
Um político com ambições presidenciais costuma formar um comitê exploratório para testar suas chances e arrecadar fundos para uma campanha, às vezes, até dois anos antes da eleição. Depois, declara formalmente sua candidatura à indicação de seu partido e inicia campanha em Estados cruciais.
» Entenda as eleições americanas
» Veja o calendário eleitoral
Em 2008, o processo de escolha começou no dia 3 de janeiro - mais cedo do que em ocasiões anteriores - e pode acabar só em agosto. Pesquisas de opinião têm mostrado uma grande volatilidade na popularidade dos candidatos entre os membros de seus partidos na corrida pela indicação oficial.
Para determinar quais os candidatos preferidos dos dois principais partidos, Democrata e Republicano, a maioria dos Estados realiza eleições, conhecidas como primárias ou caucus. Em alguns Estados, o candidato que ganha mais votos acaba levando todo o apoio dos delegados, e em outros, ganha votos proporcionalmente ao resultado das primárias ou caucus.
Qual é a diferença entre uma primária e um cáucus?
Uma primária é como uma eleição geral, em que os eleitores votam em um candidato presidencial ou delegados que representarão esse candidato na convenção nacional. Eleições primárias como as realizadas em New Hampshire permitem a todos os eleitores registrados no Estado a votação direta em seu candidato preferido.
Existem três tipos diferentes de primárias. Em primárias fechadas, os eleitores só podem participar da escolha do partido em que forem registrados. Em primárias abertas, um eleitor pode votar na primária de qualquer partido, não importa a qual ele for registrado, mas só pode participar de uma. Mais raras, existem ainda as primárias em que os eleitores podem votar nos candidatos dos dois partidos.
O caucus, por sua vez, é uma reunião de membros locais do partido, onde eles debatem temas, avaliam os candidatos, escolhem delegados e discutem a plataforma do partido. Estas pessoas escolherão por sua vez, delegados do condado, depois do distrito, para, enfim, chegarem ao Estado. São estes últimos representantes que irão à convenção de seu partido e votarão no candidato definitivo.
As regras sobre o caucus variam de Estado para Estado. Em alguns, votam apenas os filiados do partido. Em outros, votam também os cidadãos comuns. O sistema de caucus é utilizado em onze Estados americanos.
No caucus democrata de Iowa, por exemplo, os eleitores se dividem em grupos, reunindo-se em cantos diferentes de uma sala para manifestar seu apoio a diferentes candidatos e os delegados são alocados de acordo com isso. No caucus republicano do mesmo Estado, eleitores participam de uma votação secreta, e os resultados é que vão definir a alocação de delegados.
Como funciona a convenção partidária?
Os Estados enviam um certo número de delegados comprometidos em apoiar um determinado candidato à convenção nacional do partido, realizada durante o verão americano em agosto ou setembro de 2008. O número dos delegados é proporcional à população de cada Estado.
O candidato com o maior número de delegados será indicado para concorrer à presidência dos Estados Unidos por seu partido, com seu nome formalizado na convenção partidária. Os democratas terão sua convenção no Estado do Colorado de 25 a 28 de agosto. Os republicanos programaram a sua para Minneapolis para o 1º de setembro. O candidato escolhido normalmente escolhe algum dos pré-candidatos derrotados para a vaga de vice-presidente da sua chapa.
O partido normalmente já sabe quem ganhou no estágio da convenção. Neste ano, porém, pode ser que a disputa pelo lado democrata seja decidida somente no encontro, quando são contados os votos dos "superdelegados".
O que é um "superdelegado"?
É um delegado que tem voto independente, o que quer dizer que ele não precisa seguir as decisões da primária ou caucus de seu Estado. Senadores e governadores atuais ou que já passaram pelo cargo, líderes partidários, representantes do Congresso, ex-presidentes e ex-candidatos compõem esse grupo.
Dos 4.049 votos que serão contados na convenção democrata, 3.253 são de delegados e 796 de "superdelegados". Para se eleger, o pré-candidato precisa ter 2.025 votos do colégio eleitoral.
