A oposição síria pediu que a ONU vote uma resolução que obrigue o governo a cessar a repressão, após a suspensão das operações dos observadores em razão da violência que deixou cerca de quarenta mortos neste domingo. Esse pedido ocorre na véspera da abertura da cúpula do G20 no México, onde a Síria deve estar no centro dos debates do presidente americano, Barack Obama, com seus colegas russo, Vladimir Putin, e chinês, Hu Jintao, dois aliados de Damasco que bloqueiam qualquer ação contra o governo sírio na ONU.
O Conselho Nacional Sírio (CNS), principal coalizão da oposição, lançou neste domingo um apelo urgente para que Homs (centro) seja salva das atrocidades do governo, assim como outras cidades da Síria, e renovou seu pedido para que seja votada uma resolução da ONU que obrigue Damasco a cessar a repressão.
"O país está submetido a um violento ataque, principalmente Homs (...) e este governo criminoso ainda tenta cometer atrocidades", incluindo em outras cidades como Rastan (centro) e Aleppo (norte), declarou à imprensa o presidente do CNS, Abdel Basset Sayda. "A cidade (de Homs) foi deixada sem alimentos, sem energia elétrica, sem água, e sem meios de comunicação", insistiu a porta-voz do CNS, Bassma Kodmani. "Pedimos uma intervenção humanitária imediata em favor do povo sírio".
Sayda e Kodmani reiteraram o apelo lançado à ONU algumas horas antes pelo CNS, solicitando a adoção de uma resolução com base no Capítulo VII de sua Carta, para obrigar o governo a cessar a repressão e a aplicar o plano para por fim à crise do emissário Kofi Annan. Após o anúncio da suspensão da missão dos observadores da ONU na Síria, "a nova etapa deve ser uma resolução com base no Capítulo VII que autorize a utilização de todos os meios legítimos, coercitivos, o embargo às armas, assim como o uso da força, para obrigar o regime a se submeter" as suas obrigações, declarou Kodmani.
O chefe da missão da ONU na Síria, Robert Mood, anunciou no sábado a suspensão das operações de seus 300 observadores em razão da "intensificação da violência", que "limita (a) capacidade (dos observadores) de observar, verificar e registrar os fatos". Segundo um registro do Observatório sírio dos Direitos Humanos (OSDH) de quinta-feira, a violência deixou pelo menos 3.353 mortos desde 12 de abril, data de entrada em vigor oficial do cessar-fogo que os observadores deveriam supervisionar.
Homs bombardeada
O Exército sírio retomou os seus ataques contra o reduto rebelde de Homs, anunciaram militantes, denunciando a falta de comida e de água, em um domingo em que a violência deixou pelo menos 37 mortos em todo o país. "As forças governamentais mantêm há quatro, cinco dias os bombardeios a Homs, em uma tentativa de tomar o controle de vários bairros", indicou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), baseando-se em testemunhos de militantes no local.
"O bombardeio não parou e o cerco à cidade nos sufoca. Faltam comida, água e medicamentos",afirmou Abou Bilal, um militante que disse temer que as tropas cometam "um massacre" se conseguirem penetrar nos bairros cercados.
Dois civis e um rebelde foram mortos em combates ou em disparos de foguetes na cidade de Homs, segundo o OSDH, que indicou também seis civis mortos em Talbissé e em Rastan, duas cidades bombardeadas pelas forças governamentais, mas que escapam ao seu controle há meses. "Não temos mais leite para as crianças, nem água, nem eletricidade", queixa-se uma moradora, mãe de dois filhos, em um vídeo divulgado pelos militantes mostrando imagens do bairro de Jouret al-Chiyah, em Homs, devastado pelos ataques, ruas vazias e prédios incendiados.
"Não pedimos dinheiro nem armas, queremos apenas tirar nossas crianças daqui", disse ela. A maior parte dos habitantes de Rastan fugiu para localidades vizinhas, afirmou o militante Nidal al-Hakem, contatado via Skype pela AFP. Segundo ele, a maioria dos feridos está em "estado crítico" e há falta de medicamentos. "Não podemos enterrar nossos mártires no cemitério (...) Ele virou alvo das forças" do presidente Bashar al-Assad, acrescentou.
