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Domingo, 16 de março de 2008, 15h39 Atualizada às 20h02

Cientista: moralismo protestante derrubou Spitzer

O escândalo sexual envolvendo o governador do Estado americano de Nova York, Eliot Spitzer, denunciado na segunda-feira pelo jornal The New York Times por sua ligação com uma rede de prostituição, é mais um caso de crise política que culminou na renúncia a um cargo público.

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Para o cientista político americano David Fleischer, o fato de casos como esse terminarem numa espécie de "apedrejamento" da vida pública está ligado a elementos do protestantismo, religião seguida pela maioria dos americanos.

"O problema é da ética protestante de moralismo. É uma herança. O adultério é um tabu. Assim como foi um tabu não se eleger um presidente católico por medo que ele fosse subserviente ao Vaticano", explica Fleischer, que é professor emérito da Universidade de Brasília e professor visitante das universidades de Washington e de Nova York.

E tem sido assim ao longo de outros grandes escândalos dos EUA. Um dos mais famosos envolveu o então presidente Bill Clinton e a estagiária da Casa Branca, Monica Lewinsky. Para Fleischer, o processo de impeachment contra Clinton só não deu certo porque ele admitiu o caso e alegou que não houve sexo.

Fleischer usa como comparação o caso recente envolvendo o então presidente do Senado Renan Calheiros. Segundo o professor, a denúncia de que ele tinha um filho fora do casamento com a jornalista Monica Veloso não foi suficiente para derrubar o senador.

Apenas depois de muita pressão política e inúmeras denúncias de corrupção envolvendo compra de gado e dinheiro de lobistas é que Calheiros renunciou ao cargo.

O escândalo nas eleições
O impacto do escândalo envolvendo Spitzer nas eleições presidenciais de novembro é incerto ainda, segundo Fleischer. "Para Hillary, é um impacto grande, já que ele era uma dos pilares de sua campanha." Mas o professor acredita que o Partido Democrata trabalhou rápido para controlar a crise.

Ele dúvida que Obama possa usar o escândalo como munição para atacar Hillary. "Foi um problema que atingiu o Partido Democrata como um todo."

Mas Fleischer aposta que McCain e os republicanos deverão usar o Caso Spitzer como arma na disputa presidencial, principalmente após a convenção nacional democrata no fim de agosto que vai definir quem será o candidato do partido. Já a influência do caso nas urnas, para Fleischer, é incerta. "Acho que até novembro os americanos já terão esquecido o caso."

Redação Terra

Reuters
O ex-governador Eliot Spitzer deixa o seu apartamento ao lado da mulher, Silda, antes de ir à entrevista coletiva em que anunciou sua renúncia
O ex-governador Eliot Spitzer deixa o seu apartamento ao lado da mulher, Silda, antes de ir à entrevista coletiva em que anunciou sua renúncia

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