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Multidão na Praça Tahrir reage furiosa a discurso de Mubarak

10 fev 2011
19h13
atualizado às 20h10
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Os manifestantes reunidos na Praça Tahrir, no centro do Cairo, reagiram furiosos nesta quinta-feira quando o presidente Hosni Mubarak anunciou que não deixará o poder imediatamente, e pediram que o exército se una a eles na rebelião. Demonstrando decepção e ira, centenas de manifestantes tiraram os sapatos e os agitaram em frente aos telões pelos quais assistiam ao discurso de Mubarak, um gesto que é considerado um insulto em sociedades árabes.

Após muita expectativa, egípcios foram decepcionados com o anúncio da permanência de Mubarak
Após muita expectativa, egípcios foram decepcionados com o anúncio da permanência de Mubarak
Foto: Reuters

A multidão, que havia horas abarrotava o epicentro dos protestos à espera do discurso de Mubarak, explodiu em gritos de: "Abaixo, Mubarak, saia, saia!", e "Vamos te enterrar debaixo da terra". O ar estava impregnado de agressividade na praça, e começaram a se ouvir chamados de alguns que propunham ir ao palácio presidencial e retirar Mubarak dali à força, despertando o temor de uma escalada da violência.

Outros, ainda, pediram a convocação de uma greve geral e dirigindo-se ao exército, que mobilizou grande número de tropas no entorno do local do protesto, demandaram: "Exército egípcio, o momento da escolha é agora, o regime ou o povo!".

O presidente Mubarak, que enfrenta há 17 dias uma rebelião que exige sua renúncia imediata, disse que participará de uma transição política até as eleições presidenciais de setembro, embora tenha anunciado que delegará alguns poderes ao vice-presidente Omar Suleiman, sem detalhar quais. O chefe de Estado disse, ainda, que está determinado a viver e morrer no Egito, levando desânimo àqueles que esperavam que ele se exilasse no exterior, deixando o caminho livre para as desejadas reformas democráticas.

Protestos convulsionam o Egito
Desde o último dia 25 de janeiro - data que ganhou um caráter histórico, principalmente na internet, principalmente pelo uso da hashtag #Jan25 no Twitter -, os egípcios protestam pela saída do presidente Hosni Mubarak, que está há 30 anos no poder. No dia 28 as manifestações ganharam uma nova dimensão, fazendo o governo cortar o acesso à rede e declarar toque de recolher. As medidas foram ignoradas pela população, mas Mubarak disse que não sairia. Limitou-se a dizer que buscaria "reformas democráticas" para responder aos anseios da população a partir da formação de um novo governo.

A partir do dia 29, um sábado, a nova administração foi anunciada. A medida, mais uma vez, não surtiu efeito, e os protestos continuaram. O presidente egípcio se reuniu com militares e anunciou o retorno da polícia antimotins. Enquanto isso, a oposição seguiu se organizando. O líder opositor Mohamad ElBaradei garantiu que "a mudança chegará" para o Egito. Na terça, dia 1º de fevereiro, dezenas de milhares de pessoas se reuniram na praça Tahrir para exigir a renúncia de Mubarak. A grandeza dos protestos levou o líder egípcio a anunciar que não participaria das próximas eleições, para delírio da massa reunida no centro do Cairo.

O dia seguinte, 2 de fevereiro, no entanto, foi novamente de caos. Manifestantes pró e contra Mubarak travaram uma batalha campal na praça Tahrir com pedras, paus, facas e barras de ferro. Nos dias subsequentes os conflitos cessaram e, após um período de terror para os jornalistas, uma manifestação que reuniu milhares na praça Tahrir e impasses entre o governo e oposição, a Irmandade Muçulmana começou a dialogar com o governo. Enquanto isso, começaram a aparecer sinais de que Mubarak deve permanecer no cargo durante o processo de transição.



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