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Kadafi diz que não é presidente e não tem a que renunciar

2 mar 2011
08h32
atualizado às 10h28

Pressionado pelas potências internacionais, o líder líbio, Muammar Kadafi, afirmou em discurso nesta quarta-feira que não é o presidente do país, e por isso não tem a que renunciar. Em Trípoli, Kadafi disse que o povo da Líbia está livre para exercer o poder, e que interferências externas não são aceitáveis. Além disso, garantiu que haverá milhares de mortos, em caso de intervenção estrangeira.

"Nós vamos pôr dois dedos nos olhos de quem desafiar o povo líbio", afirmou Kadafi. O líder do país africano lembrou o 34º aniversário da revolução que livrou o país da dominação italiana. "Desde então, é o povo que administra o poder no país", afirmou Muammar Kadafi. "O poder do povo é o sistema político do país, não há nada além do povo, em congressos, reuniões, encontros parlamentares", disse o líder líbio.

Muammar Kadafi afirmou que o mundo não compreende que o sistema de governo na Líbia deixa o poder nas mãos do povo. Kadafi acrescentou que não há problemas internos na Líbia.

O líder líbio se referiu ao sistema do país como "democracia direta", a qual ele descreve em seu manifesto político, intitulado Livro Verde. "Muammar Kadafi não é um presidente para renunciar, ele não tem um Parlamento para dissolver", disse. "O sistema líbio é um sistema do povo e ninguém pode ir contra a autoridade do povo. O povo é livre para escolher a autoridade que lhe convém", afirmou.

Al-Qaeda e missão da ONU
Kadafi também afirmou que não aconteceram manifestações na Líbia, embora tenha acusado novamente a rede Al-Qaida de ser a origem dos distúrbios.

Ele também pediu que a ONU envie uma missão de verificação a seu país e prometeu: "Combateremos até o último homem e a última mulher". "Células adormecidas da Al-Qaeda, seus elementos, se infiltraram gradualmente... Eles acreditam que o mundo é deles, lutam em qualquer lugar, os serviços de inteligência os conhecem pelo nome, acusou o líder líbio a uma atenta audiência.

"Começou de repente na cidade de Al-Baida... As células adormecidas receberam ordens de atacar o batalhão... e roubaram as armas das delegacias", disse Kadafi.

A cerimônia foi transmitida logo depois que os rebeldes informaram que haviam repelido um ataque das forças de Kadafi na cidade de Brega na véspera, com testemunhas reportando dois civis mortos.

O evento foi para marcar o aniversário do lançamento dos Comitês do Povo, de acordo com o locutor da tv estatal. Lendo um texto preparado, o discurso Kadafi foi várias vezes interrompido por aplausos dos partidários do dirigente.

Kadafi criticou as informações sobre as demissões de oficiais superiores de seu regime, incluindo chefes militares e embaixadores. "As renúncias lá fora, as declarações de dentro (da Líbia)... não acreditem nelas", afirmou.

"No que diz respeito à Líbia... nada aconteceu... e é estranho que o mundo receba notícias de correspondentes e TVs que não estão presentes na Líbia". "Eles não querem notícias verdadeiras da Líbia", enfatizou. "Não existem prisioneiros políticos na Líbia", acrescentou.

"Quando os Comitês do Povo determinam algo, se torna lei e é implementada para todos os líbios. Ninguém pode declarar guerra ou paz a menos que os Comitês do Povo assim decidam", afirmou ainda. "Muammar não tem poder de verdade para renunciar a ele".

Kadhafi pediu que a comunidade internacional que estabeleça uma comissão de verificação para confirmar se há mesmos mais de mil mortos nas mãos de suas forças. "Pedimos ao mundo, às Nações Unidas, que enviem uma equipe de verificação para investigar".

Líbios enfrentam repressão e desafiam Kadafi
Impulsionada pela derrocada dos presidentes da Tunísia e do Egito, a população da Líbia iniciou protestos contra o líder Muammar Kadafi, que comanda o país desde 1969. As manifestações começaram a tomar vulto no dia 17 de fevereiro, e, em poucos dias, ao menos a capital Trípoli e as cidades de Benghazi e Tobruk já haviam se tornado palco de confrontos entre manifestantes e o exército.

Os relatos vindos do país não são precisos, mas tudo leva a crer que a onda de protestos nas ruas líbias já é bem mais violenta do que as que derrubaram o tunisiano Ben Ali e o egípcio Mubarak. A população tem enfrentado uma dura repressão das forças armadas comandas por Kadafi. Há informações de que Força Aérea líbia teria bombardeado grupos de manifestantes em Trípoli. Estima-se que centenas de pessoas, entre manifestantes e policiais, tenham morrido.

Além da repressão, o governo líbio reagiu através dos pronunciamentos de Saif al-Islam , filho de Kadafi, que foi à TV acusar os protestos de um complô para dividir a Líbia, e do próprio Kadafi, que, também pela televisão, esbravejou durante mais de uma hora, xingando os contestadores de suas quatro décadas de governo centralizado e ameaçando-os de morte.

Além do clamor das ruas, a pressão política também cresce contra o coronel Kadafi. Internamente, um ministro líbio renuncioue pediu que as Forças Armadas se unissem à população. Vários embaixadores líbiostambém pediram renúncia ou, ao menos, teceram duras críticas à repressão. Além disso, o Conselho de Segurança das Nações Unidas fez reuniões emergenciais, nas quais responsabilizou Kadafi pelas mortes e indicou que a chacina na Líbia pode configurar um crime contra a humanidade.

Com agências internacionais.

Fonte: Terra
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