
Atualizada às 16h10 Diante de uma multidão de cerca de 200 mil pessoas reunida diante da Coluna da Vitória, em Berlim, o virtual candidato democrata à Casa Branca, Barack Obama, pediu nesta quinta-feira a união de europeus e americanos para "derrotar o terrorismo e o extremismo que o alimenta", assim como fez a geração anterior com o comunismo.
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"Os muros entre velhos aliados de ambos os lados do Atlântico não podem continuar de pé", disse Obama, em cima de um palanque montado não muito longe de onde passava o Muro de Berlim. O senador americano falou que ele estava discursando como um cidadão, e não como o possível futuro presidente dos EUA.
Após saudar repetidamente os berlinenses, a chanceler Angela Merkel e os demais políticos alemãs com quem se reuniu, Obama lembrou que Berlim representa "o sonho (...) da liberdade", em alusão aos tempos em que um muro dividia a cidade. "Vamos reorganizar o mundo", disse em discurso de cerca de 25 minutos.
"Os muros que dividem os países não podem continuar de pé. Os muros que dividem as raças e tribos, nativos e imigrantes, cristãos, muçulmanos e judeus não podem continuar de pé", acrescentou. Segundo a AP, seu discurso foi comparado com os proferidos pelos presidentes John F. Kennedy e Ronald Reagan, também em Berlim.
"Pessoas de Berlim, pessoas do mundo inteiro, este é o nosso momento", disse Obama, no discurso considerado sem precedentes na campanha eleitoral e centro da passagem do democrata em sua viagem pelo Oriente Médio e Europa. Durante o discurso, Obama recebeu um forte aplauso da multidão reunida no Tiergarten Park, no coração de Berlim.
Afeganistão e IraqueOs aplausos foram ouvidos principalmente quando falou sobre um mundo sem armas nucleares e quando ele clamou por atitude em relação às mudanças climáticas. Obama também mencionou o Iraque e o Afeganistão, sobre o qual disse que "ninguém recebe bem uma guerra". "Mas meu país e a Alemanha querem sucesso na primeira missão da Otan fora da Europa", afirmou.
Obama disse que os EUA não contam com nenhum parceiro melhor do que a Europa e desaconselhou os aliados a voltarem-se para dentro. "Para a população do Afeganistão e para nossos interesses compartilhados na área de segurança, essa missão precisa ser cumprida. Os EUA não podem realizar isso sozinhos", disse, diante de mais de 200 mil pessoas.
O candidato ainda conclamou os dois parceiros a superarem suas diferenças a respeito da guerra no Iraque a fim de ajudar os iraquianos a reconstruírem seu país. "Sim, houve divergências entre os EUA e a Europa. Sem dúvida, haverá divergências no futuro", disse. "O maior perigo de todos é permitir que novos muros nos separem uns dos outros."
ComparaçõesOs meios de comunicação alemães compararam a visita dele à do presidente John F. Kennedy, em 1963, quando este pronunciou a famosa frase: "Ich bin ein Berliner" (eu sou berlinense). Ao contrário de Kennedy, Obama não falou nada em alemão, mas discorreu longamente a respeito dos laços históricos entre os EUA e a Alemanha.
"A queda do Muro de Berlim renovou nossas esperanças. Mas essa mesma aproximação gerou novos perigos", disse. "Nenhuma nação, independente do quão grande ou poderosa seja, conseguirá derrotar tais ameaças sozinhas." Segundo Obama, a Europa e os EUA precisam ficar lado a lado para enviar uma mensagem clara ao Irã, convencendo-o a abandonar suas ambições nucleares.
Milhares de alemães, alguns deles usando batons, camisetas com o slogan "Yes We Can" (sim, podemos) e bexigas de campanha, aplaudiram Obama durante seu discurso. Cerca de 700 policiais participaram da operação de segurança montada em torno da Coluna da Vitória, uma construção de 70 m de altura erguida para celebrar as vitórias militares da Prússia sobre a Dinamarca, a França e a Áustria.
A estadia de Obama em Berlim deu trabalho à polícia, pois apesar do senador americano não ter oficialmente o status de chefe de Estado ou governo, o dispositivo de segurança é similar. Os arredores da Coluna da Vitória foram isolados, e todas as ruas adjacentes foram bloqueadas.
Redação Terra
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Reuters
Barack Obama faz discurso diante de multidão reunida na Coluna da Vitória, no Tiergarten Park, em Berlim
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