Qual é a importância de ser o primeiro a realizar consulta popular?
Neste ano, primárias e caucus começaram mais cedo do que o de costume porque os Estados entraram em uma corrida para se tornarem os primeiros a ter votações. O Estado de Iowa tradicionalmente dá início à temporada com seu caucus, seguido, uma semana depois, pelas primárias de New Hampshire. Neste ano, a disputa se tornou tão intensa que os dois Estados decidiram realizá-las no começo de janeiro para proteger a sua posição no calendário.
O pequeno Estado de New Hampshire, que tem uma população 1,3 milhão, tem grande orgulho de seu status de "primeiro da nação" - e uma lei estadual determina que sua primária seja realizada pelo menos uma semana antes da de qualquer outro Estado.
O Iowa, com 3 milhões de habitantes, tem uma lei estadual semelhante que determina que qualquer tipo de votação deve ser realizada primeiro lá e deseja manter o seu status. Os dois Estados têm um acordo, e Iowa promove um caucus, e não uma primária.
Em termos práticos, os primeiros Estados acabam recebendo maior atenção dos candidatos do que seu tamanho ou peso político normalmente garantiriam. Com isso, questões importantes para os seus eleitores ficam em maior evidência, o que em última análise pode ampliar as chances de que os problemas locais recebam mais atenção do futuro presidente.
Além disso, há vantagens econômicas nesses Estados que decorrem dos recursos extras levados pela propaganda eleitoral na televisão e de visitas freqüentes de candidatos e imprensa durante a disputa.
Outro ponto considerado é que muitas vezes candidatos se tornam praticamente imbatíveis depois de vencer um número substancial de primárias, o que torna as disputas nos Estados que as realizam por último muitas vezes irrelevantes.
Risco de punição por adiantamento de primárias
Michigan e a Flórida podem receber sanções das lideranças nacionais dos partidos porque mudaram o cronograma, realizando suas primárias em janeiro. O Comitê Nacional Democrata (DNC, na sigla em inglês) estabeleceu normas que permitem que apenas os Estados de Nevada e Carolina do Sul juntem-se a New Hampshire e Iowa no período antes de 5 de fevereiro.
Numa tentativa de restaurar a disciplina, o DNC ameaçou punir os democratas da Flórida, excluindo seus delegados da convenção nacional. Com isso, eles não teriam influência sobre o político indicado pelo partido para concorrer à Casa Branca.
A cúpula estadual do Partido Democrata entrou na Justiça contra a medida dizendo que a iniciativa levaria a uma retirada dos direitos dos 4o milhões de democratas egistrados para votar no Estado.
Em uma demonstração de apoio ao DNC, todos os oito candidatos democratas à indicação prometeram não realizar campanha em Michigan - cinco deles retiraram seus nomes da cédula eleitoral da primária no Estado.
O Comitê Nacional Republicano também ameaçou excluir da convenção nacional delegados de Estados que violaram normas partidárias ao marcarem eleições primárias antes de fevereiro. Entre eles estão New Hampshire, Flórida, Wyoming, Michigan e Carolina do Sul. Iowa e Nevada vão escapar de sanções porque realizam caucus e não primárias.
O pré-candidato Barack Obama afirmou, em debate, que seria um problema se o candidato com mais votos até a pré-convenção perdesse com a contagem dos votos dos superdelegados. Já Hillary, se perder na convenção em agosto, pode brigar na Justiça pela validade das primárias de Michigan e da Flórida, Estados onde ela venceu.
Como foram as mudanças no calendário dos útlimos anos?
Em 2004, apenas nove Estados - Iowa, New Hampshire, Delaware, Carolina do Sul, Arizona, Missouri, Dakota do Norte, Novo México e Oklahoma - realizaram votações antes de 5 de fevereiro. Estados grandes como Califórnia, Ohio e Nova York realizaram suas votações na chamada "Super Terça", então em 2 de março. Neste ano, pelo menos 22 Estados decidiram realizar sua consulta popular antes ou da "Super Terça", inclusive Califórnia, Illinois, Nova York e Nova Jersey.
Redação Terra