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Países do mundo pedem fim de derramamento de sangue no Egito

29 jan 2011
16h40
atualizado às 17h59

A comunidade internacional multiplicou seus chamados para que o presidente egípcio, Hosni Mubarak, realize reformas políticas e freie a repressão das manifestações que neste sábado completaram cinco dias, apesar de o governante ter dissolvido seu governo.

O presidente americano pediu para não usar a violência contra os manifestantes e completou, depois de falar por meia hora por telefone com Mubarak na sexta-feira à noite, que os egípcios tem um legítimo direito de ter direitos universais.

"Quero ser muito claro ao chamar as autoridades egípcias a se conter de exercer qualquer violência contra manifestantes pacíficos", disse Obama.

"Disse (a Mubarak) que ele tem a responsabilidade de efetivar" suas promessas de reformas democráticas e econômicas, completou.

A União Europeia (UE) também pediu para "frear a violência para deter o derramamento de sangue" no país árabe.

O presidente da UE, Hernan Van Rompuy, pediu também "a liberação de todos os detidos (...) por motivos políticos" e o lançamento do "necessário processo de reformas".

O chefe da diplomacia britânica, William Hague, instou igualmente Mubarak a levar "urgentemente" em conta os "pedidos legítimos" dos egípcios e se disse "profundamente preocupado com o nível de violência observado nos últimos dias", que deixou em torno de cinquenta mortos.

O presidente da União Africana (UA), Jean Ping, expressou sua "preocupação" com a organização continental.

"O Egito vive uma situação preocupante, que temos que observar", disse Ping. "Depois do ocorrido em Túnis (onde uma rebelião popular derrubou este mês o presidente Ben Ali), observamos tudo o que ocorre em todas as partes e estamos preocupados", completou.

O Irã também chamou as autoridades egípcias a atender as reivindicações das ruas.

"As manifestações dos egípcios são um movimento em busca de justiça", declarou o porta-voz da chancelaria da República Islâmica do Irã, Ramin Mehmanparast.

O Irã "espera que os líderes do país escutem a voz da nação muçulmana e se submetam a suas exigências legítimas", completou.

O rei Abdullah, da Arábia Saudita, considerou, por outro lado, que os protestos representavam "ataques contra a segurança e a estabilidade" do Egito, realizados por "infiltrados" em nome da "liberdade de expressão".

O monarca ligou para Mubarak para expressar sua solidariedade, informou a agência oficial saudita SPA.

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, expressou solidariedade ao presidente egípcio.

Abbas "ligou para o presidente egípcio Hosni Mubarak e afirmou sua solidariedade com Egito e seu compromisso com a segurança e a estabilidade" desse país, indicou o gabinete do líder palestino em um comunicado.

Um alto representante israelense, que pediu o anonimato, expressou sua inquietação com uma possível derrubada do regime de Mubarak, que está no poder desde 1981.

"O mais inquietante, é o clima de incerteza que reina no país com maior influência no Oriente Médio", disse à AFP esse responsável.

O Egito é um dos dois únicos países árabes (o outro é a Jordânia) que firmaram tratados de paz com Israel, e o primeiro em ter reconhecido o Estado hebreu, em 1979.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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