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Sultão de Omã anuncia ampla reforma ministerial, anuncia TV

7 mar 2011
12h38
atualizado às 18h42

O sultão Qaboos de Omã, que enfrenta manifestações diárias, decidiu reestruturar amplamente o governo, anunciou a televisão estatal. A medida foi anunciada no momento em que manifestantes denunciam a corrupção dos ministros de Omã. Ele, que tem 70 anos e está desde 1970 no poder, possui as funções de chefe de Estado, primeiro-ministro, ministro da Defesa e das Finanças. .

O sultão afastou titulares de três das pastas mais importantes para acalmar os manifestantes que exigem o julgamento dos políticos corruptos. O primeiro foi o titular da Economia, Ahmed ben Abdel Nabi Mekki, cujo ministério também foi suprimido. O ministro do Interior, Saud ben Brahim al Busaidi, foi substituído pelo titular do Funcionalismo Público, Hamud ben Faysal ben Said al Busaidi. O do Comércio e Indústria, Makbul ben Ali ben Sultan, foi trocado por Saad ben Mohamed ben Said Al Marduf Al Saidi.

Os afastamentos se somam aos dois anunciados no sábado, que afetaram os titulares da Segurança do palácio e o de Assuntos do palácio. A medida é consequência da pressão dos manifestantes que, desde o final de fevereiro, saem às ruas, em particular na cidade portuária de Sohar (200 km ao norte da capital, Mascate), para denunciar a corrupção de alguns ministros.

Nos Emirados Árabes Unidos, o ministro das Relações Exteriores, Yussef ben Alaui, assegurou que as "mudanças começaram com esta remodelação e prosseguirão no mesmo ritmo durante os próximos anos". No entanto, a iniciativa não serviu para acalmar os manifestantes, que voltaram a sair às ruas nesta segunda em Sohar, onde pretendem passar uma nova noite (a nona consecutiva) no acampamento de barracas instalado em uma praça da cidade. "Queremos que os responsáveis sejam julgados", afirmou o organizador de manifestações Ali Habib.

O sultão anunciou ainda a criação de 50 mil empregos, ajudas aos desempregados e a criação de uma comissão para apresentar propostas visando a dar mais poder à assembleia consultiva eleita. O sultanato tem recursos petroleiros limitados, mas ocupa uma situação estratégica no Golfo, de onde procede 20% do petróleo que circula no mundo.

Líbios enfrentam repressão e desafiam Kadafi
Impulsionada pela derrocada dos presidentes da Tunísia e do Egito, a população da Líbia iniciou protestos contra o líder Muammar Kadafi, que comanda o país desde 1969. As manifestações começaram a tomar vulto no dia 17 de fevereiro, e, em poucos dias, ao menos a capital Trípoli e as cidades de Benghazi e Tobruk já haviam se tornado palco de confrontos entre manifestantes e o exército.

Os relatos vindos do país não são precisos, mas a onda de protestos nas ruas líbias já é bem mais violenta que as que derrubaram o tunisiano Ben Ali e o egípcio Mubarak. A população tem enfrentado uma dura repressão das forças armadas comandas por Kadafi. Há informações de que aeronáutica líbia teria bombardeado grupos de manifestantes em Trípoli. Estima-se que centenas de pessoas, entre manifestantes e policiais, tenham morrido. Muitas dezenas de milhares já deixaram o país.

Além da repressão, o governo líbio reagiu através dos pronunciamentos de Saif al-Islam , filho de Kadafi, que foi à TV acusar os protestos de um complô para dividir a Líbia, e do próprio Kadafi, que, também pela televisão, esbravejou durante mais de uma hora, xingando os contestadores de suas quatro décadas de governo centralizado e ameaçando-os de morte. Desde então, as aparições televisivas do líder líbio têm sido frequentes, variando de mensagens em que fala do amor da população até discursos em que promete vazar os olhos da oposição.

Não apenas o clamor das ruas, mas também a pressão política cresce contra o coronel. Internamente, um ministro líbio renunciou e pediu que as Forças Armadas se unissem à população. Vários embaixadores líbios também pediram renúncia ou, ao menos, teceram duras críticas à repressão. Além disso, o Conselho de Segurança das Nações Unidas fez reuniões emergenciais, nas quais responsabilizou Kadafi pelas mortes e indicou que a chacina na Líbia pode configurar um crime contra a humanidade. Mais recentemente, o Tribunal Penal Internacional iniciou investigações sobre as ações de Kadafi, contra quem também a Interpol emitiu um alerta internacional.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 

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