O principal candidato derrotado nas eleições presidenciais de 12 de junho no Irã, Mir Hossein Moussavi, afirmou nesta quarta que não reconhece a legitimidade da reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, e que seu governo, por fim, terá que enfrentar sua longa lista de erros.
Em um documento divulgado na internet, o ex-primeiro-ministro pede aos iranianos que não percam a esperança, e anuncia a formação de uma plataforma para continuar os protestos dentro da legalidade.
"Como se esperava, o Conselho de Guardiães ratificou os resultados e fechou os olhos sobre os numerosos casos de fraude", afirmou. "A partir de agora, vamos ter um governo que, do ponto de vista das relações com o povo, estará nas piores condições e a maioria, entre a qual me encontro, não reconhece sua legitimidade política", ressalta.
Neste sentido, o ex-primeiro-ministro criticou o regime por ter enfraquecido seus pilares e ter danificado a confiança dos iranianos, com um procedimento "semelhante a um golpe de Estado".
"A festa que representou a reanimação de nosso povo foi fechada com fraude, ataques a residências universitárias, com o sangue derramado e o insulto aos jovens agredidos pelas ruas", diz o texto.
O Irã foi cenário de protestos e violentas repressões desde que, no último dia 13, foi anunciada a vitória de Ahmadinejad por uma inesperada maioria absoluta. Em sua carta, Moussavi pede a seus eleitores que não percam a esperança e lhes garante que continuará lutando.
"O que nos manteve vivos como um povo milenar sempre foi a esperança, e isso é justamente o que querem nos tirar. Por isso, digo, especialmente aos jovens, que, se quiserem continuar sendo iranianos, devem manter aceso este fogo em seus corações", afirma.
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