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Regime sírio volta a bombardear Homs após 46 mortes

8 fev 2012
06h17
atualizado às 14h42

As forças do regime sírio continuam nesta quarta-feira a bombardear o reduto opositor de Homs, no centro do país, onde ontem morreram pelo menos 46 pessoas, segundo a Comissão Geral da Revolução Síria. A organização opositora destacou que entre os falecidos na terça-feira há 18 menores de idade.

Na manhã desta quarta, o Exército ataca com artilharia os bairros de Al Jalidiya e de Al Bayada, enquanto em Al Inshaat a situação é crítica, já que as comunicações e a eletricidade não funcionam e as ruas estão ocupadas pelos tanques das Forças Armadas. Além disso, os pistoleiros do regime disparam indiscriminadamente e lançam bombas, aterrorizando os habitantes.

A Comissão ressaltou que não se sabe o que está acontecendo em alguns distritos de Homs, uma vez que estão totalmente isolados do resto da cidade. O grupo acrescentou que agentes dos serviços secretos sírios cruzaram nas últimas horas a fronteira com o Líbano para sequestrar dois cidadãos de Homs que haviam fugido ao país vizinho. A Comissão também acusou o movimento xiita libanês Hezbollah de ter colaborado com os serviços secretos sírios.

Na noite de terça-feira, o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, negou que sua organização ajude o regime sírio na repressão dos opositores e denunciou que alguns meios da imprensa "exageram e deformam os fatos".

Damasco de Assad desafia oposição, Primavera e Ocidente
Após derrubar os governos de Tunísia e Egito e de sobreviver a uma guerra na Líbia, a Primavera Árabe vive na Síria um de seus episódios mais complexos. Foi em meados do primeiro semestre de 2011 que sírios começaram a sair às ruas para pedir reformas políticas e mesmo a renúncia do presidente Bashar al-Assad, mas, aos poucos, os protestos começaram a ser desafiados por uma repressão crescente que coloca em xeque tanto o governo de Damasco como a própria situação da oposição da Síria.

A partir junho de 2011, a situação síria, mais sinuosa e fechada que as de Tunísia e Egito, começou a ficar exposta. Crise de refugiados na Turquia e ataques às embaixadas dos EUA e França em Damasco expandiram a repercussão e o tom das críticas do Ocidente. Em agosto a situação mudou de perspectiva e, após a Turquia tomar posição, os vizinhos romperam o silêncio. A Liga Árabe, principal representação das nações árabes, manifestou-se sobre a crise e posteriormente decidiu pela suspensão da Síria do grupo, aumentando ainda mais a pressão ocidental, ancorada pela ONU.

Mas Damasco resiste. Observadores árabes foram enviados ao país para investigar o massacre de opositores - já organizados e dispondo de um exército composto por desertores das forças de Assad -, sem surtir efeito. No início de fevereiro de 2012, quando completavam-se 30 anos do massacre de Hama, o as forças de Assad investiram contra Homs, reduto da oposição. Pouco depois, a ONU preparou um plano que negociava a saída pacífica de Assad, mas Rússia e China vetaram a resolução, frustrando qualquer chance de intervenção, que já era complicada. A ONU estima que pelo menos 5 mil pessoas já tenham morrido na Síria.

Imagem retirada de um vídeo publicado na internet mostra o funeral do jornalista Mazhar Tayyara, em Homs
Imagem retirada de um vídeo publicado na internet mostra o funeral do jornalista Mazhar Tayyara, em Homs
Foto: AFP
EFE   
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