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Domingo, 17 de agosto de 2008, 22h17 Atualizada às 00h19

Artistas aproveitam convenções para chamar a atenção

Julie Bloom

Uma escultura gigante de gelo com a palavra "Democracia" pesando mais de 400 kg que derreterá no curso de oito ou 12 horas. Mensagens públicas no YouTube de cidadãos falando sobre o que significa participar de uma eleição. A chance de pegar um microfone em um bar e repetir um discurso de Barack Obama ou John McCain como se estivesse no karaokê. Uma seleção acústica do DJ Spooky sobre as transformações na Antártida.

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Esses são alguns dos muitos projetos artísticos que serão apresentados em torno das convenções democrata e republicana, quando os olhos do mundo estarão voltados para Denver e Minneapolis, onde os dois partidos vão oficialmente nomear seus candidatos à presidência. Quando os holofotes iluminarem os palcos políticos, artistas também esperam chamar alguma atenção.

"Não queríamos acordar no dia 5 de setembro e desejar que tivéssemos feito alguma coisa," disse Steve Dietz, que concebeu a InConvenção, projeto que reúne artistas em Minneapolis para criar obras politicamente engajadas. Com o apoio dos maiores centros artísticos de Minneapolis e Saint Paul, como Walker Art Center e Intermedia Arts, e em parceira com universidades locais e grupos da comunidade, o projeto de Dietz envolve mais de cem artistas locais e nacionais com exposições, eventos e performances que começam dia 30 de agosto e vão até o final da convenção republicana, no dia 4 de setembro.

Enquanto isso, em Denver, está em andamento um esforço similar, chamado Diálogo: Cidade. Promovido pela cidade (diferente da InConvenção), o evento contará com trabalhos artísticos, peças musicais e instalações em vídeo de dez artistas, envolvendo mais de 300 pessoas da área de Denver.

"Temos literalmente 25 mil voluntários para a convenção democrata e queríamos encontrar uma forma de incluí-los no evento, já que a maioria não é delegado e não poderá entrar no espaço da convenção," disse o prefeito John Hickenlooper, que é um dos organizadores do Diálogo:Cidade.

"Como levar não apenas a convenção, mas toda a noção de democracia às pessoas?" (Os custos diretos do programa são de US$370 mil, com gastos indiretos que elevam o orçamento a uma estimativa de US$500 mil. Nenhum recurso levantado vem do orçamento da cidade.)

Muito provavelmente alguns artistas vão usar sua arte para defender causas políticas, mas o que os organizadores nas duas cidades têm pedido é que os trabalhos dialoguem com o processo de uma forma não-partidária. Dietz, por exemplo, procura se assegurar que as organizações participantes, como Walker e Intermedia Arts, se esforcem para manter princípios apartidários.

"Qualquer projeto participante da InConvenção deve ser patrocinado por uma dessas organizações principais com a consciência de que é necessário manter uma posição não-partidária," Dietz disse. Não existe um comitê formal para evitar que uma voz se sobressaia às outras, mas todo projeto é verificado por uma das organizações participantes.

Um dos projetos que enfatiza o apartidarismo é o "Eu Aprovo Esta Mensagem," que convida cidadãos de qualquer linha política a criar seu próprio vídeo no YouTube. Sarah Peters, diretora adjunta de programas públicos e interpretativos do Walker, que apóia o projeto, disse que o museu aceitou a parceria pelo comprometimento da InConvenção com o apartidarismo. "Você espera reações como protestos com pessoas nas ruas gritando palavras de ordem ou balançando mil bandeirinhas americanas," disse. "E são respostas políticas legítimas, mas existem diversas outras reações muito pouco exploradas."

O projeto do YouTube é um exemplo de como artistas estão tentando se apropriar das mesmas mídias usadas para a eleição.

"Existe toda essa atenção voltada à idéia de uma mídia participativa. A democracia é o nosso evento mais participativo, mas as próprias convenções parecem estranhar essa idéia; entre 30 e 40 mil pessoas vêm à cidade para a convenção, mas não são todos que poderão realmente participar das discussões," disse Dietz, 49 anos, que recentemente organizou um festival de arte digital em San José e já foi curador de novas mídias no Walker. Hoje ele é o diretor da Northern Lights, uma nova instituição artística financiada pela Fundação McKnight. A InConvenção é o primeiro grande projeto da organização.

Uma das formas pela qual a InConvenção tenta envolver pessoas comuns é por meio do projeto "Meu Quintal, Nossa Mensagem." Dietz o descreve como uma "plataforma bem simples na qual as pessoas podem criar sua própria mensagem no formato de uma placa de jardim, para depois submetê-la a uma votação online." O projeto já recebeu mais de 24 mil votos, tem um 'Top 50' e cerca de 300 placas já criadas. A placa vencedora será reproduzida e exibida nas vizinhanças de Minneapolis e Denver durante as convenções.

