
Atualizada às 20h02 O escândalo sexual envolvendo o governador do Estado americano de Nova York, Eliot Spitzer, denunciado na segunda-feira pelo jornal The New York Times por sua ligação com uma rede de prostituição, é mais um caso de crise política que culminou na renúncia a um cargo público.
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Para o cientista político americano David Fleischer, o fato de casos como esse terminarem numa espécie de "apedrejamento" da vida pública está ligado a elementos do protestantismo, religião seguida pela maioria dos americanos.
"O problema é da ética protestante de moralismo. É uma herança. O adultério é um tabu. Assim como foi um tabu não se eleger um presidente católico por medo que ele fosse subserviente ao Vaticano", explica Fleischer, que é professor emérito da Universidade de Brasília e professor visitante das universidades de Washington e de Nova York.
E tem sido assim ao longo de outros grandes escândalos dos EUA. Um dos mais famosos envolveu o então presidente Bill Clinton e a estagiária da Casa Branca, Monica Lewinsky. Para Fleischer, o processo de impeachment contra Clinton só não deu certo porque ele admitiu o caso e alegou que não houve sexo.
Fleischer usa como comparação o caso recente envolvendo o então presidente do Senado Renan Calheiros. Segundo o professor, a denúncia de que ele tinha um filho fora do casamento com a jornalista Monica Veloso não foi suficiente para derrubar o senador.
Apenas depois de muita pressão política e inúmeras denúncias de corrupção envolvendo compra de gado e dinheiro de lobistas é que Calheiros renunciou ao cargo.
O escândalo nas eleições
O impacto do escândalo envolvendo Spitzer nas eleições presidenciais de novembro é incerto ainda, segundo Fleischer. "Para Hillary, é um impacto grande, já que ele era uma dos pilares de sua campanha." Mas o professor acredita que o Partido Democrata trabalhou rápido para controlar a crise.
Ele dúvida que Obama possa usar o escândalo como munição para atacar Hillary. "Foi um problema que atingiu o Partido Democrata como um todo."
Mas Fleischer aposta que McCain e os republicanos deverão usar o Caso Spitzer como arma na disputa presidencial, principalmente após a convenção nacional democrata no fim de agosto que vai definir quem será o candidato do partido. Já a influência do caso nas urnas, para Fleischer, é incerta. "Acho que até novembro os americanos já terão esquecido o caso."
Redação Terra
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Reuters
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