Eleições no EUA

› Notícias › Mundo › Eleições no EUA

Eleições no EUA

Segunda, 12 de maio de 2008, 12h28

Líder democrata diz que Hillary deveria sair disputa

Brian Knowlton

John Edwards, um influente líder do Partido Democrata e pré-candidato à indicação presidencial que abandonou a disputa alguns meses atrás, acautelou domingo que a senadora Hillary Clinton "precisa tomar muito cuidado para que não prejudique nossas chances" ao persistir na disputa agora que o senador Barack Obama parece ter vencido.

» Veja os resultados das primárias

Com a corrida eleitoral rapidamente tomando a forma de um duelo entre Obama e o senador John McCain, o candidato presuntivo do Partido Republicano, aliados de McCain fizeram fortes ataques a Obama no domingo. Mitt Romney, derrotado por McCain na disputa pela indicação republicana e agora seu aliado, disse que Obama "está claramente despreparado" para a presidência.

Os dois partidos estão em confronto depois que Obama declarou que McCain havia "perdido o rumo" ao sugerir que o grupo militante palestino Hamas favorecia a candidatura Obama.

Embora Edwards, da Carolina do Norte, não tenha declarado apoio a qualquer dos dois candidatos de seu partido, ele deixou claro que não via grande chance de que Clinton conseguisse reverter a situação e chegar à vitória. "Não se pode mais defender a candidatura dela, em termos matemáticos", ele afirmou, em referência aos totais de delegados que cada vez mais favorecem Obama. "A matemática é muito, muito desfavorável a ela".

Alguns outros líderes democratas, como George McGovern, candidato presidencial do partido em 1972, também acautelaram que Clinton deveria repensar sua campanha. A direção da campanha de Obama anunciou no sábado que o candidato agora supera Clinton também no importante quesito dos superdelegados - os ocupantes de cargos eletivos e líderes partidário que têm direito de voto e devem exercer papel decisivo na convenção.

David Axelrod, o diretor de estratégia da campanha Obama, previu no domingo que a longa disputa pela indicação democrata se encerraria em breve. Em referência aos superdelegados, ele disse à rede de TV Fox News que "as pessoas a partir de agora tomarão decisões rapidamente". Mas Howard Wolfson, importante assessor de Clinton, rebateu de maneira combativa ao alegar que, se Obama deseja que Clinton abandone a disputa, o caminho é simples: "Basta derrotá-la. Derrotá-la na Virgínia Ocidental. Derrotá-la em Porto Rico. Derrotá-la em Kentucky".

Clinton é a favorita nessas três disputas. Obama leva vantagem nas outras três - Oregon, Montana e Dakota do Sul. McCain e seus aliados já estão em campanha aberta contra Obama. O senador Joe Lieberman, do Connecticut, sem partido, declarou seu apoio a McCain e atacou Obama por reagir de maneira que ele definiu como "imerecida e um tanto destemperada" depois de McCain ter repetido diversas vezes que um porta-voz do Hamas havia declarado que a organização preferia a vitória de Obama.

"O fato de que um porta-voz do Hamas tenha dito que a organização preferiria a vitória de Obama realmente nos leva a perguntar por que", disse Lieberman, afirmando que o Hamas não passa de uma fachada para o Irã. McCain declarou que "acho que esteja bem claro quem o Hamas deseja como próximo presidente dos Estados Unidos", em referência a Obama, e acrescentou que "imagino que as pessoas compreendam que, para o Hamas, eu seria o pior pesadelo".

Romney, agora visto como possível companheiro de chapa de McCain, criticou Obama de maneira acentuada por sua promessa de que, caso eleito, iniciaria preparativos para negociar com o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad. O ex-governador do Massachusetts já havia declarado anteriormente que "Obama nada realizou em sua vida".

Em entrevista à rede de notícias CNN, Obama classificou as declarações de McCain como ofensivas. Ele se definiu como ¿aliado incontestável" de Israel e disse que sua política com relação ao Hamas - a de que a organização representa um movimento terrorista, tal qual o governo dos Estados Unidos a classifica- não diferia da adotada por McCain.

"Que ele lance comentários como esse é sinal de que perdeu o rumo", disse Obama. Quando esse trecho da entrevista foi exibido, assessores de McCain declararam que se tratava de uma crítica mal disfarçada à idade do candidato republicano. Os assessores de Obama negam que tenha sido essa a intenção. Obama falou respeitosamente sobre Clinton, declarando que a candidatura dela havia sido "extraordinária", e previu que ela venceria na Virgínia Ocidental "por larga margem".

Com Obama liderando a contagem em número de delegados eleitos nas primárias e convenções estaduais - e com a projeção de que as disputas restantes serão divididas entre os dois -, a única esperança que resta a Clinton seria a de que o comitê de normas do Partido Democrata decida favoravelmente sobre o seu apelo de incluir na convenção democrata os delegados eleitos nas primárias da Flórida e Michigan.

Uma reunião quanto a esse tema acontecerá em 31 de maio. As delegações da Flórida e do Michigan foram excluídas da convenção democrata porque os dois Estados realizaram suas primárias antes da data preferida pelo partido. Os candidatos haviam assumido o compromisso de não fazer campanha nos dois Estados, e o cumpriram. (O nome de Obama nem mesmo constava da cédula, no Michigan.) Clinton saiu vitoriosa nas duas disputas realizadas à revelia do partido.

Tradução: Paulo Migliacci ME

Herald Tribune

Busque outras notícias no Terra