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Mubarak anuncia que não disputará reeleição no Egito

1 fev 2011
19h06
atualizado às 20h04

O presidente egípcio, Hosni Mubarak, anunciou que não vai disputar a presidência novamento, mas que ficará até o fim de seu mandato para atender as exigências dos manifestantes. "Eu não planejo concorrer às próximas eleições presidenciais", disse Mubarak em um discurso aguardado com ansiedade depois do oitavo dia de manifestações por todo o país.

Essa foi a primeira mensagem de Mubarak à população desde a noite de sexta-feira, quando anunciou a remodelação do governo. A oposição havia anunciado repetidamente que não aceitaria outra saída à crise que não seja a saída do presidente - há 30 anos no poder -, a criação de um governo de transição e a convocação de eleições livres.

No seu discurso, Mubarak fez constantes referências à necessidade de manter a "estabilidade" do país. "Digo com toda sinceridade que, apesar das atuais circunstâncias, não tinha intenção de participar das próximas eleições", afirmou Mubarak. "Esgotei minha vida servindo ao Egito e ao seu povo".

Ele também disse que pedirá ao Parlamento para que mude a legislação que fixa as condições para poder se apresentar como candidato à presidência. Pelas regras atuais, por exemplo, o líder opositor Mohamed ElBaradei, vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 2005, não pode apresentar candidatura à presidência do Egito.

Mubarak também assinalou que pedirá ao Parlamento que leve adiante a análise das apelações sobre os resultados das últimas eleições legislativas, realizadas em novembro e dezembro passado, que ocorreram em meio a inúmeras denúncias de fraude.

"Minha responsabilidade principal é restaurar a segurança e a estabilidade do Egito", disse Mubarak. "Nos meses restantes de meu mandato, usarei toda minha força para preparar a transição do poder," acrescentou.

No início do pronunciamento, disse que "o Egito precisa escolher entre o caos e a estabilidade", mas depois, sinalizando que está disposto a fazer concessões, fez referências à "aspiração do povo". "Eu rezo a Deus para me guiar ao caminho correto de um modo que seja aplicável a Deus e aos cidadãos", afirmou, indicando seu futuro.

O discurso de Mubarak foi rápido e sucinto. Após iniciar o pronunciamento rememorando os acontecimentos dos últimos dias e anunciar a decisão de não disputar a eleição em setembro deste ano e assim tentar um sexto mandato, Mubarak falou sobre sua relação com o país. "Essa é a minha nação. (...) Eu defendi este solo, e morrerei neste solo do Egito, e serei julgado pela história", defendeu o presidente em um momento histórico do país.

Logo após a manifestação pública do chefe de Estado, os manifestantes oposicionistas reunidos no centro do Cairo exigiram que Mubarak deixe o poder imediatamente. Agitando bandeiras, as massas gritavam "Fora, fora", não dando sinal de deixar o local.

Protestos convulsionam o Egito
A onda de protestos contra o presidente Hosni Mubarak, iniciados em 25 de janeiro, tomou nova dimensão no dia 29. O governo havia tentado impedir a mobilização cortando a internet, mas a medida não surtiu efeito. O líder então enviou tanques às ruas e anunciou um toque de recolher - ignorado pela população - e disse que não renunciaria. Além disso, defendeu a repressão e anunciou um novo governo, que buscaria "reformas democráticas". A declaração foi seguida de um pronunciamento de Barack Obama, que pediu a Mubarak que fizesse valer sua promessa de democracia.

O governo encabeçado pelo premiê Ahmed Nazif confirmou sua renúncia na manhã de sábado. Passaram a fazer parte do novo governo o premiê Ahmed Shafiq, general que até então ocupava o cargo de Ministro de Aviação Civil, e o também general Omar Suleiman, que inaugura o cargo de vice-presidente do Egito - posto inexistente no país desde o início do governo de Mubarak, em 1981. No domingo, o presidente egípcio se reuniu com militares e anunciou o retorno da política antimotins. A emissora Al Jazeera, que vinha cobrindo de perto os tumultos, foi impedida de funcionar.

Enquanto isso, a oposição segue se articulando em direção a um possível novo governo para o país. Em um dos momentos mais marcantes desde o início dos protestos, ElBaradei discursou na praça Tahrir e garantiu que "a mudança chegará" para o Egito. Na segunda-feira, o principal grupo opositor, os Irmãos Muçulmanos, disse que não vão dialogar com o novo governo. Depois de um domingo sem enfrentamentos, os organizadores dos protestos convocaram uma enorme mobilização para a terça, dia 1º de fevereiro. Uma semana após o início dos protestos, a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, disse que informações não confirmadas sugerem que até 300 pessoas podem ter morrido e que há mais de 3 mil feridos do país.



Com informações de agências e jornais internacionais.

Fonte: Terra
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