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Sábado, 27 de setembro de 2008, 01h20 Atualizada às 01h58

Analistas dos EUA não vêem vencedor em debate

Eduardo Graça
Direto de Los Angeles

Um McCain no ataque, deixando a emoção fluir mais e um Obama mais contido, procurando passar a imagem de que está pronto para assumir o governo da maior - e combalida - economia do planeta em janeiro. Comentaristas e analistas concordam que não houve um vencedor claro no primeiro debate entre os dois principais candidatos à sucessão de George W. Bush.

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Para o comentarista conservador William Bennett, da CNN, "o debate começou igual, mas McCain foi mais firme. Basta contar as vezes em que Obama disse 'John está certo' e as em que McCain disse 'Obama está errado'. McCain esteve no ataque e Obama na defesa o tempo todo".

Um dos principais editores do jornal The Washington Post, Robert G.Kaiser comandou uma discussão no site do jornal sobre o debate e tem uma visão diversa do resultado. "McCain não estava em sua melhor forma hoje. E Obama conseguiu jogar para o escanteio a idéia de que ele não conseguiria falar sobre política externa de igual para igual com o candidato republicano", escreveu.

O analista conservador Alex Castellanos concordou que "ninguém é mais sortudo do que McCain. Ele teve a oportunidade de debater sobre política externa, o tema central deste primeiro debate, no exato momento em que a economia está em frangalhos sob a direção de um governo republicano". Para ele, o resultado "foi um empate. Um ótimo empate para o McCain, que poderia ter perdido feio se o tema fosse economia".

Mas o empate, de acordo com o veterano David Gergen foi péssimo negócio para o candidato situacionista, que segue atrás nas pesquisas. "Esta era a noite em que McCain estva lidando com seu tema favorito. Ele precisava de uma vitória substancial hoje à noite para tentar se recuperar nas pesquisas, em que está atrás novamente. E ele não teve esta vitória."

Markos Zúñiga, do site liberal Daily Kos, acha que Obama teve uma vitória por pontos. "O ponto fraco de Obama é a noção de que ele não tem experiência o suficiente para ser presidente dos EUA. E esta foi a base dos ataques de McCain, que repetia, 'o senador Obama não entende, não percebe, não vê'. No entanto, Obama aproveitou o formato do debate que o permitiu falar bastante e mostrou que sabe do que fala. Ele foi extremamente efetivo", escreveu.

Jeffrey Toobin, da CNN, lembrou que, de fato, os dois mantras deste primeiro debate revelam muito sobre o tipo de presidente que cada candidato seria. "McCain dizia o tempo todo 'você não entende'. Não sei se ele passou uma idéia de professoral ou se de fato imprimiu um tom de inexperiência no candidato democrata. E Obama dizia o tempo todo 'John está certo', 'John está certo'. O tempo todo! Fico em dúvida se é uma coisa estúpida a se dizer sobre um adversário ou uma forma de mostrar que você tem a capacidade de trabalhar para além da linha partidária."

Editor-sênior da revista The New Republic, o jornalista Michael Crowley apontou, no entanto, o "academicismo" de Obama em temas que talvez requeressem mais paixão, como a guerra contra o terrorismo. "Ele me lembrou John Kerry", escreveu, referindo-se ao estilo de Obama com o do candidato democrata derrotado por George Bush em 2004. Uma comparação funesta para o candidato democrata.

John Harwood, chefe da sucursal de Washington do canal NBC concorda que "não houve um claro vencedor. Obama não respondeu diretamente às questões sobre sua falta de experiência. O único momento em que ele respondeu à altura de McCain foi quando falou da reação belicosa de McCain em relação à Coréia do Norte e ao Irã".

Pat Buchanan, o analista mais conservador do canal de televisão à cabo MSNBC, lembra que "ficará a cargo do público decidir se um gracioso Obama ou um incisivo e duro McCain, que não olhou Obama nos olhos, foi mais hábil no primeiro dos três debates".

No lado oposto do flanco, o ultra-liberal Keith Olbermann, também da MSNBC, lembrou que o grande momento de McCain foi quando ele afirmou "que o novo presidente terá de olhar para o futuro em relação ao Iraque e não para o passado", respondendo à afirmação de Obama que ele havia sido contrário à invasão do Iraque, enquanto McCain foi um fervoroso defensor da Doutrina Bush.

Obama e McCain voltam a se encontrar para o segundo debate presidencial no próximo dia 7 de outubro, terça-feira, a partir das 20h (pelo horário de Brasília) em Nashville, na Univeridade de Belmont. Antes disso, os canditos à vice-presidência, a governadora republicana Sarah Palin, e o senador democrata Joe Biden, promovem um debate na próxima quinta-feira, dia 02, às 22h de Brasília na Universidade Washington, em St. Louis.

Redação Terra

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