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Manifestantes desafiam proibição e voltam às ruas no Egito

27 jan 2011
08h53
atualizado em 28/1/2011 às 22h10
TAriq Saleh
Da BBC Brasil

Manifestantes foram às ruas na capital do Egito, Cairo, em desafio à proibição do governo egípcio de novos protestos. Há relatos de confrontos entre ativistas e as forças de segurança na capital egípcia na manhã desta quinta-feira.

Policiais e manifestantes que querem a saída do presidente Hosni Mubarak frente a frente em Suez
Policiais e manifestantes que querem a saída do presidente Hosni Mubarak frente a frente em Suez
Foto: AFP

Segundo a imprensa do país, houve diversos confrontos durante a noite em bairros próximos à região central do Cairo, onde se concentram os grandes protestos que exigem a renúncia do presidente, Hosni Mubarak, há 30 anos no poder.

As autoridades egípcias já tinham avisado que não tolerariam mais protestos e que os manifestantes seriam presos e processados. De acordo com relatos de jornais independentes, apesar do aviso do governo, não há sinais de que as manifestações diminuirão.

Os protestos devem ganhar a adesão do ex-chefe da agência de energia atômica das Nações Unidas e líder opositor Mohamed ElBaradei, que mora em Viena, na Áustria, e deve chegar ao Egito ainda hoje.

O irmão de ElBaradei, Ali ElBaradei, disse a emissoras de TV árabes que o irmão se juntaria às manifestações programadas para sexta-feira, esperando que o governo "entendesse a mensagem".

Os protestos no Egito começaram na terça-feira e foram inspirados no levante popular na Tunísia que, há duas semanas, derrubou o presidente, que estava no poder havia 23 anos.

As forças de segurança vêm reprimindo com firmeza os protestos, usando canhões de água, cassetetes e bombas de gás lacrimogênio.

Segundo o governo, 860 pessoas já foram presas, mas organizações independentes estimam que o número ultrapasse 1,2 mil detenções. Pelo menos seis pessoas, incluindo um policial, foram mortas.

Iemên
Protestos também começaram nesta quinta-feira no Iêmen, onde milhares de pessoas foram às ruas da capital Sanaa para exigir a renúncia do presidente, Ali Abdullah Saleh, no poder há mais de 30 anos.

Relatos vindos do país dão conta de que há manifestações em quatro diferentes pontos da cidade.

Organizadores convocaram estudantes e a sociedade civil para protestar contra a a corrupção e as políticas econômicas. Os iemenitas se queixam da marginalização, a pobreza e a frustração da população jovem com a falta de liberdade política e democracia.

O Iêmen é um dos países mais pobres do mundo árabe e enfrenta ameaças de grupos separatistas no sul e insurgência de rebeldes xiitas houti no norte.

O país também é alvo da Al-Qaeda, que vê nos jovens desempregados uma oportunidade para recrutá-los para grupos militantes islâmicos.

A onda de revoltas populares teve início na Tunísia em dezembro do ano passado e durou um mês. Depois que os protestos conseguiram derrubar o presidente, manifestações surgiram em outros países da região.

Jordânia e Argélia também vêm enfrentando manifestações, embora em menor escala, reprimidas pelas forças de segurança destes países.

Analistas alertam que revoltas populares podem se espalhar pelo mundo árabe e ameaçar os regimes de vários países da região.<p

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