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União Africana rejeita intervenção militar na Líbia

19 mar 2011 19h47
| atualizado em 22/3/2011 às 12h21
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A comissão designada pela União Africana (UA) para encontrar uma solução à crise na Líbia rejeitou neste sábado "qualquer intervenção militar estrangeira" no país. O presidente da Mauritânia, Mohammed Ould Abdelaziz, anunciou esta posição no começo do encontro deste sábado em Nouakchott entre os cinco chefes de Estado africanos (Mauritânia, Mali, África do Sul, Uganda e República Democrática do Congo) que fazem parte da comissão.

Abdelaziz lembrou que esta posição foi confirmada pelo comunicado da última reunião do Conselho de Paz e Segurança da UA em Adis Abeba, e assinalou que qualquer solução à crise "deve ser conformada com o compromisso com o respeito da unidade e a integridade territorial da Líbia". "De maneira responsável e eficaz, devemos tomar nota desta nova evolução e coordenar melhor nossos esforços com todos os nossos parceiros e todas as partes implicadas para chegar a uma rápida solução desta crise", considerou Abdelaziz em seu discurso.

Navios de guerra e submarinos dos Estados Unidos e Grã-Bretanha, assim como aviões franceses, começaram neste sábado a atacar sistemas antimísseis e veículos militares líbios.

Cindida entre rebeldes e forças de Kadafi, Líbia mergulha em guerra civil
Motivados pela onda de protestos que levaram à queda os longevos presidentes da Tunísia e do Egito, os líbios começaram a sair às ruas das principais cidades do país em meados de fevereiro para contestar o líder Muammar Kadafi, no comando do país desde a revolução de 1969. Entretanto, enquanto os casos tunisiano e egípcio evoluíram e se resolveram principalmente por meio protestos pacíficos, a situação da Líbia tomou contornos bem distintos, beirando uma guerra civil.

Após semanas de violentos confrontos diários em nome do controle de cidades estratégicas, a Líbia se encontrava atualmente dividida entre áreas dominadas pelas forças de Kadafi e redutos da resistência rebeldes. Mais recentemente, no entanto, os revolucionários viram seus grandes avanços a locais como Sirte e o porto petrolífero de Ras Lanuf serem minados no contra-ataque de Kadafi, que retomou áreas no centro da Líbia e se aproxima das portas de Benghazi, a capital da resistência rebelde, no leste líbio.

Essa contra-ofensiva governista mudou a postura da comunidade internacional. Até então adotando medidas mais simbólicas que efetivas, ao Conselho de Segurança da ONU aprovou em 17 de março a determinação de uma zona de exclusão aérea na Líbia. A iminência de uma interferência internacional, muitas vezes requisitada pela resistência rebelde, fez com que Kadafi anunciasse um cessar-fogo, mas confrontos persistem. Mais de mil pessoas morreram, e dezenas de milhares já fugiram do país.

EFE   
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