atualizado às 10h38

Síria marca eleições parlamentares para o dia 7 de maio

 

O site do Parlamento sírio divulgou nesta terça-feira que o presidente sírio, Bashar al-Assad, convocou eleições parlamentares para o próximo dia 7 de maio, informa a agência Reuters. O país enfrenta há um ano uma onda de violência provocada pela repressão aos protestos contra o regime de Assad.

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"O presidente Assad assinou um decreto que fixa as eleições da Assembleia Popular (parlamento) para 7 de maio próximo", indicou a agência de notícias estatal Sana.

Há dias a comunidade internacional tem pressionado o regime. O emissário internacional Kofi Annan, durante sua missão em Damasco no último fim de semana, cobrou do governo "propostas concretas" e o fim da violência.

As autoridades esperavam realizar estas eleições no final de 2011, com a promessa de legislativas "livres e transparentes". Estas seriam as terceiras eleições legislativas na Síria desde a chegada de Bashar al-Assad ao poder em 2000.

Nas últimas legislativas, em abril de 2007, a Frente Nacional Progressista (FNP) - coalizão liderada pelo partido Baath no poder - venceu, sem surpresas, a maioria das 250 cadeiras do Parlamento. As eleições na Síria foram denunciadas pela oposição e pela comunidade internacional como uma "farsa".

Em 15 de fevereiro, o presidente emitiu um decreto no qual anunciava a realização de um plebiscito sobre a nova Constituição, que ocorreu no dia 26 do mesmo mês. Assad também determinou que se realizassem eleições legislativas três meses depois.

A nova Carta Magna, que abre a porta ao multipartidarismo na Síria, foi aprovada com apoio de 89,4% dos cidadãos, num plebiscito que teve participação popular de 57,4%. Entre as mudanças mais significativas da nova Constituição, está a supressão do artigo que estipulava que o partido Baath, no poder desde 1963, era "o líder do Estado e da sociedade".

Damasco de Assad desafia oposição, Primavera e Ocidente
Após derrubar os governos de Tunísia e Egito e de sobreviver a uma guerra na Líbia, a Primavera Árabe vive na Síria um de seus episódios mais complexos. Foi em meados do primeiro semestre de 2011 que sírios começaram a sair às ruas para pedir reformas políticas e mesmo a renúncia do presidente Bashar al-Assad, mas, aos poucos, os protestos começaram a ser desafiados por uma repressão crescente que coloca em xeque tanto o governo de Damasco como a própria situação da oposição da Síria.

A partir junho de 2011, a situação síria, mais sinuosa e fechada que as de Tunísia e Egito, começou a ficar exposta. Crise de refugiados na Turquia e ataques às embaixadas dos EUA e França em Damasco expandiram a repercussão e o tom das críticas do Ocidente. Em agosto a situação mudou de perspectiva e, após a Turquia tomar posição, os vizinhos romperam o silêncio. A Liga Árabe, principal representação das nações árabes, manifestou-se sobre a crise e posteriormente decidiu pela suspensão da Síria do grupo, aumentando ainda mais a pressão ocidental, ancorada pela ONU.

Mas Damasco resiste. Observadores árabes foram enviados ao país para investigar o massacre de opositores, sem surtir grandes efeitos. No início de fevereiro de 2012, quando completavam-se 30 anos do massacre de Hama, as forças de Assad iniciaram uma investida contra Homs, reduto da oposição. Pouco depois, a ONU preparou um plano que negociava a saída pacífica de Assad, mas Rússia e China vetaram a resolução, frustrando qualquer chance de intervenção, que já era complicada. Uma ONG ligada à oposição estima que pelo menos 8,5 mil pessoas já tenham morrido, número superior aos 7,5 mil calculados pela ONU.

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