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Jornalistas do Iêmen protestam em frente à embaixada do Egito

29 jan 2011
09h18
atualizado às 11h03

Dezenas de jornalistas do Iêmen protestaram neste sábado em frente à embaixada do Egito em Sana, em solidariedade às manifestações políticas de repúdio ao governo do presidente Hosni Mubarak. Os manifestantes fizeram uma passeata desde a sede do sindicato de jornalistas iemenitas até a legação diplomática egípcia, mas a polícia os impediu de se aproximarem demais do edifício, informaram fontes do sindicato.

Manifestante egípcio beija militar na praça Tahrir, em Cairo, após o anúncio de renúncia do governo
Manifestante egípcio beija militar na praça Tahrir, em Cairo, após o anúncio de renúncia do governo
Foto: AP

No entanto, um grupo de partidários do governo do Iêmen também compareceu ao local e enfrentou os manifestantes. Segundo as fontes, um jornalista foi agredido nos choques. Na última quinta-feira, também houve protestos contra o governo do Iêmen, país mais pobre da península arábica, que é presidido por Ali Abdullah Saleh. Os manifestantes contestavam a reforma constitucional proposta pelo líder para tentar novamente se reeleger.

Os manifestantes, que se concentraram de maneira pacífica em quatro pontos diferentes de Sana, gritaram frases como "não à reeleição", "não à sucessão", "não à corrupção" e "não à política do empobrecimento". O número de mortos nos protestos é incerto, mas se aproxima de 50 em todo o país, segundo fontes médicas. Esses protestos no mundo árabe, que também tiveram eco na Jordânia, se inspiram nas manifestações da chamada Revolução de Jasmim, que culminaram na queda do líder tunisiano Zine el-Abidine Ben Ali no último dia 14.

Egípcios desafiam governo Mubarak
A onda de protestos dos egípcios contra o governo do presidente Hosni Mubarak, iniciados no dia 25 de janeiro, tomou nova dimensão na última sexta-feira. O governo havia tentado impedir a mobilização popular cortando o sinal da internet no país, mas a medida não surtiu efeito. No início do dia dia, 2 mil egípcios participaram de uma oração com o líder oposicionista Mohama ElBaradei, que acabou sendo temporariamente detido e impedido de se manifestar.

Os protestos tomaram corpo, com dezenas de milhares de manifestantes saindo às ruas das principais cidades do país - Cairo, Alexandria e Suez. Mubarak enviou tanques às ruas e anunciou um toque de recolher, o qual acabou virtualmente ignorado pela população. Os confrontos com a polícia aumentaram, e a sede do governista Partido Nacional Democrático foi incendiada. O número feridos passa de 800.

Já na madrugada de sábado (horário local), Mubarak fez um pronunciamento à nação no qual ele disse que não renunciaria, mas que um novo governo seria formado em busca de "reformas democráticas". Defendeu a repressão da polícia aos manifestantes e disse que existe uma linha muito tênue entre a liberdade e o caos. A declaração do líder egípcio foi seguida de um pronunciamento de Barack Obama, que pediu a Mubarak que fizesse valer sua promessa de democracia.



EFE   
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