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Terça, 11 de março de 2008, 08h56 Atualizada às 10h18

Vínculo de governador com prostituição foi descoberto por acaso

William K. Rashbaum

O encontro que estabeleceu o envolvimento do governador de Nova York, Eliot Spitzer, com prostitutas de alto preço aconteceu no mês passado em um dos mais refinados hotéis de Washington, mas a investigação criminal que revelou o caso foi iniciada em 2007, em um edifício de escritórios anônimo localizado diante de uma loja Dunkin' Donuts em Long Island, de acordo com policiais.

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Lá, no escritório do Serviço de Receita Federal (IRS) americano em Hauppage, investigadores que estavam conduzindo uma análise de rotina sobre transações financeiras suspeitas reportadas a eles por bancos encontraram diversas movimentações incomuns de dinheiro que envolviam o governador de Nova York, de acordo com diversas fontes.

Os investigadores usualmente estudam esses relatórios, segundo as fontes. E constataram que as movimentações financeiras registradas eram incomuns: transações realizadas por um governador que parecia estar tentando ocultar a fonte, destino ou propósito de transferências financeiras no valor de milhares de dólares, informaram as fontes, que solicitaram que suas identidades não fossem reveladas.

O dinheiro foi parar em contas bancárias de empresas que pareciam servir como fachada, companhias que essencialmente não realizavam negócios reais.

As transações, segundo as fontes, indicavam a possibilidade de crimes financeiros - talvez suborno, corrupção política ou transações indevidas relacionadas ao financiamento de campanhas eleitorais. Prostituição era algo que não havia ocorrido aos investigadores, segundo as fontes.

Não demorou para que os agentes do IRS, da divisão de investigações criminais da organização, obtivessem a ajuda de agentes do Serviço Federal de Investigações (FBI) e da promotoria federal em Manhattan, cuja especialidade é a investigação de casos de corrupção política.

O inquérito, como muitas investigações desse tipo, era uma operação delicada. Porque o foco era um funcionário público de alto escalão, os promotores tinham de solicitar aprovação do secretário federal da Justiça para prosseguir. Quando a autorização foi concedida, a investigação começou a avançar.

No começo, disse um funcionário, parecia ser um caso simples de corrupção política, semelhante a outros dos investigados pela unidade do FBI, conhecida como C14, que trabalha nesse tipo de inquérito.

Mas não demorou para que os investigadores percebessem que as transações estavam sendo manipuladas para ocultar a conexão entre Spitzer e pagamentos por encontros com prostitutas, disse uma fonte.

Depois, com a ajuda de um informante confidencial, uma jovem que no passado havia trabalhado como prostituta para o Emperor's Club, o serviço de acompanhantes que Spitzer supostamente estaria utilizando, os investigadores conseguiram um mandado judicial que autorizava a escuta de celulares de alguns suspeitos de envolvimento com o serviço de acompanhantes.

As escutas, bem como os históricos bancários de contas controladas pelas empresas de fachada, revelaram um mundo de prostitutas que atendem a clientes ricos. O centro era o Emperors Club, que organizava "encontros" com mais de 50 mulheres jovens e belas em Nova York, Paris, Londres, Miami e Washington.

Mas a movimentação financeira envolvia empresas de fachada - QAT Consulting Group, QAT International e Protech Consulting - que mantinham contas bancárias para as quais os clientes transferiam o dinheiro dos pagamentos, de acordo com documentos judiciais relativos ao caso.

Uma das intermediárias que organizavam encontros, chamada Temeka Rachelle Lewis, 32, informou um cliente de que transferir por via bancária seu pagamento à QAT Consulting era seguro, porque o dinheiro "seria registrado como transação de negócios", de acordo com depoimento sobre o caso prestado a um tribunal federal.

Mas as transações se provaram nada seguras para Spitzer, o qual, segundo assessores, estava ponderando uma possível renúncia, na segunda-feira.

Na semana passada, Lewis foi uma das quatro pessoas acusadas em um tribunal federal de Manhattan pela operação de um círculo de prostituição. Os demais detidos são Mark Brener, 62 anos, o suposto chefe da operação; Cecil Suwal, 23 anos, que supostamente geria os negócios no dia-a-dia, e Tanya Hollander, 36 anos, que trabalhava em tempo parcial como intermediária.

O depoimento, revelado na quinta-feira quando os quatro foram detidos, detalha as conversações telefônicas gravadas em segredo que, de acordo com os investigadores, revelam os esforços de Spitzer para marcar um encontro com uma prostituta em Washington, em 13 de fevereiro. O depoimento também descreve o relato da jovem à intermediária sobre seu encontro com o governador, pouco depois que este foi concluído.

O depoimento não menciona o governador pelo nome, bem como não identifica qualquer dos 10 outros homens que supostamente teriam pago por sexo por meio da operação. Os clientes são identificados por números, e Spitzer, de acordo com dois investigadores, é o Cliente 9.

O suposto encontro do governador com a prostituta em 13 de fevereiro ocupa cinco das 47 páginas do depoimento, que relata meia dúzia de conversas entre o Cliente 9 e Lewis, a intermediária, nas cerca de 24 horas que precederam seu encontro com a prostituta no Mayflower Hotel.

Eles discutiram se o depósito cobriria as despesas de viagem da jovem, se o pagamento havia chegado e como ela seria admitida ao quarto de hotel que ele reservou em Washington. A intermediária o informa que o nome da acompanhante é Kristen, e o cliente responde: "Ótimo, maravilhoso", de acordo com o depoimento.

Na última conversa, ele pede que Lewis descreva "Kristen" uma vez mais. As conversas, segundo o depoimento, eram parte dos mais de cinco mil telefonemas e mensagens de texto interceptados pelas autoridades federais na investigação do caso, iniciada em outubro.

The New York Times

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