atualizado às 19h11

Manifestantes entram em confronto com a polícia no Bahrein

Manifestantes pró-democracia entraram em confronto com a polícia de choque no Barein Foto: Hasan Jamali / AP
Manifestantes pró-democracia entraram em confronto com a polícia de choque no Barein
Foto: Hasan Jamali / AP
 

Manifestantes pró-democracia do Bahrein queimaram pneus e entraram em confronto com a polícia neste sábado, exigindo a libertação de líderes da oposição e de ativistas de direitos humanos. Centenas de jovens se reuniram, principalmente, em aldeias xiitas localizadas fora da capital do país do Golfo, Manama. Alguns usavam máscaras e jogavam coquetéis molotov na direção dos policiais da tropa antimotim, disseram os moradores.

Muitos gritavam: "O povo quer a queda do regime!" e "Abaixo, abaixo Hamad!" referindo-se ao governante, o rei Hamad. A polícia atirou gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral para dispersar os manifestantes.

Em Washington, o Departamento de Estado dos Estados Unidos disse na sexta-feira que os EUA retomariam parte das vendas militares ao Bahrein, um aliado importante no Golfo, de frente para o Irã, apesar das preocupações de ativistas de Direitos Humanos em relação aos protestos populares contra os governantes do reino.

O Bahrein, que é governado por uma monarquia sunita muçulmana e hospeda a Quinta Frota dos EUA está em crise desde que ativistas, principalmente da comunidade xiita, começaram os protestos em fevereiro de 2011, inspirados nas revoltas bem sucedidas do Egito e da Tunísia. As autoridades tentaram esmagar o movimento, impondo a lei marcial, trazendo o exército saudita e acusando os ativistas de cooperarem com o Irã xiita para mudar o sistema de governo. A oposição e o Irã rejeitam a acusação.

Mais de um ano depois, a agitação continua com passeatas semanais dos partidos de oposição e confrontos entre os jovens ativistas e a polícia antimotim.

Neste sábado, um esquadrão antibomba da polícia removeu um objeto que parecia ser uma bomba caseira de uma área aos oeste de Manama; entretanto, mais tarde a polícia disse aos jornalistas que o artefato era falso. Na semana passada, uma bomba improvisada feriu quatro policiais, quando as forças de segurança entraram em confronto com os manifestantes que exigiam a libertação de Abdulhadi al-Khawaja, um ativista preso que está em greve de fome, e de outras figuras da oposição que também estão presas.

Também na semana passada, a polícia prendeu Nabeel Rajab, chefe do Centro de Direitos Humanos do Bahrein, quando ele voltou de Beirute. Além de os promotores o interrogarem a respeito de suas mensagens no Twitter, ele também enfrenta acusações anteriores de ter organizado um protesto em Manama, em março.

Rajab ficou famoso no ano passado quando se tornou um ativista incisivo contra a repressão. Com mais de 140 mil seguidores no Twitter, ele é um dos principais ativistas online do mundo árabe. Um tweet da sua conta no sábado diz: "Lembrem-se que seu objetivo não é lidar com a polícia antimotim nas ruas, é o regime. Mantenham o foco no alvo verdadeiro, fiquem calmos."

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