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Ministro líbio renuncia e pede que exército se junte ao povo

22 fev 2011
17h39
atualizado às 19h30

O ministro do Interior líbio e general do Exército, Abdul Fatah Younis, anunciou nesta terça-feira sua renúncia e instou às Forças Armadas para que se unam ao povo e respondam às suas legítimas reivindicações, segundo a emissora de televisão Al Jazeera.

Em comunicado lido em uma gravação divulgada pela emissora, vestindo uniforme e sentado na mesa do que parece ser seu escritório, o ministro disse que se une à "Revolução de 17 de fevereiro". "O bombardeio contra a população civil é o que me fez aderir à revolução, nunca imaginei que íamos chegar a disparar contra o povo".

Younis afirmou ainda que a Líbia do líder Muammar Kadafi "desmoronou" e que o regime "traiu a revolução". "Expresso minha fé nas reivindicações do povo e em sua legitimidade", disse o general, ressaltando que "as Forças Armadas devem estar a serviço das pessoas".

Younis era um dos colaboradores mais próximos de Kadafi e fazia parte do movimento dos então coronéis que, junto a ele, promoveram um golpe de Estado para tomar o poder em 1969. Sua demissção ocorre poucas horas depois de Kadafi ir à TV estatal para afirmar que fica no poder e ameaçar de morte a oposição que o desafiar.

Mundo árabe em convulsão
A onda de protestos que desbancou em poucas semanas os longevos governos da Tunísia e do Egito segue se irradiando por diversos Estados do mundo árabe. Depois da queda do tunisiano Ben Alie do egípcio Hosni Mubarak, os protestos mantêm-se quase que diariamente e começam a delinear um momento histórico para a região. Há elementos comuns em todos os conflitos: em maior ou menor medida, a insatisfação com a situação político-econômica e o clamor por liberdade e democracia; no entanto, a onda contestatória vai, aos poucos, ganhando contornos próprios em cada país e ressaltando suas diferenças políticas, culturais e sociais.

No norte da África, a Argélia vive - desde o começo do ano - protestos contra o presidente Abdelaziz Bouteflika, que ocupa o cargo desde que venceu as eleições, pela primeira vez, em 1999; mais recentemente, a população do Marrocos também aderiu aos protestos, questionando o reinado de Mohammed VI. A onda também chegou à península arábica: na Jordânia, foi rápida a erupção de protestos contra o rei Abdullah, no posto desde 1999; já ao sul da península, massas têm saído às ruas para pedir mudanças no Iêmen, presidido por Ali Abdullah Saleh desde 1978, bem como em Omã, no qual o sultão Al Said reina desde 1970.

Além destes, os protestos vêm sendo particularmente intensos em dois países. Na Líbia, país fortemente controlado pelo revolucionário líder Muamar Kadafi, a população entra em sangrento confronto com as forças de segurança; em meio à onda de violência, um filho de Kadafifoi à TV estatal do país para tirar a legitimidade dos protestos, acusando um "complô" para dividir o país e suas riquezas. Na península arábica, o pequeno reino do Bahrein - estratégico aliado dos Estados Unidos - vem sendo contestado pela população, que quer mudanças no governo do rei Hamad Bin Isa Al Khalifa, no poder desde 1999.

Além destes países árabes, um foco latente de tensão é a república islâmica do Irã. O país persa (não árabe, embora falante desta língua) é o protagonista contemporâneo da tensão entre Islã/Ocidente e também tem registrado protestos populares que contestam a presidência de Mahmoud Ahmadinejad, no cargo desde 2005. Enquanto isso, a Tunísia e o Egito vivem os lento e trabalhoso processo pós-revolucionário, no qual novos governos vão sendo formados para tentar dar resposta aos anseios da população.

EFE   
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