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Iêmen: conflitos elevam temores da situação se tornar guerra civil

25 set 2011
12h21
atualizado às 13h36

Soldados iemenitas mataram dois combatentes tribais e feriram 18 manifestantes antigoverno nos mais recentes confrontos, em uma semana cheia de tensões e que elevou os temores de que a situação se torne uma guerra civil. Em um aumento da violência fora da capital, dois tribais pró-oposição foram mortos na região montanhosa de Naham, disse um xeique do clã, depois que o Exército bombardeou a região onde combatentes se concentravam e duelavam contra tropas leais ao governo.

Manifestantes pedem a renúncia do presidente Ali Abdullah Saleh durante protesto neste domingo
Manifestantes pedem a renúncia do presidente Ali Abdullah Saleh durante protesto neste domingo
Foto: AP

Em Sanaa, soldados usaram munição contra manifestantes enquanto eles faziam uma passeata nas ruas da capital. "Eu vi soldados em cima, em edifícios e na ponte", afirmou Mohammed al-Mas, de 21 anos, um manifestante cujas costas estavam ensopadas de sangue devido a um ferimento de bala. Ele disse que um poste de eletricidade foi derrubado e dividiu a passeata em duas.

No total, 18 pessoas ficaram feridas, e médicos disseram que duas delas estão em estado grave. Médicos negaram uma informação da televisão de que um manifestante morreu.

Cerca de 17 pessoas morreram no sábado, quando forças do governo atacaram o principal acampamento de manifestantes da oposição em Sanaa, disseram testemunhas e médicos, elevando o número de mortos para cerca de 100 após cinco dias de conflitos. Especialistas temem que a possível anarquia no país árabe crie possibilidades para um braço da Al-Qaeda na nação e coloque em perigo as rotas de saída do petróleo no Mar Vermelho.

O presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, retornou inesperadamente ao país na sexta-feira após três meses na Arábia Saudita, onde se recuperava de uma tentativa de assassinato, ocorrida em junho. Protestos populares ocorridos em janeiro e inspirados nas revoltas em outros países árabes espalharam revolta contra o governo de Saleh.

Manifestantes acusam o presidente, sua família e governo de corrupção e de não conseguirem acabar com a pobreza e a impunidade em uma terra onde uma em cada duas pessoas possui uma arma. Eles são apoiados por poderosas forças, como os líderes do clã al-Ahmar - que chefia a maior confederação tribal do país - e pela força militar do general dissidente Ali Mohsen, que desertou em março para estabelecer um confronto militar com o governo.

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