atualizado às 07h39

Israel prefere Suleiman como sucessor de Mubarak, diz WikiLeaks

info infográfico distúrbios egito Foto: Reuters
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Foto: Reuters
 

Israel considerava há bastante tempo o recém-nomeado vice-presidente do Egito, Omar Suleiman, seu sucessor preferido para o presidente do país, Hosni Mubarak, de acordo com mensagens diplomáticas dos Estados Unidos divulgadas pelo site WikiLeaks.

"Deferimos para a Embaixada no Cairo para análise dos cenários da sucessão no Egito, mas não há questão de que Israel está mais confortável com a perspectiva de Soliman", afirma a mensagem escrita pela embaixada dos EUA em Tel Aviv em 2008, usando uma grafia própria do nome do vice-presidente egípcio.

Suleiman, chefe de inteligência do Egito desde 1993, tem sido um visitante frequente de Israel e mediador do conflito com os palestinos.

Os Estados Unidos deram apoio aos esforços de transição lançados por Suleiman, nomeado por Mubarak para o cargo de vice-presidente após gigantescos protestos pedindo pelo fim do regime do presidente de 82 anos, que há 30 está no poder.

A mensagem diplomática, datada de 29 de agosto de 2008, resume conversas que o ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, manteve com líderes egípcios na cidade portuária de Alexandria.

Ela cita um dos conselheiros de Barak, David Hacham, que teria afirmado que a delegação israelense estava chocada com a aparência idosa de Mubarak e com sua voz cansada.

"Hacham notou que os israelenses acreditam que Soliman deve servir ao menos como presidente interino caso Mubarak morra ou fique incapacitado", afirma a mensagem, que acrescenta que Hacham foi "só elogios" para Suleiman.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, se disse esperançoso de que qualquer novo governo no Egito mantenha a paz firmada com Israel em 1979.

Protestos convulsionam o Egito
Desde o último dia 25 de janeiro - data que ganhou um caráter histórico, principalmente na internet, principalmente pelo uso da hashtag #Jan25 no Twitter -, os egípcios protestam pela saída do presidente Hosni Mubarak, que está há 30 anos no poder. No dia 28 as manifestações ganharam uma nova dimensão, fazendo o governo cortar o acesso à rede e declarar toque de recolher. As medidas foram ignoradas pela população, mas Mubarak disse que não sairia. Limitou-se a dizer que buscaria "reformas democráticas" para responder aos anseios da população a partir da formação de um novo governo.

A partir do dia 29, um sábado, a nova administração foi anunciada. A medida, mais uma vez, não surtiu efeito, e os protestos continuaram. O presidente egípcio se reuniu com militares e anunciou o retorno da polícia antimotins. Enquanto isso, a oposição seguiu se organizando. O líder opositor Mohamad ElBaradei garantiu que "a mudança chegará" para o Egito. Na terça, dia 1º de fevereiro, dezenas de milhares de pessoas se reuniram na praça Tahrir para exigir a renúncia de Mubarak. A grandeza dos protestos levou o líder egípcio a anunciar que não participaria das próximas eleições, para delírio da massa reunida no centro do Cairo.

O dia seguinte, 2 de fevereiro, no entanto, foi novamente de caos. Manifestantes pró e contra Mubarak travaram uma batalha campal na praça Tahrir com pedras, paus, facas e barras de ferro. Nos dias subsequentes os conflitos cessaram e, após um período de terror para os jornalistas, uma manifestação que reuniu milhares na praça Tahrir e impasses entre o governo e oposição, a Irmandade Muçulmana começou a dialogar com o governo. Enquanto isso, começaram a aparecer sinais de que Mubarak deve permanecer no cargo durante o processo de transição.



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