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Egípcios elegem Mursi primeiro presidente da era pós-Mubarak

24 jun 2012
11h32
atualizado às 13h08
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Mohammed Mursi venceu as eleições presidenciais egípcias, anunciou na tarde deste sábado o Comitê Eleitoral, no Cairo. Mursi, candidato oposicionista islâmico do Partido Liberdade e Justiça, obteve 52% dos votos (aproximadamente 13,2 milhões), derrotando Ahmed Shafiq, antigo membro do governo de Hosni Mubarak, que alcançou 48% (12,3 milhões).

Mohammed Mursi, o candidato da Irmandade Muçulmana
Ahmed Shafiq, o último chefe de governo de Hosni Mubarak

O anúncio do resultado - altamente esperado após dias de incerteza e quase uma hora de discurso prévio do chefe da comissão eleitoral, Farouq Sultan - foi recebido com a explosão de comemorações e gritos de vitória de apoiadores de Mursi que tomaram a Praça Tahrir, no centro do Cairo, símbolo dos protestos que, em fevereiro de 2011, provocaram a queda de Mubarak, havia 30 décadas no poder de uma das principais nações árabes do mundo.

A vitória de Mursi dá força aos ventos de mudanças instalados no país árabe desde o início da chamada Primavera Árabe, no ano passado. Ela acompanha o resultado das eleições legislativas anteriores, marcada pela vitória dos candidatos ligados à Irmandade Muçulmana, principal organização política islâmica e apoiadora Mursi. Ela indica também a superação de dúvidas, revigoradas entre os oposicionistas, de que o pleito presidencial abriria caminho para Shafiq, cuja candidatura, que havia sido proibida, acabou sendo autorizada pela Corte do país dias antes da eleição.

Mursi, todavia, não deve encontrar caminho fácil na presidência. Mais de um ano depois da renúncia de Mubarak, a Junta Militar egípcia, que assumiu a liderança do país, ainda detém os poderes centrais do país. A Corte egípcia também decidiu, dias antes do pleito, anular a atual formação do Parlamento egípcio. Embora o Egito dê hoje um passo a mais rumo à democracia, ainda há muito a ser conquistado pelo povo e muito a ser esperado de Mursi. Os próprios números do pleito (52% e 48%) apontam um país cindido entre dois projetos políticos distintos, se não opostos.

Os dias anteriores ao anúncia haviam sido de acusações e alegações de vitórias de ambos os lados. Prevendo grande mobilização popular, os militares alocaram tropas e ambulâncias pelo Cairo, temendo que o anúncio do resultado desencadeasse protestos e confrontos similares aos que, durante os últimos meses, se repetiram no país. Até o momento, não há notícia de confronto algum.

Instantes após o resultado ser recebido com festa em Tahrir, a Irmandade Muçulmana festejou o resultado como uma chance que os outros países agora têm de ver que os egípcios têm condições de escolher seus próprios líderes. "O mundo olha agora para esta nação como um povo capaz de escolher um líder de sua própria escolha", disse Ahmed Adbdelatti em coletiva de imprensa à qual a Reuters esteve presente, na sede do grupo, no Cairo.

Fonte: Terra
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