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"Todo meu povo me ama e morreria por mim", afirma Kadafi

28 fev 2011
14h52
atualizado às 23h09

"Todo o povo me adora", garantiu nesta segunda-feira o líder líbio, Muammar Khadafi, ignorando a crescente pressão, interna e externa, para que abandone o poder. "Eles me adoram. Todo o povo me adora. Todos me adoram, morreriam para me proteger", disse Khadafi em entrevista às redes de televisão ABC e BBC, e ao jornal The Times de Londres.

info infográfico kadafi líbia
info infográfico kadafi líbia
Foto: AFP

"Não há qualquer manifestação nas ruas. Ninguém está contra nós", afirmou o coronel Khadafi, há mais de 40 anos no poder. O líder líbio disse ainda que foi abandonado pelos Estados Unidos, e sugeriu que Washington tem a intenção de ocupar seu país. "Estou surpreso, porque temos uma aliança com o Ocidente para combater a Al-Qaeda, mas agora que estamos lutando contra terroristas eles nos abandonaram". "Talvez queiram ocupar a Líbia".

Kadhafi voltou a afirmar que não pode renunciar, já que oficialmente não é nem presidente nem rei. O líder líbio chamou o presidente americano, Barack Obama, de "um bom homem", mas completou que na sua opinião ele pode estar desinformado. "Os anúncios que ouvi dele devem vir de outra pessoa (...) mas os Estados Unidos não são a polícia internacional do mundo".

Perguntado sobre se recorreria a armas químicas para permanecer no poder, Khadafi afirmou que "nos livramos de tudo isto, são coisas do passado que já demos fim (...) jamais usaria tais armas contra meu próprio povo.

Líbios enfrentam repressão e desafiam Kadafi
Impulsionada pela derrocada dos presidentes da Tunísia e do Egito, a população da Líbia iniciou protestos contra o líder Muammar Kadafi, que comanda o país desde 1969. As manifestações começaram a tomar vulto no dia 17 de fevereiro, e, em poucos dias, ao menos a capital Trípoli e as cidades de Benghazi e Tobruk já haviam se tornado palco de confrontos entre manifestantes e o exército.

Os relatos vindos do país não são precisos, mas tudo leva a crer que a onda de protestos nas ruas líbias já é bem mais violenta do que as que derrubaram o tunisiano Ben Ali e o egípcio Mubarak. A população tem enfrentado uma dura repressão das forças armadas comandas por Kadafi. Há informações de que Força Aérea líbia teria bombardeado grupos de manifestantes em Trípoli. Estima-se que centenas de pessoas, entre manifestantes e policiais, tenham morrido.

Além da repressão, o governo líbio reagiu através dos pronunciamentos de Saif al-Islam , filho de Kadafi, que foi à TV acusar os protestos de um complô para dividir a Líbia, e do próprio Kadafi, que, também pela televisão, esbravejou durante mais de uma hora, xingando os contestadores de suas quatro décadas de governo centralizado e ameaçando-os de morte.

Além do clamor das ruas, a pressão política também cresce contra o coronel Kadafi. Internamente, um ministro líbio renuncioue pediu que as Forças Armadas se unissem à população. Vários embaixadores líbiostambém pediram renúncia ou, ao menos, teceram duras críticas à repressão. Além disso, o Conselho de Segurança das Nações Unidas fez reuniões emergenciais, nas quais responsabilizou Kadafi pelas mortes e indicou que a chacina na Líbia pode configurar um crime contra a humanidade.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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