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Tunisianos incendeiam sede do Ministério de Turismo

25 fev 2011
17h43
atualizado às 18h25

Várias centenas de jovens tunisianos incendiaram nesta sexta-feira as instalações do Ministério de Turismo após a dissolução do protesto convocado nesta sexta-feira em Túnis para pedir "a queda do governo", segundo constatou a agência EFE.

Os manifestantes também tentaram atacar o Ministério do Interior, cuja sede - na avenida Habib Burguiba, no centro da cidade - se encontra em frente ao departamento de Turismo, mas foram impedidos pela Polícia, que empregou artefatos antidistúrbios.

Os bombeiros chegaram ao edifício do ministério do Turismo e tentam apagar o incêndio.

Enquanto isso, um contingente da tropa de choque deixou o ministério do Interior para forçar a saída das centenas de jovens que estavam concentrados no local e foi recebido por uma chuva de pedras lançadas.

Por outro lado, Ben Chaaban Ben Achen, porta-voz dos organizadores do "camping" situado na praça Casbah, onde fica o gabinete do primeiro-ministro, disse à

EFE

que os manifestantes, em sua maioria procedentes das províncias do sul da Tunísia, continuam no mesmo lugar pelo sexto dia consecutivo.

Ben Achen explicou que alguns grupos de jovens também tentaram entrar no Gabinete do primeiro-ministro, mas desistiram quando soldados do Exército fizeram disparos intimidatórios.

Atualmente, várias centenas de manifestantes, aos gritos de "Fora Ghannouchi!", em alusão ao primeiro-ministro tunisiano, Mohamed Ghannouchi, permanecem nas imediações do ministério do Interior, onde queimaram pneus enquanto as forças de segurança continuam empregando meios para dispersá-los.

No centro da cidade, várias centenas de jovens incendiaram papéis e contêineres de lixo enquanto ajudavam vários de seus companheiros que foram atingidos por bombas de fumaça.

Mundo árabe em convulsão
A onda de protestos que desbancou em poucas semanas os longevos governos da Tunísia e do Egito segue se irradiando por diversos Estados do mundo árabe. Depois da queda do tunisiano Ben Alie do egípcio Hosni Mubarak, os protestos mantêm-se quase que diariamente e começam a delinear um momento histórico para a região. Há elementos comuns em todos os conflitos: em maior ou menor medida, a insatisfação com a situação político-econômica e o clamor por liberdade e democracia; no entanto, a onda contestatória vai, aos poucos, ganhando contornos próprios em cada país e ressaltando suas diferenças políticas, culturais e sociais.

No norte da África, a Argélia vive - desde o começo do ano - protestos contra o presidente Abdelaziz Bouteflika, que ocupa o cargo desde que venceu as eleições, pela primeira vez, em 1999; mais recentemente, a população do Marrocos também aderiu aos protestos, questionando o reinado de Mohammed VI. A onda também chegou à península arábica: na Jordânia, foi rápida a erupção de protestos contra o rei Abdullah, no posto desde 1999; já ao sul da península, massas têm saído às ruas para pedir mudanças no Iêmen, presidido por Ali Abdullah Saleh desde 1978, bem como em Omã, no qual o sultão Al Said reina desde 1970.

Além destes, os protestos vêm sendo particularmente intensos em dois países. Na Líbia, país fortemente controlado pelo revolucionário líder Muammar Kadafi, a população vem entrando em sangrento confronto com as forças de segurança, já deixando um saldo de centenas de mortos. Em meio ao crescimento dos protestos na capital Trípoli e nas cidades de Benghazi e Tobruk, Kadafi foi à TV estatal no dia 22 de feveiro para xingar e ameaçar de morte os opositores que desafiam seu governo. Na península arábica, o pequeno reino do Bahrein - estratégico aliado dos Estados Unidos - vem sendo contestado pela população, que quer mudanças no governo do rei Hamad Bin Isa Al Khalifa, no poder desde 1999.

Além destes países árabes, um foco latente de tensão é a república islâmica do Irã. O país persa (não árabe, embora falante desta língua) é o protagonista contemporâneo da tensão entre Islã/Ocidente e também tem registrado protestos populares que contestam a presidência de Mahmoud Ahmadinejad, no cargo desde 2005. Enquanto isso, a Tunísia e o Egito vivem os lento e trabalhoso processo pós-revolucionário, no qual novos governos vão sendo formados para tentar dar resposta aos anseios da população.

EFE   
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