Uma unidade do Exército da Síria penetrou nesta quarta-feira no leste do Líbano e sequestrou um cidadão libanês, informaram fontes policiais à agência EFE. Os militares sírios foram até as cercanias da cidade de Qaa e tomaram o refém, que se encontrava em seu sítio, para levá-lo a território da Síria.
Os incidentes na fronteira sírio-libanesa se intensificaram nos últimos dias. Ontem, três pessoas morreram - dois em um acidente de moto quando fugiam da zona e outra por um ataque cardíaco - durante um bombardeio sírio na região setentrional de Wadi Khaled, que foi precedido por um enfrentamento armado dos dois lados da fronteira.
As Forças Armadas libanesas confirmaram em comunicado que houve uma troca de tiros em Wadi Khaled e que vários projéteis sírios caíram no território libanês causando vítimas.
Um dia antes, o governo libanês anunciara um plano para desdobrar o Exército nessa área, após a morte, no sábado passado, de duas pessoas em território do Líbano pelo impacto de vários projéteis disparados desde o lado sírio.
Em entrevista publicada hoje no diário As Safir, o comandante-em-chefe do Exército libanês, general Jean Kajwayi, advertiu que o desdobramento dos militares nas zonas fronteiriças com a Síria irá levar algum tempo.
"Será necessária uma brigada de dois mil soldados para controlar melhor as fronteiras. As forças estão presentes em áreas tensas, que desejamos reforçar", acrescentou.
Mesmo assim, o general reconheceu que "é muito difícil controlar totalmente a fronteira, não só no Líbano, mas em todos os países", e explicou que o desdobramento corresponde a uma demanda dos cidadãos libaneses.
Kajwayi lembrou que as Forças Armadas libanesas foram alvo de disparos na fronteira com a Síria. "Não se sabe a identidade dos homens armados, mas nossas forças responderam de modo adequado. Faremos o mesmo sempre que nossos oficiais e soldados forem objeto de ataques", disse.
A situação da segurança no Líbano se deteriorou nos últimos meses, nos quais também houve sequestros e enfrentamentos armados entre detratores e seguidores do presidente sírio, Bashar al-Assad, na cidade libanesa de Trípoli e em Beirute.
A Síria acusa "grupos terroristas" de organizar desde o Líbano ataques contra suas tropas e enviar armas aos insurgentes. Líbano e Síria compartilham 330 km de fronteira, cuja demarcação ainda não foi estipulada.