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Segunda, 5 de maio de 2008, 11h32 Atualizada às 12h00

Democratas fazem esforço final antes de primárias

Patrick Healy
Jeff Zeleny

Os senadores Hillary Clinton e Barack Obama começaram a fazer seus apelos finais aos eleitores antes das primárias da Carolina do Norte e de Indiana no domingo, e Clinton enfatizou uma mensagem completamente populista, destacando sua oposição ao imposto sobre a gasolina, enquanto Obama empregou a mesma questão como meio para retratar a oponente como oportunista.

Os dois pré-candidatos democratas à presidência usaram entrevistas em programas televisivos matutinos, no domingo, e discursos de campanha em diversos locais de Indiana, além de conversas telefônicas com repórteres e propaganda em rádio e TV, para travar um duelo quanto às preocupações econômicas dos eleitores, especialmente o alto preço da gasolina, que se tornou uma questão dominante na corrida final para as primárias da terça-feira.

Embora seu foco principal tenha sido a frustração dos consumidores norte-americanos com os preços altos da gasolina, Hillary também retomou indiretamente a acusação que já havia feito antes da primária na Pensilvânia, de que Obama era elitista e não se preocupava com os problemas econômicos dos eleitores comuns.

Em entrevista ao programa The Week, da rede de TV ABC, ela definiu oposição ao seu plano de suspensão dos impostos sobre a gasolina no verão deste ano como uma visão "de elite"; embora estivesse se referindo especificamente a economistas que criticaram sua proposta, os assessores de Clinton confirmaram que ela incluía Obama no grupo de pessoas criticadas, devido à oposição dele ao plano.

Convidada a identificar um economista que tivesse concordado com a sua idéia, em The Week, Hillary diz que não quer se alinhar aos economistas. Apesar do amor que sempre professou por dados empíricos, Clinton acrescentou que "a opinião da elite sempre apóia fazer coisas que representam verdadeira desvantagem para a vasta maioria dos norte-americanos".

Seus assessores disseram que Hillary estava recorrendo a um discurso cada vez mais populista a fim de retratar Obama como pouco sintonizado com os eleitores de classe média e da classe trabalhadora, grupos que a ajudaram a vencer na Pensilvânia e que ela deseja cortejar. Obama e sua equipe continuaram a contra-atacar no domingo, classificando a proposta de Clinton como truque eleitoral cujo objetivo seria ajudá-la a recuperar parte da desvantagem que tem com relação ao oponente em termos de voto popular, e para conquistar delegados na disputa pela nomeação.

"O plano Clinton para a gasolina não tem por objetivo ajudar as pessoas comuns a terem um verão mais barato, mas sim a ajudar a candidata a chegar à eleição", diz um panfleto da campanha de Obama que estava sendo distribuído por seus partidários em Indiana. A mensagem foi reforçada por uma pesada campanha de publicidade televisiva, que denunciava a proposta como "um falso corte de impostos".

Obama fez campanha de casa em casa e em um piquenique no norte de Indiana, uma das regiões mais disputadas do Estado, enquanto tentava ao mesmo tempo aplacar a controvérsia sobre o fato de que tenha demorado algumas semanas a romper relações com o reverendo Jeremiah Wright, depois das revelações sobre comentários explosivos do líder religioso sobre a questão racial e os Estados Unidos.

No programa Meet the Press, da rede de TV NBC, Obama disse que embora seja "justo" que os eleitores levem o assunto em conta, isso também causava "distração" quanto às questões de campanha mais importantes. Ele afirmou que havia decidido por fim denunciar abertamente Wright na terça-feira, depois que o pastor voltou a fazer declarações incendiárias.

¿O que realmente mudou foi minha sensação de que ele recuaria ante declarações anteriores", disse Obama. "Quando você está envolvido em política nacional, arrancar rapidamente o band-aid é sempre uma tentação. Mas a vida às vezes é complicada - tudo isso está acontecendo sob os refletores, e é preciso decidir rápido".

As primárias da Carolina do Norte e de Indiana se tornaram importantes testes de força política para ambos os candidatos. Obama deseja demonstrar que o caso Wright não reduziu sua popularidade, e espera que vitórias em ambos os Estados o ajudem a consolidar sua indicação. Hillary quer demonstrar que sua candidatura continua viável, e aproveitar as dificuldades que Obama vem enfrentando desde sua derrota na Filadélfia duas semanas atrás.

Os assessores de Hillary vêm retratando a primária de Indiana, em especial, como vitória obrigatória para a senadora, enquanto Obama sugeriu em dado momento que ela poderia ser o "tira-teima" na disputa pela indicação democrata, ainda que tenha atenuado sua posição no domingo. "Temos outras disputas ainda por vir", ele disse, "e tenho certeza de que a senadora Hillary não abandonará a parada antes do fim".

De certa maneira, o desempenho dos candidatos na campanha oferece um estudo em contraste, esta semana. Clinton parecia estar se tornando mais zangada a cada dia, e seu discurso político passou a ser uma história de heróis da classe operária lutando contra vilões cobiçosos e irresponsáveis: os operadores de energia (que segundo ela estão manipulando o mercado como aconteceu durante o caso Enron); a China (que espiona empresas norte-americanas e envenena os animais do país com ração contaminada); a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), à qual ela pretende processar por violação das leis antitruste; e até o governo federal (que resgatou a Bear Stearns mas se recusa a ajudar os norte-americanos comuns).

Já Obama parece estar chegando ao final da campanha com uma mensagem de paz aos eleitores que gostam de Hillary mas querem que a disputa democrata termine. "Para aqueles de vocês que estão preocupados com as divisões democratas, permitam-me dizer: estaremos unidos em novembro. Não queremos mais quatro anos de George W. Bush e é isso que John McCain está oferecendo".

Tradução: Paulo Eduardo Migliacci ME

The New York Times

Reuters
Obama toma café com membros do Labor Temple, em Evansville, Indiana
Obama toma café com membros do Labor Temple, em Evansville, Indiana

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