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ONU afirma que 300 pessoas morreram nos protestos no Egito

1 fev 2011
09h18
atualizado às 11h54

A Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, afirmou nesta terça-feira dispor de informações não confirmadas de que 300 pessoas morreram nos protestos contra o governo de Hosni Mubarak no Egito, mais do que o dobro do balanço anunciado até o momento.

Navi Pillay se declarou "profundamente alarmada com o crescente número de vítimas" no Egito, país que passa por manifestações sem precedentes. Os balanços mais recentes registravam 125 mortes.

"O número de vítimas aumenta a cada dia e algumas informações não confirmadas sugerem que 300 pessoas podem ter falecido, mais de 3 mil teriam ficado feridas e centenas detidas", completou. "Peço às autoridades egípcias que se assegurem de que a polícia e as demais forças de segurança evitem escrupulosamente o uso da força".

Pillay destacou que o movimento popular no Egito acontece de "maneira corajosa e pacífica". Ela exortou as autoridades egípcias a "escutar as demandas do povo egípcio a favor das reformas fundamentais para melhorar os direitos humanos e a democracia".

Protestos convulsionam o Egito
A onda de protestos contra o presidente Hosni Mubarak, iniciados em 25 de janeiro, tomou nova dimensão no dia 29. O governo havia tentado impedir a mobilização cortando a internet, mas a medida não surtiu efeito. O líder então enviou tanques às ruas e anunciou um toque de recolher - ignorado pela população - e disse que não renunciaria. Além disso, defendeu a repressão e anunciou um novo governo, que buscaria "reformas democráticas". A declaração foi seguida de um pronunciamento de Barack Obama, que pediu a Mubarak que fizesse valer sua promessa de democracia.

O governo encabeçado pelo premiê Ahmed Nazif confirmou sua renúncia na manhã de sábado. Passaram a fazer parte do novo governo o premiê Ahmed Shafiq, general que até então ocupava o cargo de Ministro de Aviação Civil, e o também general Omar Suleiman, que inaugura o cargo de vice-presidente do Egito - posto inexistente no país desde o início do governo de Mubarak, em 1981. No domingo, o presidente egípcio se reuniu com militares e anunciou o retorno da política antimotins. A emissora Al Jazeera, que vinha cobrindo de perto os tumultos, foi impedida de funcionar.

Enquanto isso, a oposição segue se articulando em direção a um possível novo governo para o país. Em um dos momentos mais marcantes desde o início dos protestos, ElBaradei discursou na praça Tahrir e garantiu que "a mudança chegará" para o Egito. Na segunda-feira, o principal grupo opositor, os Irmãos Muçulmanos, disse que não vão dialogar com o novo governo. Depois de um domingo sem enfrentamentos, os organizadores dos protestos convocaram uma enorme mobilização para a terça, dia 1º de fevereiro.Depois Já passam de 100 os mortos desde o início dos protestos, na última terça.



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