O cessar-fogo na Síria foi violado novamente por bombardeios sobre a cidade de Homs e por combates em Aleppo neste domingo, dia em que chegaram os observadores militares da ONU enviados pelo Conselho de Segurança em sua primeira resolução em 13 meses de conflito.
"Novamente estou muito preocupado pelo ocorrido ontem e hoje" na Síria, disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, depois de se reunir neste domingo em Bruxelas com o primeiro-ministro belga, Elio Di Rupo.
"É muito importante que o governo sírio adote todas as medidas necessárias para preservar o cessar-fogo", disse Ban. Informou que os observadores da ONU que viajaram neste domingo à Síria começarão suas atividades na segunda-feira.
O presidente do Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), Rami Abdel Rahman, disse à AFP que "os bombardeios contra Jaldiye (um bairro rebelde de Homs) aumentaram nesta manhã (de domingo), com uma média de três obuses por minuto".
Esta fonte indicou que se trata do bombardeio mais violento contra bairros desta cidade desde a instauração de uma trégua apoiada pelas Nações Unidas, na quinta-feira passada, e que reafirma o cepticismo do Ocidente sobre a vontade real do regime de Damasco de deter a repressão.
Também explodiram violentos combates na madrugada deste domingo entre as forças de segurança e os rebeldes na província de Aleppo (norte), acrescentou o OSDH.
No entanto, este balanço não é comparável ao dos meses anteriores, quando foram contabilizados dezenas de mortos diariamente como consequência da repressão da revolta sem precedentes contra o regime do presidente Bashar al-Assad.
Embora a intensidade dos combates tenha diminuído, o exército ainda não retirou seus tanques das cidades, como prevê o plano do emissário internacional Kofi Annan.
"Desde o início da aplicação do plano (Annan), não houve nenhuma mudança no nível da mobilização de segurança e militar. As barricadas e os tanques permanecem la", denunciou Rahman.
Um responsável militar sírio citado pela agência oficial Sana disse que "os grupos terroristas armados intensificaram de maneira histérica seus ataques contra os soldados, as forças de ordem e os civis", e advertiu que "as autoridades competentes" responderão a estes ataques.
O prosseguimento das hostilidades torna mais perigosa a missão dos 30 observadores militares não armados enviados pelo Conselho de Segurança da ONU à Síria para supervisionar o cumprimento do cessar-fogo, segundo a resolução 2042, aprovada por unanimidade pelo Conselho no sábado.
"Este aumento da violência coloca em dúvida seriamente a vontade do regime" de respeitar o cessar-fogo, comentou neste sábado a embaixadora americana na ONU, Susan Rice.
"A violência diminuiu, mas os ataques sofridos pela população civil em Homs confirmam as dúvidas que possamos ter sobre a realidade do compromisso do regime", insistiu seu homólogo francês, Gérard Araud.
A resolução convoca o governo sírio a permitir o acesso das organizações humanitárias ao país e a "implementar visivelmente" todos os compromissos adquiridos no âmbito do plano de Kofi Annan.
O documento também pede "a todas as partes que garantam a segurança dos observadores sem limitar sua liberdade de movimento e acesso, ressaltando que a principal responsabilidade recai nas autoridades sírias".
Segundo a ONU, mais de 10 mil pessoas, a maioria civis, morreram pela repressão da revolta desde meados de março de 2011 e ao menos um milhão de pessoas foram obrigadas a se deslocar no interior do país.
