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Policiais e manifestantes voltam a se enfrentar na Tunísia

27 fev 2011
11h07
atualizado às 12h03

Os violentos confrontos de rua voltaram neste domingo a tumultuar o centro de Túnis, polarizando forças policiais, que usaram gás lacrimogêneo, e manifestantes, que pedem a renúncia do governo de transição do país e do primeiro-ministro, Mohamed Ghannouchi, constatou a agência EFE.

info infográfico distúrbios mundo árabe
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Foto: AFP

Apesar da proibição imposta para a circulação de pedestres e veículos, vigente desde a noite de sábado na avenida Habib Bourguiba, milhares de pessoas foram neste domingo àquela que é considerada a principal artéria urbana da capital e às ruas adjacentes, gritando palavras de ordem contra o governo.

Os manifestantes se dividiram em dois grupos. O primeiro começou a lançar pedras contra as forças policiais, distribuídas em grande número pela avenida e apoiadas por blindados da Guarda Nacional.

Este grupo ateou fogo a pneus, latas de lixo e a uma motocicleta estacionada nas imediações.

Já o segundo grupo de manifestantes se concentrou perto da embaixada da França e instalou barricadas na rua.

As forças policiais tentaram dispersar os manifestantes com bombas de gás lacrimogêneo e tiros de advertência para o ar.

Um terceiro grupo formado por centenas de manifestantes se uniu posteriormente ao protesto na avenida Bourguiba, gritando palavras de ordem contra Ghannouchi.

Pelo menos três pessoas morreram no sábado e outras 85 ficaram feridas nos enfrentamentos na capital entre a Polícia e os manifestantes, confirmaram à agência EFE fontes do ministério de Interior tunisiano.

Mundo árabe em convulsão
A onda de protestos que desbancou em poucas semanas os longevos governos da Tunísia e do Egito segue se irradiando por diversos Estados do mundo árabe. Depois da queda do tunisiano Ben Alie do egípcio Hosni Mubarak, os protestos mantêm-se quase que diariamente e começam a delinear um momento histórico para a região. Há elementos comuns em todos os conflitos: em maior ou menor medida, a insatisfação com a situação político-econômica e o clamor por liberdade e democracia; no entanto, a onda contestatória vai, aos poucos, ganhando contornos próprios em cada país e ressaltando suas diferenças políticas, culturais e sociais.

No norte da África, a Argélia vive - desde o começo do ano - protestos contra o presidente Abdelaziz Bouteflika, que ocupa o cargo desde que venceu as eleições, pela primeira vez, em 1999; mais recentemente, a população do Marrocos também aderiu aos protestos, questionando o reinado de Mohammed VI. A onda também chegou à península arábica: na Jordânia, foi rápida a erupção de protestos contra o rei Abdullah, no posto desde 1999; já ao sul da península, massas têm saído às ruas para pedir mudanças no Iêmen, presidido por Ali Abdullah Saleh desde 1978, bem como em Omã, no qual o sultão Al Said reina desde 1970.

Além destes, os protestos vêm sendo particularmente intensos em dois países. Na Líbia, país fortemente controlado pelo revolucionário líder Muammar Kadafi, a população vem entrando em sangrento confronto com as forças de segurança, já deixando um saldo de centenas de mortos. Em meio ao crescimento dos protestos na capital Trípoli e nas cidades de Benghazi e Tobruk, Kadafi foi à TV estatal no dia 22 de feveiro para xingar e ameaçar de morte os opositores que desafiam seu governo. Na península arábica, o pequeno reino do Bahrein - estratégico aliado dos Estados Unidos - vem sendo contestado pela população, que quer mudanças no governo do rei Hamad Bin Isa Al Khalifa, no poder desde 1999.

Além destes países árabes, um foco latente de tensão é a república islâmica do Irã. O país persa (não árabe, embora falante desta língua) é o protagonista contemporâneo da tensão entre Islã/Ocidente e também tem registrado protestos populares que contestam a presidência de Mahmoud Ahmadinejad, no cargo desde 2005. Enquanto isso, a Tunísia e o Egito vivem os lento e trabalhoso processo pós-revolucionário, no qual novos governos vão sendo formados para tentar dar resposta aos anseios da população.

EFE   
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