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Iêmen acusa Israel de dirigir protestos nos países árabes

1 mar 2011
06h11
atualizado às 06h40

O presidente iemenita, Ali Abdullah Saleh, acusou nesta terça-feira Israel de dirigir os protestos nos países árabes que pedem a queda de seus regimes. "Todos estes protestos são financiados pelos sionistas de Israel e dirigidos a partir de uma sala de operações em Tel Aviv", afirmou Saleh em discurso a professores universitários em Sana.

Os comentários de Saleh coincidem com uma onda de protestos convocados pelos principais partidos da oposição para esta terça-feira com a meta de insistir na renúncia do líder do país. Em seu discurso, Saleh criticou o que chamou de "ingerência" do presidente americano, Barack Obama, nos assuntos dos países árabes que pedem mudanças. "O que Obama tem a ver com os países árabes? É o presidente dos Estados Unidos ou o presidente dos países árabes?", questionou o líder do Iêmen.

Na segunda-feira, a oposição iemenita rejeitou a oferta de Saleh de participar de um governo de união nacional e disse que manterá nas ruas os protestos, que eclodiram no Iêmen em 27 de janeiro inspirados nas revoltas de Tunísia e Egito.

Desde o início dos protestos, Saleh reiterou em várias ocasiões sua oferta de diálogo e de formação de um Governo de união nacional, o que foi rejeitado pela oposição. Os enfrentamentos que surgiram pelos protestos deixaram até a segunda-feira 17 mortos e centenas de feridos.

Mundo árabe em convulsão
A onda de protestos que desbancou em poucas semanas os longevos governos da Tunísia e do Egito segue se irradiando por diversos Estados do mundo árabe. Depois da queda do tunisiano Ben Alie do egípcio Hosni Mubarak, os protestos mantêm-se quase que diariamente e começam a delinear um momento histórico para a região. Há elementos comuns em todos os conflitos: em maior ou menor medida, a insatisfação com a situação político-econômica e o clamor por liberdade e democracia; no entanto, a onda contestatória vai, aos poucos, ganhando contornos próprios em cada país e ressaltando suas diferenças políticas, culturais e sociais.

No norte da África, a Argélia vive - desde o começo do ano - protestos contra o presidente Abdelaziz Bouteflika, que ocupa o cargo desde que venceu as eleições, pela primeira vez, em 1999; mais recentemente, a população do Marrocos também aderiu aos protestos, questionando o reinado de Mohammed VI. A onda também chegou à península arábica: na Jordânia, foi rápida a erupção de protestos contra o rei Abdullah, no posto desde 1999; já ao sul da península, massas têm saído às ruas para pedir mudanças no Iêmen, presidido por Ali Abdullah Saleh desde 1978, bem como em Omã, no qual o sultão Al Said reina desde 1970.

Além destes, os protestos vêm sendo particularmente intensos em dois países. Na Líbia, país fortemente controlado pelo revolucionário líder Muammar Kadafi, a população vem entrando em sangrento confronto com as forças de segurança, já deixando um saldo de centenas de mortos. Em meio ao crescimento dos protestos na capital Trípoli e nas cidades de Benghazi e Tobruk, Kadafi foi à TV estatal no dia 22 de feveiro para xingar e ameaçar de morte os opositores que desafiam seu governo. Na península arábica, o pequeno reino do Bahrein - estratégico aliado dos Estados Unidos - vem sendo contestado pela população, que quer mudanças no governo do rei Hamad Bin Isa Al Khalifa, no poder desde 1999.

Além destes países árabes, um foco latente de tensão é a república islâmica do Irã. O país persa (não árabe, embora falante desta língua) é o protagonista contemporâneo da tensão entre Islã/Ocidente e também tem registrado protestos populares que contestam a presidência de Mahmoud Ahmadinejad, no cargo desde 2005. Enquanto isso, a Tunísia e o Egito vivem os lento e trabalhoso processo pós-revolucionário, no qual novos governos vão sendo formados para tentar dar resposta aos anseios da população.

EFE   
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