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Hillary: zona de exclusão aérea na Líbia deve ser decisão da ONU

8 mar 2011
18h23
atualizado às 19h28
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Qualquer decisão de impor uma zona de exclusão aérea na Líbia deve ser adotada pelas Nações Unidas e não pelos Estados Unidos, afirmou a chefe da diplomacia americana, Hillary Clinton, ao canal Sky News nesta terça-feira.

info infográfico líbia infromações sobre o país
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Foto: AFP

"Queremos ver o apoio da comunidade internacional", disse Hillary. "Eu acho que é muito importante que esse não seja um esforço puxado pelos Estados Unidos, porque ele vem do próprio povo da Líbia. Ele não vem de fora, ele não vem de alguma potência ocidental ou de algum país do Golfo que diz 'isso é o que você deve fazer'".

A secretária declarou ainda que gostaria que o conflito líbio fosse resolvido pacificamente. "Gostaríamos de vê-lo (o líder líbio Muamar Kadhafi) ir embora pacificamente e que um novo governo se instalasse pacificamente", enfatizou.

"Se isso não for possível, vamos trabalhar com a comunidade internacional, mas há países que não estão de acordo" (com uma zona de exclusão aérea).

Conselho de Segurança da ONU debateu nesta terça-feira a possibilidade de impor uma zona de exclusão aérea na Líbia, mas os diplomatas enfatizaram que não tomarão decisões apressadas. "Foram debatidos vários temas, entre eles a possibilidade de uma zona de exclusão aérea", explicou à imprensa o secretário adjunto da ONU, Lynn Pascoe. "Houve uma discussão muito séria, muito interativa sobre as diferentes questões envolvidas", acrescentou.

Muitos diplomatas expressaram seu ceticismo ante a possibilidade de aprovar um projeto de resolução que preveja uma zona de exclusão aérea no futuro imediato. "Examinamos todas as opções em função da situação no terreno. Estamos numa etapa de reflexão", enfatizou um diplomata do Conseho.

A opção de decretar uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia começa a ganhar cada vez mais respaldo internacional. As monarquias árabes do Golfo Pérsico declararam-se a favor da ação, assim como o chefe da Organização da Conferência Islâmica (OCI), o turco Ekmeleddin Ihsanoglu. "Nós nos unimos àqueles que pedem o estabelecimento de uma zona de exclusão aérea, e pedimos ao Conselho de Segurança da ONU que assuma suas responsabilidades neste sentido", disse.

Fontes diplomáticas revelaram que França e Reino Unido estão elaborando um projeto de resolução que será submetido o mais rápido possível à aprovação dos quinze membros do Conselho de Segurança da ONU. "Há um sentimento de urgência. Não podemos deixar que a população seja massacrada sem dizer nada", destacou uma das fontes.

Líbios enfrentam repressão e desafiam Kadafi
Impulsionada pela derrocada dos presidentes da Tunísia e do Egito, a população da Líbia iniciou protestos contra o líder Muammar Kadafi, que comanda o país desde 1969. As manifestações começaram a tomar vulto no dia 17 de fevereiro, e, em poucos dias, ao menos a capital Trípoli e as cidades de Benghazi e Tobruk já haviam se tornado palco de confrontos entre manifestantes e o exército.

Os relatos vindos do país não são precisos, mas a onda de protestos nas ruas líbias já é bem mais violenta que as que derrubaram o tunisiano Ben Ali e o egípcio Mubarak. A população tem enfrentado uma dura repressão das forças armadas comandas por Kadafi. Há informações de que aeronáutica líbia teria bombardeado grupos de manifestantes em Trípoli. Estima-se que centenas de pessoas, entre manifestantes e policiais, tenham morrido. Muitas dezenas de milhares já deixaram o país.

Além da repressão, o governo líbio reagiu através dos pronunciamentos de Saif al-Islam , filho de Kadafi, que foi à TV acusar os protestos de um complô para dividir a Líbia, e do próprio Kadafi, que, também pela televisão, esbravejou durante mais de uma hora, xingando os contestadores de suas quatro décadas de governo centralizado e ameaçando-os de morte. Desde então, as aparições televisivas do líder líbio têm sido frequentes, variando de mensagens em que fala do amor da população até discursos em que promete vazar os olhos da oposição.

Não apenas o clamor das ruas, mas também a pressão política cresce contra o coronel. Internamente, um ministro líbio renunciou e pediu que as Forças Armadas se unissem à população. Vários embaixadores líbios também pediram renúncia ou, ao menos, teceram duras críticas à repressão. Além disso, o Conselho de Segurança das Nações Unidas fez reuniões emergenciais, nas quais responsabilizou Kadafi pelas mortes e indicou que a chacina na Líbia pode configurar um crime contra a humanidade. Mais recentemente, o Tribunal Penal Internacional iniciou investigações sobre as ações de Kadafi, contra quem também a Interpol emitiu um alerta internacional.

Com informações das agências internacionais. ,/i> ,/p>

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Fonte: Terra
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