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Terça, 3 de junho de 2008, 13h24

Obama e Hillary travam última batalha nos EUA

Corine Lesnes

Com o final das primárias democratas, em 3 de junho, restam duas incertezas: quando Barack Obama poderá anunciar definitivamente a nomeação pelo partido? E a divisão entre seus partidários e os de Hillary Clinton poderá ser curada antes da eleição de novembro?

Nem a vitória esmagadora de Clinton em Porto Rico, por 68% a 32%, nem o compromisso decretado no sábado pelo comitê de normas do partido quanto às delegações da Flórida e Michigan modificaram o quadro geral: a desvantagem de Clinton é insuperável.

O senador por Illinois terá a chance, esta semana, de confirmar a indicação que ele vem buscando há 15 meses, cinco dos quais na batalha incessante das primárias, iniciada em Iowa em 3 de janeiro. Depois da primária de Porto Rico, faltavam a Obama apenas 50 delegados para garantir a indicação. Apenas 31 delegados eleitos estão em disputa nas duas primárias da terça, Montana e Dakota do Sul.

Portanto, Obama precisará do apoio de cerca de 30 superdelegados. Entre 150 e 190 desses dirigentes partidários e ocupantes de cargos eletivos que podem votar como preferirem na convenção ainda estão indecisos, de acordo com as estimativas. O candidato não deve enfrentar dificuldades para obter entre eles o número que lhe falta de votos.

O ex-senador Tom Daschle estima que número suficiente de superdelegados deve declarar apoio a Obama "antes do final de semana". Obama mesmo indicou, no Dakota do Sul, que é possível que chegue ao total necessário já na noite de hoje. "Caso isso aconteça, faremos o anúncio; de qualquer forma, a temporada de primárias terá acabado", disse ele.

Obama planeja passar sua última noite das primárias em Minneapolis, onde acontecerá a convenção republicana, em agosto, para demonstrar qual é seu próximo alvo. Apesar dos 38 delegados conquistados em Porto Rico, Clinton precisaria de 200 votos a mais para conquistar na nomeação. Ela teria de obter o apoio de mais de 90% dos superdelegados indecisos para disputar a presidência pelo Partido Democrata.

Em seu discurso de vitória em Porto Rico, ela apelou aos dirigentes do partido: "Quando as primárias se encerrarem, na terça-feira, nem eu, nem o senador Obama teremos o número de delegados necessários para garantir a indicação. Eu estarei à frente em termos de voto popular. Ele terá uma ligeira vantagem em número de delegados. A decisão caberá aos líderes do partido que têm direito a voto na convenção democrata. Não os invejo por terem de decidir, mas decidir é preciso".

Clinton reafirmou que ela é a melhor candidata para derrotar o republicano John McCain, em novembro. Um comercial de sua campanha afirma que "17 milhões de norte-americanos votaram em Hillary nas primárias, mais do que em qualquer outro candidato na história dos Estados Unidos". Os dirigentes da campanha de Obama contestam o número e alegam que seu candidato conquistou 17 milhões de votos (há muitas maneiras diferentes de computar os resultados).

Quanto à questão da unidade do partido, o comitê de regras mostrou, em sua reunião de sábado, a distância cada vez maior que separa os dois campos, ainda que Clinton e Obama venham evitando ataques pessoais. A reunião tinha por objetivo resolver a disputa sobre as delegações da Flórida e do Michigan à convenção do partido. Os dois Estados estavam inicialmente excluídos da convenção de Denver por terem realizado suas primárias fora da data definida pelo partido.

A reunião teve um tom passional. Em nome da democracia, o comitê concedeu meio voto a cada delegado da Flórida. Pelo mesmo princípio, adotou uma fórmula arbitrária para o caso do Michigan, onde o nome de Obama nem constava da cédula, na primária. Por isso, lhe foi atribuído um número de delegados baseados em seus resultados nas pesquisas de opinião no Estado - 59 delegados.

Elaine Kamarck, uma das integrantes do comitê, falou em "caos". Ela disse que permitir que delegações excluídas da convenção por decisão do partido agora sejam recebidas, com base em fórmulas e pesquisas, abre um precedente perigoso. O partido escolheu um modo de distribuição "completamente irracional", alegou o senador Carl Levin, ele mesmo proponente do método que resultou na alocação de delegados usada para o Michigan.

Sempre apelando pela unidade, os membros da comissão foram acusados de desrespeitar os direitos civis ou de repetir a confusão acontecida na Flórida na eleição de 2000, como se estivesse em jogo menos o respeito aos regulamentos do partido do que a necessidade de reparar uma nova injustiça histórica cujo objetivo seria privar as minorias de seu direito ao voto.

Furioso com a decisão sobre o Michigan, Harold Ickes, o defensor da causa de Clinton na reunião, denunciou o "seqüestro" de delegados, que representava "um mau augúrio para a unidade do partido". Ele anunciou que a senadora "se reservava o direito" de conquistar a decisão. A sala irrompeu em gritos de "Denver!", "Denver!", de parte dos partidários de Clinton, dezenas dos quais passaram o dia diante do local da reunião com cartazes nos quais pediam ¿contem os votos!".

Em Porto Rico, a candidata afirmou que ainda não havia decidido quanto a um possível recurso. O argumento central que ela usou foi lembrar o partido do exemplo de 1972, quando Hubert Humphrey venceu no voto popular mas não em número de delegados. George MvGovern foi o candidato, e terminou arrasado por Richard Nixon na eleição presidencial de novembro.

Tradução: Paulo Migliacci ME

Le Monde

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