
Atualizada às 09h32 Barack Obama aceitou nesta quinta-feira a indicação do Partido Democrata para concorrer à presidência dos Estados Unidos, com "muita gratidão e grande humildade", na abertura de seu discurso para quase 80 mil pessoas reunidas em Denver. Em um discurso se quase 50 minutos, Obama elevou o tom contra seu adversário John McCain, criticou a guerra no Iraque, cobrou a captura de Osama bin Laden e ainda prometeu defender o "sonho americano" e conseguir a autosuficiência do petróleo em 10 anos.
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O candidato democrata Barack Obama assegurou que os americanos - que enfrentam uma crise econômica - não podem realizar seus sonhos devido à "política fracassada" do governo republicano. Obama encerrou nesta quinta-feira a Convenção Democrata em Denver, que entrará para a história por ter confirmado, pela primeira vez, a candidatura de um afro-americano à presidência dos Estados Unidos.
"Com muita gratidão e uma grande humildade, eu aceito a nomeação para (concorrer) à presidência dos Estados Unidos", disse Obama para mais de 75 mil pessoas reunidas em um estádio de Denver (Colorado). Obama começou agradecendo o apoio de sua adversária nas primárias democratas, Hillary Clinton, do ex-presidente Bill Clinton e do senador Ted Kennedy.
Hillary e Bill Clinton, que bateram duro em Obama durante as primárias, fizeram apelos veementes pela união dos democratas em torno do senador negro, em seus discursos na convenção do partido. "Esse momento - essa eleição - é nossa chance de manter vivo, no século XXI, o sonho americano. Nós enfrentamos um desses momentos definidores - um momento em que nossa nação está em guerra, nossa economia está em turbulência, e o sonho americano foi ameaçado mais uma vez."
Sonho americano
"É o sonho americano que sempre fez desse país um país diferente dos outros. Se trabalharmos duro e fizermos sacrifícios, cada um de nós poderá atingir seu sonho e, além disso, unir-se à grande família americana para garantir que a próxima geração possa, por sua vez, perseguir esse sonho".
"É por isso que eu estou aqui esta noite. Porque, há 232 anos (em relação à independência dos EUA), a cada vez que esse sonho é ameaçado, homens e mulheres comuns, estudantes e soldados, agricultores e professores, enfermeiras e garis encontram a coragem de manter esse sonho vivo."
Política externa e guerra
Obama usou seu discurso para procurar afastar as críticas dos republicanos de quem um governo democrata deixaria a segurança nacional fragilizada. "Como comandante-em-chefe, nunca hesitarei em defender esta nação, mas enviarei nossas tropas para arriscar suas vidas apenas para uma missão clara e com o compromisso sagrado de lhes fornecer o equipamento de que necessitam para lutar, e o cuidado e benefícios que merecem quando voltarem para casa".
Na política externa, um dos temas mais usados pelos republicanos para criticá-lo por sua inexperiência, lembrou que se opôs desde o início à Guerra do Iraque e anunciou que acabará com a presença militar no país árabe "de maneira responsável". Obama cobrou ainda maior empenho na captura do "verdadeiro inimigo" dos EUA, Osama bin Laden, e defendeu uma caça ao líder do grupo terrorista Al-Qaeda.
Menos impostos e mais petróleo
Para Obama, uma das diferenças que separam os democratas dos republicanos é a forma de entender o progresso.
"Nós medimos o progresso pela quantidade de pessoas que têm um trabalho que lhe permite pagar a hipoteca, ou economizar para a educação de seus filhos. Nós não o medimos pelo número de multimilionários que há em nosso país ou pelo lucro de nossas corporações", apontou. Obama lembrou ainda as promessas que lançou durante sua campanha, como reduzir os impostos "de 95% da população", e não só os das grandes corporações.
Também se comprometeu em promover a energia alternativa com um investimento de US$ 150 bilhões na próxima década, para acabar com "dependência do petróleo do Oriente Médio". O candidato democrata também prometeu melhorar a educação no país, assim como o sistema de saúde, para torná-lo universal, um dos temas mais defendidos nas primárias por sua rival, a senadora Hillary Clinton.
Ataques a Bush e McCain
Obama dedicou ainda parte do discurso a ataques mais diretos ao presidente Bush e seu aliado John McCain. "Estamos aqui porque amamos muito esse país para deixar que os próximos quatro anos pareçam com os últimos oito. No dia 4 de novembro, temos de nos levantar e dizer 'oito, chega!'", em um jogo de palavras sobre o título de uma popular série de TV do início dos anos de 1980. "América, nós somos melhores do que o que aconteceu nesses últimos oito anos. Somos um país melhor do que isso", disse Obama sobre o governo de George W. Bush.
Obama lembrou que seu adversário republicano, John McCain, votou (no Congresso) com George W. Bush 90% do tempo. "O senador McCain gosta muito de falar de julgamento, mas, de fato, qual é o juízo de alguém que acha que Bush tem razão em mais de 90% das vezes? Eu não sei quanto a vocês, mas eu não estou pronto para lhe dar 10%."
"Não acho que o senador McCain queira ironizar sobre o que acontece na vida dos americanos. Penso simplesmente que ele não faz idéia. Senão, porque definiria a classe média como os que ganham menos de US$ 5 milhões por ano?", perguntou Obama. "Não é que John McCain queira ironizar. Ele simplesmente não entende", acrescentou.
Lembrando Luther King
Obama fez o maior pronunciamento de sua carreira no 45º aniversário do famoso discurso "Eu tenho um sonho", de Martin Luther King, um marco no movimento dos direitos civis dos EUA. O discurso de Obama deu o pontapé inicial na corrida de dois meses contra McCain pela vitória nas eleições de 4 de novembro.
Com agências internacionais
Redação Terra
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Reuters
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