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Quarta, 27 de agosto de 2008, 20h29 Atualizada às 21h08

Democratas apostam na economia para atrair brancos

Sindicalistas ligados ao Partido Democrata sabem que os discursos na convenção partidária desta semana não bastarão para conquistar o eleitorado branco e proletário que reluta em eleger Barack Obama o primeiro presidente negro dos EUA.

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Mas esperam conseguir isso com o boca-a-boca e com um foco maior nas questões que tocam no bolso do trabalhador. As dificuldades de Obama junto ao eleitorado branco e proletário estão sendo ofuscadas, nesta convenção, pela luta do partido em seduzir os frustrados seguidores da ex-pré-candidata Hillary Clinton.

Mas, no discurso dos sindicalistas, há mais destaque para a necessidade de superar o preconceito racial contra Obama. "Muita gente no país nunca votou num afro-americano, nem votou para presidente", disse Karen Ackerman, diretora política da central sindical AFL-CIO, a jornalistas durante a convenção.

"Mas estamos confiantes de que Barack Obama será eleito quando os eleitores da classe operária souberem quem ele é e o que defende", acrescentou.

Pesquisa divulgada nesta semana mostra que Obama tem ampla liderança entre trabalhadores negros e latinos, mas que entre os brancos o republicano John McCain lidera por 44%-43%.

Mas a pesquisa da entidade sindical Lake Research for the Change To Win apontou também um caminho para superar a divisão racial: 40% dos trabalhadores americanos dizem que a economia é sua maior preocupação neste ano eleitoral.

Brancos furiosos
"Precisamos aceitar o fato de que há alguns brancos furiosos que não vão votar em Barack Obama porque ele é um negro", disse Mike Fikes, 56 anos, sindicalista da construção civil e delegado partidário pelo Maine.

Mas há um enorme contingente que estaria disponível. Nos EUA, o proletariado não demonstra uma tendência política clara. Gravitou em torno do republicano Ronald Reagan na década de 1980, seguiu o democrata Bill Clinton nos anos 1990 e voltou ao republicano George W. Bush em 2000 e 2004.

"O desafio fundamental para nós não é toda a questão da cor da pele. É que nossa economia foi ao banheiro", disse Fikes. Robert Thompson, 54 anos, diretor de um sindicato de funcionários públicos e convencional por Ohio, diz sentir um "subtexto" racial em conversas com colegas.

"A realidade é que temos o primeiro candidato afro-americano a presidente, e não se pode minimizar essa dinâmica", disse Thompson, que é negro.

"Vai ser difícil superar. Temos de dizer a um trabalhador que a diferença entre Barack e McCain é que McCain está tentando acabar com o plano de saúde bancado pelo empregador."

A central AFL-CIO pretende gastar US$ 53 milhões para convencer 3 milhões de afiliados indecisos em Estados estratégicos, como Ohio, Michigan e Pensilvânia.

Apelar para a economia deve ser o caminho mais fácil num ano em que há ameaça de recessão, aumento do desemprego, crise no mercado imobiliário e uma disparada nos preços dos alimentos e combustíveis.

Lawrence Mishel, do esquerdista Instituto de Política Econômica, disse que a economia ainda deve piorar até novembro, o que será bom para a estratégia eleitoral democrata.

"McCain não se distanciou em nada das políticas econômicas de Bush. Não acho que os eleitores trabalhadores brancos tenham sido conscientizados disso. Conforme a economia vier à frente, pode-se esperar que Obama capture muitos dos indecisos."

Obama promete saúde acessível para todos, reduções fiscais para a classe média e renegociação de acordos comerciais para proteger os empregos dos EUA.

Reuters

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