
Atualizada às 11h10 Katrin Bennhold
Se Renaud Bombard, presidente da editora francesa Presses de la Cité, tivesse planejado o muito celebrado discurso de Barack Obama, sobre raça e religião, ele dificilmente poderia ter encontrado data melhor.
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Na quinta-feira, dois dias depois de um discurso que alguns comentaristas vêm definindo como um dos mais poderosos na história política americana recente, a editora lançou a versão francesa de Dreams From My Father, o livro de memórias do pré-candidato democrata à presidência. O livro chegou às livrarias da Alemanha no mesmo dia, depois de ser publicado na Itália em novembro.
"A Obamania está se tornando realidade também na Europa", disse Bombard em entrevista telefônica na quinta-feira. "Todo o entusiasmo que cercou o discurso dessa semana... isso foi impressionante, e é certamente uma excelente notícia para o livro."
A febre das eleições norte-americanas toma conta da Europa, dizem editores de livros e jornais, mencionando elevação nas vendas a cada vez que se aproxima a data de uma primária importante.
A campanha da senadora Hillary Clinton para se tornar a primeira mulher presidente dominava as manchetes do lado europeu do Atlântico, no ano passado, mas o interesse despertado pela espetacular ascensão de Obama e pelas recentes oscilações nas pesquisas de opinião pública eclipsaram a ex-primeira dama em termos de cobertura jornalística e de menções nos programas televisivos de entrevistas, nas últimas semanas.
O fato de que um negro possa se tornar o candidato do Partido Democrata à presidência vem despertando a curiosidade dos europeus, em um momento no qual essa perspectiva parece ainda muito distante na maioria dos países do continente.
Dreams From My Father é um relato intensamente pessoal dos primeiros anos de vida de Obama. Filho de um imigrante do Quênia e uma mãe branca nascida no Estado do Kansas, no interior dos Estados Unidos, Obama relata no livro sua infância, sua juventude e seu despertar para a política.
A dolorosa e complexa história do relacionamento entre as raças é uma parte da história; as oportunidades que seu país veio a lhe oferecer - ele se tornou o primeiro editor negro da Harvard Law Review e o quinto senador negro na história americana - representam o outro lado.
Bombard está apostando que o livro registrará vendas elevadas. A tiragem inicial é de nove mil cópias, e ele não exclui a possibilidade de uma reimpressão, especialmente se Obama vier a garantir a indicação.
O outro livro de Obama, The Audacity of Hope, cujo foco são as crenças políticas do senador pelo Illinois, foi lançado na França com tiragem inicial de sete mil cópias em outubro do ano passado. O ganho de popularidade que Obama vem conquistando entre os europeus levou Bombard a imprimir nove mil cópias adicionais em janeiro.
"Acredito que Dreams From My Father obterá ainda mais sucesso que The Audacity of Hope, porque o que mais fascina as pessoas quanto a Obama é sua personalidade, e seu perfil incomum", diz Bombard.
Bombard não é o único empresário confiante em boas vendas com o fenômeno Obama. O jornal francês Le Figaro publicou excertos do livro no domingo. E o discurso do candidato na terça-feira recebeu ampla cobertura na mídia européia, pela qual ele foi comparado a Bill Clinton e John Kennedy.
Em diversos sites noticiosos, os artigos sobre o discurso estiveram entre os itens mais procurados. No site do International Herald Tribune, o texto do discurso se tornou o texto mais enviado por e-mail nos primeiros 90 minutos de sua publicação, e ficou em posição de destaque o dia inteiro.
A cobertura da imprensa vem sendo muito favorável. Jornais franceses e alemães de todas as tendências políticas aplaudiram o senso de equilíbrio demonstrado por Obama em seu discurso, e sua tentativa honesta de contribuir para o debate sobre a questão racial nos Estados Unidos.
"Ele teve de encarar a questão da raça - e o fez com clareza, dignidade e honestidade comoventes", escreveu o diário alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung em editorial.
A manchete do diário francês Libération, na quinta-feira, era "Barack Obama contra-ataca com sucesso sobre a questão racial".
Caso as primárias acontecessem do lado do Atlântico, disse Christine Ockrent, jornalista francesa que escreveu uma biografia de Hillary Clinton, "creio que Obama venceria".
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