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Domingo, 22 de junho de 2008, 11h09 Atualizada às 11h11

Revista: líderes racistas dos EUA apóiam Obama

A revista americana Esquire publicou nesta última semana uma matéria com declarações polêmicas de grupos que defendem a supremacia branca sobre o candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, Barack Obama. Em geral, as opiniões manifestam apoio ao senador de Illinois, apesar de serem radicais e às vezes preconceituosas.

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O diretor do grupo Resistência Ariana Branca, Tom Metzger, por exemplo, considera Obama um racista, mas diz não ter problemas com ele. "O Obama, de acordo com o seu livro Dreams Of My Father, é racista, mas eu não tenho nenhum problema com racistas negros. O problema é que ele está sendo desonesto sobre visões raciais", afirmou à revista.

"Eu iria respeitá-lo se ele dissesse: 'sim, eu sou um racista negro'", explicou. Para Metzger, não faz diferença de quem vai assumir o comando do país, já que quem manda são as empresas. "Eu não sou da esquerda nem da direita. Eu odeio as corporações transnacionais." No entanto, tem uma posição firme sobre McCain. "Ele quer guerra. É uma pessoa assustadora."

Erich Gliebe, chefe da Aliança Nacional, uma organização que se diz contra a integração entre as raças, também considera Obama uma pessoa racista, mas acha que ele é melhor que McCain porque ele tem "consciência racial". "Com Obama, as pessoas irão perceber que os não-brancos também podem ter orgulho de ser como são", disse.

Sobre o candidato republicano, a opinião de Gliebe é parecida com a de Metzger. "Ele quer deixar os EUA em guerra no Oriente Médio por mais 100 anos, e isso não é bom. Eu estou dando meu crédito a Obama. Ele é muito inteligente, um excelente orador e tem carisma. McCain não tem nada disso. Talvez o melhor para os brancos seja ter um presidente negro."

O chefe do Partido Nazista Americano, Rocky Suhayda, compartilha a visão sobre McCain com Gliebe e Metzger. Para ele, McCain está "quase morto" e "quer lutar uma guerra sem fim ao redor do globo para deixar o mundo mais seguro para a exploração judeu-capitalista". Sobre o virtual candidato democrata, Suhayda afirmou: "Obama é o típico negro que eu respeito".

"Ele é um homem negro que ama os seus semelhantes, pertence a uma religião nacionalista-negra e é casado com uma mulher negra. Quando uma pessoa proeminente abraça suas heranças raciais de uma maneira positiva, é bom para todas as raças", disse o admirador de Hitler. Obama, no entanto, não é unanimidade entre os grupos radicais nos EUA.

Ron Edwards, membro do Imperial Klans of America, grupo herdeiro do Ku Klux Klan, não acha que os americanos realmente queiram um presidente negro. "A maioria das pessoas está com medo de dizer no que realmente acreditam. Elas sentam à mesa e falam de uma forma, mas quando estão em publico, elas mostram outra face, emitem outra opinião", afirmou.

Admirador de armas, Edwards teme que McCain, caso venha a ser eleito, faça uma bagunça nas leis relacionadas ao setor. Mesmo assim seu voto será republicano. "Ele é contra um monte de coisas as quais eu sou a favor, Mas meu voto é republicano, e o da maioria dos meus companheiros também é", concluiu o anti-semita que diz não gostar de homossexuais.

A declaração mais surpreendente talvez seja de Yahanna, chefe do Israeli School of Universal Practical Knowledge, grupo ligado aos Hebreus Israelitas Negros (BHI, na sigla em inglês). Para ele, o dia em que Obama foi escolhido o candidato democrata foi "um dos mais tristes da história negra". Segundo as palavras dele à Esquire, "outro legado de morte para os negros está prestes a começar, assim como nos anos 1960, com Martin Luther King".

"Todo líder negro que obtém alguma forma de poder dá à raça uma falsa esperança, quando, de fato, quanto mais perto eles chegam da situação branca, mais eles se tornam um inimigo das pessoas negras. Os negros precisam sair dessa situação e se dirigir a uma mudança moral. Obama, em primeiro lugar, nem é uma pessoa negra assim como a própria raça se define."

Redação Terra

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