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Líbia: rebeldes mantêm controle no porto de Ras Lanuf

7 mar 2011
05h46
atualizado às 06h53
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Os milicianos rebeldes na Líbia mantêm nesta segunda-feira o controle do porto e do terminal petrolífero de Ras Lanuf, 200 km ao leste de Sirte, seu próximo alvo militar, e mantêm enfrentamentos em Ben Jawad, no meio do caminho entre as duas localidades, informaram as fontes rebeldes. No terminal portuário, mais de dez baterias guardam o estratégico enclave e cerca de 100 milicianos protegem seus acessos.

Aeronaves, aparentemente em missão de reconhecimento, sobrevoaram nesta segunda-feira o povoado, que caiu em mãos rebeldes na sexta-feira na ofensiva dos milicianos para tomar Sirte, a cidade natal do líder do país, Muammar Kadafi, e uma das principais fortificações em seu poder.

Os feridos nos combates entre ontem e hoje em Ben Jawad e Ras Lanuf foram levados para a cidade de Brega, a 160 km da localidade, informaram fontes do posto de controle que fecha o acesso à cidade em poder rebelde.

Os milicianos, que ontem sofreram ataques de aviões em Brega e Ben Jawad, mantêm os enfrentamentos com as forças leais a Kadafi, que pretende conter o avanço rebelde em uma das maiores fortificações ainda em poder do governo no leste do país.

A contra-ofensiva das brigadas de Kadafi no domingo surpreendeu os rebeldes com uma emboscada em Ben Jawad e conteve o avanço revolucionário pela costa, embora os milicianos tenham tentado manter a iniciativa apesar da concentração de artilharia das tropas do coronel líbio.

Alguns comandantes rebeldes mantêm confiança em beneficiar-se das divisões tribais e dos enfrentamentos entre os próprios partidários de Kadafi em Sirte, mas por enquanto não contaram com ajuda interior para desestabilizar suas defesas.

O contra-ataque de Kadafi se estendeu ontem a Misrata, onde um porta-voz do hospital elevou a 20 o número de mortos no ataque com carros de combate nessa grande cidade localizada entre Trípoli e Sirte.

As forças leais ao líder líbio mantêm ofensivas também sobre a cidade de Al Zawiyah, 92 km ao sudoeste da capital, que permanece cercada há quatro dias. As brigadas de Kadafi asseguraram ter recuperado o controle dessa cidade, embora a informação não tenha sido confirmada por fontes independentes, já que há o bloqueio à imprensa.

Apesar das informações das forças pró-Kadafi, a rede de televisão Al Jazeera divulgou, na manhã desta segunda-feira, imagens supostamente gravadas no domingo no centro de Zawiyah, que mostravam a cidade ainda sob o controle dos rebeldes.

Líbios enfrentam repressão e desafiam Kadafi
Impulsionada pela derrocada dos presidentes da Tunísia e do Egito, a população da Líbia iniciou protestos contra o líder Muammar Kadafi, que comanda o país desde 1969. As manifestações começaram a tomar vulto no dia 17 de fevereiro, e, em poucos dias, ao menos a capital Trípoli e as cidades de Benghazi e Tobruk já haviam se tornado palco de confrontos entre manifestantes e o exército.

Os relatos vindos do país não são precisos, mas a onda de protestos nas ruas líbias já é bem mais violenta que as que derrubaram o tunisiano Ben Ali e o egípcio Mubarak. A população tem enfrentado uma dura repressão das forças armadas comandas por Kadafi. Há informações de que aeronáutica líbia teria bombardeado grupos de manifestantes em Trípoli. Estima-se que centenas de pessoas, entre manifestantes e policiais, tenham morrido. Muitas dezenas de milhares já deixaram o país.

Além da repressão, o governo líbio reagiu através dos pronunciamentos de Saif al-Islam , filho de Kadafi, que foi à TV acusar os protestos de um complô para dividir a Líbia, e do próprio Kadafi, que, também pela televisão, esbravejou durante mais de uma hora, xingando os contestadores de suas quatro décadas de governo centralizado e ameaçando-os de morte. Desde então, as aparições televisivas do líder líbio têm sido frequentes, variando de mensagens em que fala do amor da população até discursos em que promete vazar os olhos da oposição.

Não apenas o clamor das ruas, mas também a pressão política cresce contra o coronel. Internamente, um ministro líbio renunciou e pediu que as Forças Armadas se unissem à população. Vários embaixadores líbios também pediram renúncia ou, ao menos, teceram duras críticas à repressão. Além disso, o Conselho de Segurança das Nações Unidas fez reuniões emergenciais, nas quais responsabilizou Kadafi pelas mortes e indicou que a chacina na Líbia pode configurar um crime contra a humanidade. Mais recentemente, o Tribunal Penal Internacional iniciou investigações sobre as ações de Kadafi, contra quem também a Interpol emitiu um alerta internacional.

info infográfico líbia infromações sobre o país
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Foto: AFP

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EFE   
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