O artista de Nova York Fang Lin contribuiu com outro projeto de mídia, "Ciência Política 101", que será apresentado no Intermedia Arts a partir de 31 de agosto. A peça transforma uma das galerias em uma sala de aula tradicional com fileiras de carteiras em volta de um projetor de slides. Fang criou um programa que busca em 400 blogs políticos palavras-chave como "segurança" ou "McCain" em tempo real. O programa é capaz de coletar dados desses blogs e apresentá-los em gráficos e planilhas projetados em uma tela.

O Intermedia, que espera funcionar como um tipo de centro para novas mídias durante a convenção republicana, vai abrigar diversas instalações em suas galerias, assim como performances, muitas das quais vão permanecer em exibição até 8 de novembro.

A Universidade de Minnesota também planeja diversas exposições. Ali Momeni, professor assistente do departamento de arte, desenvolveu um projeto com seus alunos chamado "Arte sobre Rodas". Ele consiste de três triciclos com projetores de vídeo e pequenos geradores.

Durante a convenção, estudantes vão circular pela cidade e projetar imagens em grandes telas. Usando um software, os ciclistas e membros do público vão poder desenhar em edifícios em tempo real, de forma similar à tecnologia do Nintendo Wii.

Em Denver, Diálogo:Cidade, estruturado como um festival, é criação de Seth Goldenberg, 27 anos, que já geriu o centro de engajamento público da Escola de Design de Rhode Island e é hoje vice-diretor do Museu de Arte Contemporânea de Denver. Diálogo:Cidade partiu da perspectiva de que "haverá um maravilhoso e histórico discurso dentro da convenção democrata que queremos levar para o resto da cidade." Goldenberg disse.

Cada artista participante escolheu um conjunto de temas diferente. O artista performático Paul D. Miller, também conhecido como DJ Spooky, apresentará "Terra Nova: A Suíte Antártica", uma performance de 70 minutos que inclui amostras sonoras do terreno antártico junto a retratos multimídia de icebergs, mapas e outros materiais científicos e geográficos.

Lynn Herschman Leeson, uma artista de novas mídias, trará DiNa, um projeto em vídeo a que se dedica há 12 anos, que apresenta uma candidata virtual para presidente que se parece com a atriz Tilda Swinton.

Usando inteligência artificial, Hershman Leeson dá à candidata virtual a capacidade de responder e aprender por interações com o público, possibilitando que as pessoas a questionem sobre sua candidatura.

Outros projetos incluem uma obra do artista polonês Krzysztof Wodiczko, chamada "O Projeto Veículo Veterano", em que um projetor de larga escala na traseira de uma Humvee apresentará áudio e textos nas fachadas de edifícios. O texto descreve as experiências de veteranos de guerra que hoje vivem nas ruas de Denver. Outro projeto, "Círculos de O", de Ann Hamilton, se baseia em canções de ninar e nos escritos de Ralph Waldo Emerson e será apresentado por coros locais, que vão passar a canção como um bastão musical, criando um tipo de canção viajante pela cidade.

Em uma das performances mais atípicas, planejada para acontecer tanto em Denver quanto em Minneapolis (alguns trabalhos serão exibidos nas duas cidades), o artista Daniel Peltz apresenta a "Convenção Karaokê 2008", em que pessoas em bares, clubes e restaurantes da cidade serão convidadas a reproduzir discursos originais de candidatos democratas e republicanos. Embora a maior parte dos projetos em Minneapolis e em Denver seja, como os organizadores esperavam, orientada para o processo democrático, existem alguns trabalhos com temas políticos distintivos.

Sharon Hayes, artista performática cuja obra será exibida nas duas cidades, entende a convenção não apenas como uma chance para engajar cidadãos, mas também como uma maneira de artistas definirem e defenderem seu lugar na cultura americana. Ela vai encenar uma apresentação ao vivo chamada "Amor Revolucionário I: Eu Sou Seu Pior Medo, Amor Revolucionário II: Eu Sou Sua Melhor Fantasia", apresentado pela Creative Time em parceria com o Walker Art Center. A peça envolve entre 75 e 100 voluntários gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros que recitarão um texto com duração de oito a 10 minutos, escrito por Hayes sobre a relação entre política, desejo, amor e a comunidade gay.

A apresentação na convenção republicana acontece dia 1º de setembro no legislativo de Saint Paul e em Denver dia 27 de agosto. "As convenções são intensas e fazem com que os dois partidos ganhem um grande espaço na imaginação cultural," Hayes disse. "E esse é um espaço onde os artistas vivem e têm a responsabilidade de apresentar."

Tradução: Amy Traduções

The New York Times

The New York Times
O projeto InConvenção reúne artistas em Minneapolis para criar obras politicamente engajadas
O projeto InConvenção reúne artistas em Minneapolis para criar obras politicamente engajadas

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