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Quinta, 4 de setembro de 2008, 18h45

Marido de Sarah fez parte de 3º partido no Alasca

Kate Zernike

Por volta da metade dos anos 90, o Partido da Independência do Alasca estava passando por um momento de aparente sucesso. Em 1990, a agremiação conseguiu eleger um governador, e o partido nem havia ainda chegado à sua primeira década de existência. O número de filiados não parava de aumentar.

Entre os novos recrutas da agremiação estava Todd Palin, cuja mulher, Sarah, mais tarde se tornaria governadora do Alasca. Os Palin participaram da convenção do partido em sua cidade, Wasilla, em 1994, de acordo com dirigentes da agremiação, quando o partido pediu que a votação que definiu a incorporação do Alasca aos Estados Unidos fosse repetida e houve a leitura de um anteprojeto de constituição para a República Independente do Alasca. Todd Palin se integrou ao partido.

Sarah Palin continuou a ser republicana e jamais aderiu ao Partido da Independência do Alasca, mas participou de novo de sua convenção em 2006, falando como candidata ao governo do Estado. Depois de ser eleita, ela gravou um vídeo de agradecimento exibido na convenção do partido este ano. "Boa sorte, e uma convenção bem sucedida e inspirada", ela desejou. "Continuem o seu bom trabalho, e Deus os abençoe".

Agora que ela é a candidata do Partido Republicano à vice-presidência dos Estados Unidos, e em uma chapa cujo lema é "o país acima de tudo", a interação entre o casal Palin e o Partido da Independência do Alasca atraiu atenção por conta da reputação do partido como grupo que defende a secessão.

Dirigentes do Partido da Independência do Alasca divulgaram na segunda-feira um comunicado no qual afirmavam que Sarah Palin foi membro da agremiação por dois anos, entre 1994 e 1996, informação que terminou incluída em reportagens publicadas pelo New York Times e outros veículos noticiosos. Em vídeos veiculados na Internet sobre recentes encontros do partido, alguns de seus dirigentes podem ser vistos se vangloriando da presença da governadora nos quadros do grupo, no passado.

Na terça-feira, porém, Lynette Clark, presidente do partido, informou que a declaração anterior era incorreta. Clark afirmou que havia baseado a declaração em informações que lhe foram transmitidas por outro integrante do partido, mas que uma revisão dos documentos de registro havia demonstrado apenas que Sarah Palin havia participado da convenção do partido em 1994.

Clarke acrescentou que, embora a revisão confirmasse que Todd Palin era membro da organização, não indicava que Sarah Palin tivesse um dia integrado o grupo.

Na quarta-feira, Clark divulgou um comunicado corrigido, o qual afirma,em parte que "eu tolamente repeti e aceitei como fato uma informação que me havia sido transmitida por um funcionário que controla o nosso registro de membros, há mais de um ano, na presença de meu marido Dexter Clark".

"Peço humildes desculpas à governadora Palin e à imprensa e mídia local e nacional", ela acrescentou.

Sarah Palin é membro do Partido Republicano desde 1982, de acordo com a divisão eleitoral do Estado do Alasca. Todd Palin se registrou como membro do Partido da Independência do Alasca em 1995, e se manteve como parte da agremiação pelos sete anos seguintes; em 2002, ele alterou seu registro eleitoral e se declarou independente.

A campanha de McCain descreveu o casal Palin como "americanos orgulhosos de seu país", e classificou as informações quanto à suposta adesão de Sarah palin ao partido secessionista como "difamação".

O site do Partido da Independência do Alasca, em akip.org, que porta em seu cabeçalho o lema "Alasca Primeiro ¿ Alasca Sempre", descreve os membros do partido como interessados em "uma série de soluções para os conflitos entre a autoridades federal e local", entre as quais "a defesa dos direitos dos Estados, por meio do retorno ao status de território, e incluindo a possibilidade de plena independência do Alasca como nação soberana". O partido pede que as terras detidas pelo governo federal no Estado sejam restituídas "ao povo e ao governo do Alasca¿, e defende, entre outras causas, o direito a educar filhos em casa e a privatização de serviços governamentais.

Clark objeta a que seu partido seja descrito como partidário da secessão, alegando que a causa que eles advogam são os "direitos dos Estados" e a "soberania estadual".

Clark afirma que interpreta o comparecimento de Sarah Palin à conferência do partido em 1994 como reflexo de seu interesse em conhecer uma ampla variedade de perspectivas sobre as questões estaduais. "O coração dela pertence completamente ao Alasca", afirmou, "e temos questões muito específicas no Alasca".

Jean Craciun, consultora política no Estado, disse que não parecia difícil acreditar que Sarah Palin tenha sido membro do partido da independência estadual, porque as pessoas do Alasca, de acordo com o que apontam as pesquisas de opinião pública, muitas vezes consideram que o partido quer atrair "as pessoas de mentalidade independente".

A filosofia política de Sarah Palin já foi comparada diversas vezes à de Walter Hickel, um antigo governador do Estado e secretário do Interior no governo federal do presidente Nixon, que voltou ao governo do Alasca pelo partido da independência em 1990. Hickel, um dos grandes aliados políticos de Sarah Palin, se reintegrou ao Partido Republicano em 1994.

No discurso que gravou em vídeo para a convenção do partido este ano, Sarah Palin declarou que "compartilho a visão de seu partido quanto a defender a constituição de nosso grande Estado. Meu governo continua a ter como foco a contenção da ampliação dos poderes governamentais, de modo a que a liberdade e a oportunidade individuais possam se expandir. E sei que vocês concordam com isso".

Tradução: Paulo Migliacci ME

The New York Times

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