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Sexta, 9 de maio de 2008, 12h56

Obama adota tom conciliatório com Hillary Clinton

Corine Lesnes

O que resta a Hillary Clinton? Mesmo que ela prefira não pensar no assunto, os amigos o fazem por ela. Um exemplo é George McGovern, veterano político e aliado fiel da senadora, que ainda assim considera Barack Obama como "um novo Lincoln". Aos 85 anos, McGovern é o protótipo dos candidatos democratas idealistas, o homem que entusiasmou as multidões na campanha de 1972 mas terminou derrotado por Nixon, o que traumatizou o Partido Democrata quanto a campanhas baseadas em ideais.

Depois do desempenho decepcionante de Clinton nas primárias democratas da Carolina do Norte e de Indiana, McGovern apelou na quarta-feira que ela abandonasse a disputa. "A matemática é desfavorável", ele disse. "Quanto antes ela desistir, melhor". A equipe de Obama exibe cautela e não exigiu que a rival abandone a disputa, optando em lugar disso por exaltar sua ¿tenacidade¿. O tom conciliatório adotado por eles relançou os rumores quanto a uma possível chapa formada por Obama e Clinton para a eleição.

Mas Clinton não parece estar inclinada a considerar a idéia. Ela passou a manhã da quarta-feira na Virgínia Ocidental, animada como se a campanha tivesse começado naquele dia, e confirmou que havia voltado a emprestar dinheiro para a campanha, dessa vez US$ 6,4 milhões, o que é sinal claro de sua dedicação à campanha. "Continuarei na disputa até conquistar a indicação do partido", ela afirmou.

A campanha de Obama compreendeu que a batalha continuaria, e David Pouffe, o diretor de campanha, aproveitou o fato para tentar engordar ainda mais os cofres eleitorais de seu candidato. Foi lançado um apelo solicitando que os doadores da campanha de Obama colaborassem com mais US$ 25 cada um, para compensar o efeito do empréstimo de Clinton.

Ao mesmo tempo, Pouffe vem apresentação a situação matemática da campanha, vista do ponto de vista de Obama. Os especialistas vêm trabalhando no complicado algoritmo que traduz o voto popular em número de delegados, além de estarem calculando como devem votar os chamados superdelegados. Os resultados são sempre os mesmos, para todos os veículos de mídia que estão envolvidos nesse tipo de cálculo. Com Indiana e a Carolina do Norte, Obama obteve mais 100 delegados, e agora só lhe faltam 180 votos (dos 478 que ainda estarão em disputa). "A não ser em caso de intervenção divina, as primárias estão definidas", assegura o jornalista Tim Russert.

Clinton foi à sede do partido na quarta-feira para conversar com os superdelegados indecisos. Se tomarmos por base o Congresso, dos 283 democratas com direito a voto na convenção cerca de um terço apóia cada candidato, e o terço restante está indeciso, quer por amizade a ambos ou por temerem represálias caso votem de forma a contrariar as preferências dos eleitores em seus distritos. Muitos deles estão esperando que a senadora por Nova York facilite suas vidas com uma desistência.

Apesar de todos os apelos, apenas quatro superdelegados adicionais declararam seus votos na quarta-feira, três deles para Obama. Se os inimigos de Clinton prevêem cenários pessimistas sob os quais ela arrastaria a disputa à convenção e racharia o partido, outros prevêem uma saída amistosa. "Ela precisa de tempo. É a implosão de tudo a que aspirou", resume o comentarista Mark Shields.

Uma possibilidade é que o campo de Obama propunha ajuda a Clinton para saldar as dívidas de campanha e venha a lhe oferecer o estratégico papel de chefe da bancada democrata no Senado, posto que permitiria que ela participasse da campanha de novembro e, caso Obama saia derrotado pelo candidato republicano, o senador John McCain, manter em aberto as chances de disputar a presidência em 2012.

Le Monde

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