não seja homem e mulher".
Confrontado pela mediadora a esclarecer sua posição, Biden concordou com Palin. "Não apoiamos a redefinição do casamento".
Iraque
A republicana defendeu a manutenção das tropas no Iraque. "Não podemos fazer uma retirada antecipada", disse. "Seria errado deixar o Iraque agora. Precisamos vencer a guerra contra a Al-Qaeda. Para isso, mais soldados são necessários. Temos um plano."
"Não ouvi falar de plano. Obama, sim, tem um plano claro, com prazos, para a retirada do exército do Iraque. Gastamos US$ 10 bilhões por mês. Nós iremos terminar a guerra. Para McCain, não há fim planejado", atacou Biden.
"O seu plano é uma bandeira branca, nossa nação não precisa ouvir isso", apontou Palin. "Nós não temos como estabelecer prazos, pois só podemos deixar o país quando o Iraque puder governar o seu povo sozinho.
Irã e Paquistão
Estimulado a indicar qual seria o país mais perigoso para os EUA, entre Irã e Paquistão, Biden disse que os dois representavam risco ao país. Ele lembrou que o Paquistão já havia desenvolvido um míssil capaz de atingir Israel e que a situação política no Irã é muito instável.
"Apesar disso, McCain diz que a guerra está no Iraque", ironizou o democrata. "Se o ataque vier, será das montanhas do Paquistão. É lá que a Al-Qaeda se esconde. Temos de agir e fortalecer a democracia neste país".
"Pois são justamente com esses países que Obama disse que iria sentar para conversar. Isso é inocência", respondeu Palin. "Líderes que querem comprar armas nucleares para varrer Israel não podem sentar na mesa com o nosso governo."
Para a republicana, "diplomacia é um assunto sério". Ela não acha possível alinhar políticas claras com esses países.
Israel e o conflito no Oriente Médio
"Esse é um assunto que estará no alto da nossa pauta. Estamos sempre ao lado de Israel, nosso aliado. Nunca permitiremos um segundo holocausto", disse Palin, que manifestou, ainda, o desejo de construir uma embaixada americana em Jerusalém. "Essa nação busca a paz, tem um histórico nisso".
Para Biden, a política de Bush na região é completamente equivocada. "As ações apoiadas pelos EUA no Oriente Médio resultaram em mais poderes ao Hammas. Algo semelhante aconteceu no Líbano e fortaleceu o Hezbollah."
Liberdade e mudança
Ao final do debate, Palin se comprometeu em defender a liberdade dos americanos se chegar à Casa Branca, enquanto o rival previu "uma mudança fundamental" na economia e política externa do país, caso seja eleito.
Em suas últimas palavras, Palin insistiu que ela e seu companheiro de chapa, John McCain, irão defender os interesses da classe média dos EUA. Já Biden lembrou que estas são "as eleições mais importantes em toda sua vida".
Os candidatos Barack Obama e John McCain se encontram no dia 7, terça-feira, às 20h, para um novo debate presidencial. O evento será realizado na Univeridade de Belmont, em Nashville. O último confronto entre os aspirantes à Casa Branca será no dia 15, às 20h, na Universidade de Hofstra, em Hempstead.
Com agências internacionais
Redação Terra
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Reuters
Os candidatos à vice-presidência defenderam estratégias diferentes para superar a crise na economia
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