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Otan ameaça Kadafi com intervenção caso ataques continuem

7 mar 2011
10h57
atualizado às 12h12
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O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Anders Fogh Rasmussen, reivindicou nesta segunda-feira à Líbia uma transição para a democracia e advertiu ao regime político de Muammar Kadafi que haverá uma reação internacional se continuar usando a violência. "Se Kadafi e suas forças militares continuarem atacando sistematicamente a população, não posso imaginar que a comunidade internacional fique somente olhando", disse Rasmussen sobre uma possível intervenção no país norte-africano, onde, em sua opinião, podem estar havendo "crimes contra a humanidade".

Ao mesmo tempo, ele deixou claro que a Aliança não tem por enquanto prevista nenhuma atuação militar e ressaltou que só intervirá se for solicitada e contar com um mandato apropriado das Nações Unidas. "A Otan não tem intenção de intervir, mas como organização de segurança nossa obrigação é fazer um planejamento prudente para qualquer eventualidade", explicou Rasmussen em entrevista coletiva. Os responsáveis militares da Aliança estão elaborando planos sobre possíveis cenários. Na semana passada, receberam a incumbência de continuar essa mobilização de maneira mais formal.

"Temos de estar prontos para agir rapidamente", mas até agora "não recebemos nenhuma indicação de que nossa ajuda seja necessária", ressaltou. Dentro desses preparativos, inclui-se a imposição de uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia, que alguns países tentam levar adiante para impedir os bombardeios da Força Aérea leal a Kadafi. Rasmussen indicou em entrevista coletiva que essa ação requer um "amplo leque de recursos militares" e lembrou que a resolução sobre a Líbia aprovada por enquanto pelo Conselho de Segurança da ONU não prevê o uso da força.

Sem querer antecipar possíveis eventos, o secretário-geral da Otan deixou claro que a comunidade internacional não permanecerá impassível se os ataques do regime de Kadafi contra a população continuarem. "Muita gente pelo mundo se verá tentada a dizer: "façamos algo para deter este massacre", afirmou. A Otan já realizou duas missões de exclusão aérea na década de 1990, uma durante a guerra da Bósnia-Herzegovina e outra no conflito do Kosovo.

Líbios enfrentam repressão e desafiam Kadafi
Impulsionada pela derrocada dos presidentes da Tunísia e do Egito, a população da Líbia iniciou protestos contra o líder Muammar Kadafi, que comanda o país desde 1969. As manifestações começaram a tomar vulto no dia 17 de fevereiro, e, em poucos dias, ao menos a capital Trípoli e as cidades de Benghazi e Tobruk já haviam se tornado palco de confrontos entre manifestantes e o exército.

Os relatos vindos do país não são precisos, mas a onda de protestos nas ruas líbias já é bem mais violenta que as que derrubaram o tunisiano Ben Ali e o egípcio Mubarak. A população tem enfrentado uma dura repressão das forças armadas comandas por Kadafi. Há informações de que aeronáutica líbia teria bombardeado grupos de manifestantes em Trípoli. Estima-se que centenas de pessoas, entre manifestantes e policiais, tenham morrido. Muitas dezenas de milhares já deixaram o país.

Além da repressão, o governo líbio reagiu através dos pronunciamentos de Saif al-Islam , filho de Kadafi, que foi à TV acusar os protestos de um complô para dividir a Líbia, e do próprio Kadafi, que, também pela televisão, esbravejou durante mais de uma hora, xingando os contestadores de suas quatro décadas de governo centralizado e ameaçando-os de morte. Desde então, as aparições televisivas do líder líbio têm sido frequentes, variando de mensagens em que fala do amor da população até discursos em que promete vazar os olhos da oposição.

Não apenas o clamor das ruas, mas também a pressão política cresce contra o coronel. Internamente, um ministro líbio renunciou e pediu que as Forças Armadas se unissem à população. Vários embaixadores líbios também pediram renúncia ou, ao menos, teceram duras críticas à repressão. Além disso, o Conselho de Segurança das Nações Unidas fez reuniões emergenciais, nas quais responsabilizou Kadafi pelas mortes e indicou que a chacina na Líbia pode configurar um crime contra a humanidade. Mais recentemente, o Tribunal Penal Internacional iniciou investigações sobre as ações de Kadafi, contra quem também a Interpol emitiu um alerta internacional.

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EFE   
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