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23 de fevereiro de 2012 • 15h52 • atualizado às 16h48

Jornalista ferida na Síria pede para deixar o país rapidamente

Ferida, a repórter francesa Edith Bouvier grava vídeo de sofá onde aguarda para ser retirada, em Homs
Foto: Reuters
 

Edith Bouvier, a jornalista francesa do Le Figaro ferida nesta quarta-feira em um ataque na cidade síria de Homs, pediu nesta quinta-feira em um vídeo divulgado por seu jornal que seja retirada dali para ser operada o mais rápido possível. A jornalista aparece deitada e explica que tem uma fratura dupla em uma perna e que, embora os médicos a tenham tratado "muito bem na medida de suas possibilidades", não podem realizar operações.

Nessa gravação, Edith afirma que precisa "o mais rápido possível de um cessar-fogo e de uma ambulância em bom estado" que a conduza junto com o fotógrafo que a acompanha, William Daniels, ao Líbano para ser tratada "o mais rápido possível". No vídeo de cerca de três minutos, também fala o fotógrafo, que não ficou ferido e insiste que, embora o estado da jornalista seja bom, esperam receber logo a ajuda das autoridades francesas.

Nessa gravação, na qual é possível ouvir ao fundo explosões de bombas, Daniels ressalta que recorrem a este vídeo porque "as conexões com o exterior não funcionam bem". O ataque no qual ambos foram atingidos matou a jornalista americana Marie Colvin e o fotógrafo francês Rémi Ochlik, e também ficaram feridos o britânico Paul Conroy, o francês William Daniel e um fotógrafo sírio cuja identidade não foi revelada.

O grupo, segundo informaram ativistas sírios nesta quarta-feira, estava em um edifício do bairro de Baba Amro, na cidade de Homs, que era utilizado como centro de imprensa e foi atingido pelos bombardeios. O ministro de Relações Exteriores francês, Alain Juppé, reivindicou hoje de novo que se permita "acesso médico" para ajudar às vítimas do conflito e sustentou que os feridos se encontram "em condições muito preocupantes".

Damasco de Assad desafia oposição, Primavera e Ocidente
Após derrubar os governos de Tunísia e Egito e de sobreviver a uma guerra na Líbia, a Primavera Árabe vive na Síria um de seus episódios mais complexos. Foi em meados do primeiro semestre de 2011 que sírios começaram a sair às ruas para pedir reformas políticas e mesmo a renúncia do presidente Bashar al-Assad, mas, aos poucos, os protestos começaram a ser desafiados por uma repressão crescente que coloca em xeque tanto o governo de Damasco como a própria situação da oposição da Síria.

A partir junho de 2011, a situação síria, mais sinuosa e fechada que as de Tunísia e Egito, começou a ficar exposta. Crise de refugiados na Turquia e ataques às embaixadas dos EUA e França em Damasco expandiram a repercussão e o tom das críticas do Ocidente. Em agosto a situação mudou de perspectiva e, após a Turquia tomar posição, os vizinhos romperam o silêncio. A Liga Árabe, principal representação das nações árabes, manifestou-se sobre a crise e posteriormente decidiu pela suspensão da Síria do grupo, aumentando ainda mais a pressão ocidental, ancorada pela ONU.

Mas Damasco resiste. Observadores árabes foram enviados ao país para investigar o massacre de opositores - já organizados e dispondo de um exército composto por desertores das forças de Assad -, sem surtir efeito. No início de fevereiro de 2012, quando completavam-se 30 anos do massacre de Hama, o as forças de Assad investiram contra Homs, reduto da oposição. Pouco depois, a ONU preparou um plano que negociava a saída pacífica de Assad, mas Rússia e China vetaram a resolução, frustrando qualquer chance de intervenção, que já era complicada. A ONU estima que pelo menos 5 mil pessoas já tenham morrido na Síria.

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