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Rei saudita discute situação no Egito com Obama

30 jan 2011
11h27
atualizado às 12h02

O rei Abdullah da Arábia Saudita conversou por telefone na noite de sábado (29) com o presidente americano, Barack Obama, sobre os "lamentáveis acontecimentos" no Egito, afirmando que as violações da segurança e da estabilidade do país são injustificáveis, segundo a agência oficial saudita SPA.

info infográfico distúrbio mundo árabe
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Foto: AFP

O monarca e Obama falaram sobre "o caos, os saques e os atos daqueles que aterrorizam os inocentes (...) para tentar semear a desordem com o objetivo de fazer prevalecer seus objetivos duvidosos, que as partes saudita e americana não aprovam", indicou a SPA.

"A estabilidade do Egito e a segurança de seu povo não são negociáveis, e nenhum pretexto pode justificar o fato de que se atente contra elas", insistiu o rei Abdullah, que recebeu o telefonema do presidente americano.

O presidente Obama disse "compreender o ponto de vista do rei (...), no interesse da estabilidade e da segurança da região do Oriente Médio".

Egípcios desafiam governo Mubarak
A onda de protestos dos egípcios contra o governo do presidente Hosni Mubarak, iniciados no dia 25 de janeiro, tomou nova dimensão na última sexta-feira. O governo havia tentado impedir a mobilização popular cortando o sinal da internet no país, mas a medida não surtiu efeito. No início do dia, dois mil egípcios participaram de uma oração com o líder oposicionista Mohamad ElBaradei, que acabou sendo temporariamente detido e impedido de se manifestar.

Os protestos tomaram corpo, com dezenas de milhares de manifestantes saindo às ruas das principais cidades do país - Cairo, Alexandria e Suez. Mubarak enviou tanques às ruas e anunciou um toque de recolher, o qual acabou virtualmente ignorado pela população. Os confrontos com a polícia aumentaram, e a sede do governista Partido Nacional Democrático foi incendiada.

Já na madrugada de sábado (horário local), Mubarak fez um pronunciamento à nação no qual ele disse que não renunciaria, mas que um novo governo seria formado em busca de "reformas democráticas". Defendeu a repressão da polícia aos manifestantes e disse que existe uma linha muito tênue entre a liberdade e o caos. A declaração do líder egípcio foi seguida de um pronunciamento de Barack Obama, que pediu a Mubarak que fizesse valer sua promessa de democracia.

O governo encabeçado pelo premiê Ahmed Nazif confirmou sua renúncia na manhã de sábado. Passaram a fazer parte do novo governo o premiê Ahmed Shafiq, general que até então ocupava o cargo de Ministro de Aviação Civil, e o também general Omar Suleiman, que inaugura o cargo de vice-presidente do Egito - posto inexistente no país desde o início do governo de Mubarak, em 1981.

Mubarak, à revelia da pressão popular que persiste nas cidades egípcias, não renunciou. Segundo o último balanço feito pela agência AFP junto a fontes médicas, já passam de 100 os mortos desde o início dos protestos, na última terça.



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