
Brian Knowlton
John Edwards, um influente líder do Partido Democrata e pré-candidato à indicação presidencial que abandonou a disputa alguns meses atrás, acautelou domingo que a senadora Hillary Clinton "precisa tomar muito cuidado para que não prejudique nossas chances" ao persistir na disputa agora que o senador Barack Obama parece ter vencido.
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Com a corrida eleitoral rapidamente tomando a forma de um duelo entre Obama e o senador John McCain, o candidato presuntivo do Partido Republicano, aliados de McCain fizeram fortes ataques a Obama no domingo. Mitt Romney, derrotado por McCain na disputa pela indicação republicana e agora seu aliado, disse que Obama "está claramente despreparado" para a presidência.
Os dois partidos estão em confronto depois que Obama declarou que McCain havia "perdido o rumo" ao sugerir que o grupo militante palestino Hamas favorecia a candidatura Obama.
Embora Edwards, da Carolina do Norte, não tenha declarado apoio a qualquer dos dois candidatos de seu partido, ele deixou claro que não via grande chance de que Clinton conseguisse reverter a situação e chegar à vitória. "Não se pode mais defender a candidatura dela, em termos matemáticos", ele afirmou, em referência aos totais de delegados que cada vez mais favorecem Obama. "A matemática é muito, muito desfavorável a ela".
Alguns outros líderes democratas, como George McGovern, candidato presidencial do partido em 1972, também acautelaram que Clinton deveria repensar sua campanha. A direção da campanha de Obama anunciou no sábado que o candidato agora supera Clinton também no importante quesito dos superdelegados - os ocupantes de cargos eletivos e líderes partidário que têm direito de voto e devem exercer papel decisivo na convenção.
David Axelrod, o diretor de estratégia da campanha Obama, previu no domingo que a longa disputa pela indicação democrata se encerraria em breve. Em referência aos superdelegados, ele disse à rede de TV Fox News que "as pessoas a partir de agora tomarão decisões rapidamente". Mas Howard Wolfson, importante assessor de Clinton, rebateu de maneira combativa ao alegar que, se Obama deseja que Clinton abandone a disputa, o caminho é simples: "Basta derrotá-la. Derrotá-la na Virgínia Ocidental. Derrotá-la em Porto Rico. Derrotá-la em Kentucky".
Clinton é a favorita nessas três disputas. Obama leva vantagem nas outras três - Oregon, Montana e Dakota do Sul. McCain e seus aliados já estão em campanha aberta contra Obama. O senador Joe Lieberman, do Connecticut, sem partido, declarou seu apoio a McCain e atacou Obama por reagir de maneira que ele definiu como "imerecida e um tanto destemperada" depois de McCain ter repetido diversas vezes que um porta-voz do Hamas havia declarado que a organização preferia a vitória de Obama.
"O fato de que um porta-voz do Hamas tenha dito que a organização preferiria a vitória de Obama realmente nos leva a perguntar por que", disse Lieberman, afirmando que o Hamas não passa de uma fachada para o Irã. McCain declarou que "acho que esteja bem claro quem o Hamas deseja como próximo presidente dos Estados Unidos", em referência a Obama, e acrescentou que "imagino que as pessoas compreendam que, para o Hamas, eu seria o pior pesadelo".
Romney, agora visto como possível companheiro de chapa de McCain, criticou Obama de maneira acentuada por sua promessa de que, caso eleito, iniciaria preparativos para negociar com o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad. O ex-governador do Massachusetts já havia declarado anteriormente que "Obama nada realizou em sua vida".
Em entrevista à rede de notícias CNN, Obama classificou as declarações de McCain como ofensivas. Ele se definiu como ¿aliado incontestável" de Israel e disse que sua política com relação ao Hamas - a de que a organização representa um movimento terrorista, tal qual o governo dos Estados Unidos a classifica- não diferia da adotada por McCain.
"Que ele lance comentários como esse é sinal de que perdeu o rumo", disse Obama. Quando esse trecho da entrevista foi exibido, assessores de McCain declararam que se tratava de uma crítica mal disfarçada à idade do candidato republicano. Os assessores de Obama negam que tenha sido essa a intenção. Obama falou respeitosamente sobre Clinton, declarando que a candidatura dela havia sido "extraordinária", e previu que ela venceria na Virgínia Ocidental "por larga margem".
Com Obama liderando a contagem em número de delegados eleitos nas primárias e convenções estaduais - e com a projeção de que as disputas restantes serão divididas entre os dois -, a única esperança que resta a Clinton seria a de que o comitê de normas do Partido Democrata decida favoravelmente sobre o seu apelo de incluir na convenção democrata os delegados eleitos nas primárias da Flórida e Michigan.
Uma reunião quanto a esse tema acontecerá em 31 de maio. As delegações da Flórida e do Michigan foram excluídas da convenção democrata porque os dois Estados realizaram suas primárias antes da data preferida pelo partido. Os candidatos haviam assumido o compromisso de não fazer campanha nos dois Estados, e o cumpriram. (O nome de Obama nem mesmo constava da cédula, no Michigan.) Clinton saiu vitoriosa nas duas disputas realizadas à revelia do partido.
Tradução: Paulo Migliacci ME
Herald Tribune
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